19 de janeiro de 2017

 

Barack Obama, este já vai tarde...

Amanhã é um dia em que a humanidade deve se encher de júbilo porque o comandante em chefe da maior potência bélica do mundo, criador das operações de aviões não tripulados (drones) que todas as terças-feiras assassinam cidadãos em todo o planeta, mesmo quando eles se encontram em casamentos e funerais acompanhados por pessoas presumidamente inocentes, deixará de exercer este poder.

Eleito sob a aura de mudança (change), Barack Hussein Obama prosseguiu de forma insistente a política belicista de seu antecessor George W. Bushinho e, na verdade, ainda a ampliou ao atacar novos governos seculares do Oriente Médio e do Norte da África, o que levou destruição e morte a estas regiões, causando um fluxo de refugiados que inundou os países da Europa. Continua

 

9 de novembro de 2016

 A derrota da bruxa malvada

O título acima poderia servir como corolário de uma fábula moral em que ‒ ao final ‒ uma criatura malévola termina sendo castigada por suas atrocidades.

Há, no entanto, muitos outros elementos na história. O mais importante deles é que os cidadãos norte-americanos que ontem elegeram maciçamente Donald Trump como o próximo presidente do país não se deixaram levar por uma das mais grosseiras campanhas de manipulação da opinião pública da era moderna. Continua

 

11 de outubro de 2015

 Bush and Obama Age of Terror

Bush and Obama Age of Terror, episódio da série Untold History of the US de Oliver Stone, apresentado pelo canal Showtime e reproduzido aqui, aparece de imediato como um golpe político de mestre de seu produtor e diretor.

Enquanto, de um lado, procura conquistar o apoio da esquerda americana e dos pacifistas que rejeitam o estado de terror interno e as prolongadas detenções sem uma justa causa, assim como as contínuas invasões de outras nações, acena com simpatia aos empresários dos Estados Unidos cada vez mais afetados pela aplicação indiscriminada a um número crescente de países e assume muitas de suas críticas ao governo de Barack Obama. Continua

 

29 de setembro de 2015

Vocês se dão conta do que fizeram?

Vocês se dão conta do que fizeram? ─ perguntou hoje Vladimir Putin na inauguração da 70ª Assembleia das Nações Unidas.

O presidente russo lembrava que ─ com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética ─ o mundo encontrou uma oportunidade para finalmente viver uma era de paz.

A resposta de Barack Hussein Obama tanto pode ser interpretada como o fruto de uma postura arrogante e hipócrita, típica de uma sociedade que vem desde há algum tempo mergulhada numa cultura isolacionista e que se rendeu ao mito de sua própria “excepcionalidade”, como a expressão de uma doença esquizofrênica que tende a ser indicativa de uma progressiva decadência. Continua

 

28 de setembro de 2015

 As imagens na nossa história

As imagens desempenham um papel fundamental na nossa história. Faraós egípcios buscavam preservar na vida e na morte a sua própria imagem. Reis e rainhas se faziam retratar por pintores e escultores e isto tornou possível que artistas de grande talento pudessem sobreviver por meio deste ofício. Durante o Barroco, a Igreja Católica ─ confrontada pela Reforma Protestante ─ preencheu os templos com as mais suntuosas imagens.

Nos dias atuais da “sociedade do espetáculo”, os políticos também se transformaram em estrelas no grande circo do show-business. A 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas ofereceu algumas imagens, registradas pelos fotógrafos da imprensa mundial, que são bem indicativas do momento que vivemos. Continua

31 de maio de 2015

 Estados Unidos montam a sua Lava Jato num hotel da Suíça

A bombástica e sensacionalista operação da polícia americana num hotel de Zurique não tem nenhuma relação com seus apregoados propósitos: é apenas mais uma cortina de fumaça destinada desrespeitar o direito internacional e mostrar quem é que manda no mundo, ao mesmo tempo em que tenta impedir que seu aliado Israel seja expulso da Fédération Internationale de Football Association (FIFA) por atitudes antiesportivas. Continua

 

23 de maio de 2015

 Hitler e Mussolini estão vivos e passam bem

Setenta anos depois da II Guerra Mundial e quase um quarto de século após o fim da Guerra Fria, assistimos a uma verdadeira reversão de expectativas.

Vitorioso em ambos os conflitos, os Estados Unidos vivem hoje uma profunda crise econômica, política e moral.

Embora ainda seja prematuro fazer projeções, a crise da hiperpotência americana reforça uma tendência já apontada por historiadores como Eric Hobsbawn e Marc Ferro de um deslocamento de poder do Atlântico para o Pacífico, onde os tigres asiáticos vêm há algum tempo impulsionando a economia mundial, e projeta agora a emergência da China como nova superpotência. Continua

15 de março de 2015

Traiganme la cabeza de Vladimir Putin, Nicolás Maduro, Luís Inácio da Silva, Evo Morales, Rafael Correa y Cristina Kirchner!

Seria grotesco se não fosse assustador. Depois de terem linchado Muammar Kadhafi, os neocons de Washington ‒ chamados por uns de Senhores do Universo e por outros de cowboys com armas atômicas ‒ voltam-se agora para novos alvos.

Depois de estarem mergulhados em muitas guerras malsucedidas no Oriente Médio e em outra que parece seguir o mesmo caminho no leste da Europa, lembraram-se afinal da América Latina que sempre consideraram como seu quintal.  Continua

 

11 de janeiro de 2015

Lembra de Jenin? E Fallujah?

Desde há algum tempo, historiadores, sociólogos e pensadores vêm observando o progressivo declínio em que mergulha o Ocidente, com a contínua perda dos seus mais elevados valores. Entre muitos outros, Eric Hobsbawm e Marc Ferro já consideraram que a grande era do Atlântico das navegações, das conquistas e do longo período do colonialismo está chegando ao fim. A atual recessão da Europa tende a agravar ainda mais o quadro, especialmente quando muitos países da União Europeia voltam a recorrer às guerras coloniais, com resultados catastróficos para a paz mundial. Continua

22 de dezembro de 2014

 Cowboys com armas atômicas

O futuro dirá se o reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba foi um simples gesto de relações públicas, um reconhecimento da importância do país caribenho ou a primeira etapa de uma estratégia já concebida para a instauração de um novo governo ‒ certamente mais favorável aos Estados Unidos ‒ na ilha.

De qualquer forma, as primeiras reações do governo cubano foram no sentido de que não estava embevecido por tamanha generosidade ianque. A calorosa recepção aos três antiterroristas que permaneceram presos por 16 anos no gulag americano deve ter reavivado no povo cubano a consciência do tratamento que os Estados Unidos vêm dispensando ao regime socialista por mais de meio século. Continua

24 de julho de 2014

O que os corrompidos meios de comunicação brasileiros e internacionais não dizem

Mantido em silêncio pelos órgãos de informação submetidos aos interesses da política belicista dos Estados Unidos e dos delírios genocidas de Netanyahu, o acordo de paz proposto pelo Hamas e a Jihad Islâmica foi ‒ como se previa ‒ recusado por Israel.

Segundo o diário hebreu Maariv, uma fonte importante palestina confirmou que o Hamas e a Jihad Islâmica estariam dispostos a assinar uma trégua de 10 anos com o governo de Tel-Aviv uma vez satisfeitas dez demandas consideradas essenciais para a autonomia de Gaza. São elas:

1. A retirada dos tanques militares de Israel da área da cerca da fronteira, de forma a permitir que os agricultores de Gaza possam ter acesso aos seus campos de plantação para cultivá-los. Continua

18 de julho de 2014

 Falsas bandeiras e cortinas de fumaça

A quem interessava o recente sequestro de três adolescentes nos assentamentos ilegais de Israel? Certamente não ao Hamas e ao Fatah, organizações que tem uma posição de liderança nos territórios ocupados de Gaza e da Cisjordânia e que, após um longo período de disputas e conflitos, haviam acabado de celebrar um acordo para um governo de unidade.

Embora a ação tenha sido negada com veemência por esses movimentos, foi com muita surpresa que o mundo viu o primeiro ministro de Israel acusá-los como culpados pela ação e, em seguida, deflagrar uma violenta operação de bombardeio que já matou até o momento mais de 200 seres humanos, 80 % deles inocentes civis, mulheres e crianças em sua maioria. Continua

3 de março de 2014

Dark Color "Revolutions"

Speaking about the United States, the great leader of the Cuban Independence, José Martí, said once: "I know the monster because I had lived inside its guts". Based on this comment − which took place in the second half of the 19th century − we might understand how the American interference in Latin America dates back to such a long time.

During the 20th century the US did even worse than during Spanish-Cuban War: they toppled dozen of elected governments − from Guatemala, in 1954, to the most recent case of Paraguay, in 2012 − besides supporting lots of dictatorships like that of Sargent Fulgencio Batista – who took over the power in Cuba aboard an American warship – and the clan of the Somozas, in Nicaragua, to the Brazilian and Argentinian generals, and in addition shot Allende, Omar Torrijos, sacked the natural resources of many countries, etc. Continua

9 de setembro de 2013

Mais uma mentira, mais uma guerra

Para quem se acostumou a inventar mentiras para justificar agressões militares contra países como o Vietnã do Norte, o Iraque, o Afeganistão, entre outros, não é surpreendente que os Estados Unidos estejam agora fabricando mais esta esfarrapada aleivosia contra a Síria, o que lhe dará a oportunidade de despejar alguns milhares de novos mísseis de última geração no país árabe.

O que parece surpreendente é que desta vez não contam com apoio da Inglaterra e que seu presidente se mostre cada vez mais tímido e inseguro, quase envergonhado por se sentir empurrado pelo lobby judeu e a indústria da guerra para mais uma aventura militar em que, contrariamente a outras oportunidades, poderá enfrentar um povo e um exército mais organizados e coesos. Continua 

 

23 de novembro de 2012

 

O mundo no trapézio

Quem viveu nas décadas de 60 e 70 do século passado as lutas dos movimentos da contracultura e do socialismo não poderia imaginar que trinta anos depois o século seria subitamente abreviado com o fim dos sonhos que o acalentaram.
 

Assim como o colapso do socialismo real na antiga União Soviética, em 1991, marcou o fim do antigo milênio, um outro desabamento, o das torres gêmeas do World Trade Center na cidade de Nova York, em 2001, estabeleceu o início do século 21. A clara conexão entre esses dois acontecimentos aparentemente tão díspares determinou a atmosfera de insegurança, turbulência, instabilidade política e de confrontação militar que caracterizou os primeiros anos do novo milênio. Continua

 

28 de agosto de 2012

 

Drogas, histeria e barbárie entre os novos cruzados do Ocidente na Síria e na Líbia

O Réseau  Voltaire divulga as imagens  de um massacre perpetrado contra uma família que se recusou a colaborar com os fanáticos muçulmanos armados pelos Estados Unidos, OTAN, Arábia Saudita e Qatar que estão no momento destruindo a Síria. Como já foi observado várias vezes, estes combatentes mercenários originários de outros países da região, são arrebanhados em regiões muito pobres, possuem um nível cultural e de escolaridade extremamente baixo e fazem do ofício de matar um instrumento da sua própria sobrevivência.

Como observa o jornalista Thierry Meyssan, dado o enorme grau de paroxismo e violência que a sua ação comporta, somente podem praticar estes atos depois de ingerir uma grande quantidade de drogas pesadas. Continua

21 de julho de 2012

 

Qualquer semelhança não é mera coincidência

O jornalista Thierry Meyssan, do Réseau Voltaire, anuncia que a batalha de Damasco deve se iniciar nas próximas horas. De acordo com o analista, ela foi precedida pela entrada na Síria de 40 mil a 60 mil mercenários, que começam a ocupar pontos estratégicos na capital. 

Esses grupos muito bem armados oriundos do Iraque, da Líbia e do Líbano são compostos por militantes da Al Qaeda e soldados dos exércitos regulares da Arábia Saudita e do Qatar que contam com a assessoria técnica e equipamento de guerra dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A Turquia também desempenha um importante papel como coordenadora da operação e base de operações.  Continua

18 de julho de 2012

 

A torta de maçã da globalização neoliberal

Nenhum país caracterizou melhor as contradições da nossa época do que os Estados Unidos da América. Apresentando-se como o paladino da liberdade e da democracia, é a nação em toda a face da Terra que possui o maior número de prisioneiros – mais de dois milhões de reclusos vivendo em universos concentracionários sob administração privada onde a tortura não somente é admitida mas até entronizada como uma prática de Estado. Continua

18 de março de 2012

O ator como político: George Clooney, cabo eleitoral de Obama?

Nascido como um meio de comunicação de massas, o cinema sempre esteve ligado ao poder. 

O celebrado slogan There is no business like show-business (Não há melhor negócio do que o entretenimento) é apenas uma das expressões que caracterizam esta relação de mútua sedução. 

Em Hollywood, onde essa usina de sonhos encontrou a melhor forma de expressão, as estrelas – verdadeiros deuses do Olimpo – aspiram à beleza e à fama eternas, cercadas por muitos e sofisticados objetos de consumo. 

Se o cinema anseia pela beleza e o sucesso, necessita ainda mais do poder político. Continua

15 de março de 2012

 

Estados Unidos, OTAN e Israel:

Meu Ódio Será Tua Herança

Quem observa com atenção a história da Europa, dos Estados Unidos da América e dos povos semitas pode constatar que a violência não é estranha ao seu passado. Ainda no século 20, enquanto os europeus do rei belga Leopoldo II barbarizavam o Congo, americanos bombardeavam os filipinos e judeus massacravam palestinos para retirá-los de aldeias onde haviam vivido por séculos. 

Desde o início do novo milênio, não se passa um dia sem que o eixo Estados Unidos/Organização do Tratado do Atlântico Norte/Israel desfira petardos contra diferentes regiões do planeta, matando ou mutilando dezenas de seres humanos. Essa postura política vem chamando a atenção de analistas e líderes mundiais, a ponto do atual primeiro-ministro e futuro presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter se referido recentemente a um “culto da violência”.  Continua

24 de outubro de 2011

 

O “honorável” Barack Obama

A divulgação da correspondência recente entre Muammar Kadhafi e alguns dirigentes mundiais revela detalhes pouco conhecidos. 

Seguem trechos de uma carta enviada a Barack Obama em 20 de março de 2011: 

Ao nosso filho, o honorável Barack Hussein Obama, 

Como eu afirmei anteriormente, mesmo que – Deus permita que isto não aconteça – haja uma guerra entre a Líbia e a América, você continuará a ser meu filho e eu ainda continuarei a amá-lo. Eu não quero mudar a imagem que tenho de você. Todo o povo da Líbia está comigo, pronto a morrer, até mesmo as mulheres e as crianças. Nós estamos lutando contra nada menos do que a Al Qaeda, no que eles chamam de o Maghreb Islâmico. É um grupo armado que está combatendo da Líbia à Mauritânia, e ao longo da Argélia e do Mali... Diga o que você faria se os encontrasse ocupando as cidades americanas pela força das armas? Desde o início do novo milênio, não se passa um dia sem que o eixo Estados Unidos/Organização do Tratado do Atlântico Norte/Israel desfira petardos contra diferentes regiões do planeta, matando ou mutilando dezenas de seres humanos. Essa postura política vem chamando a atenção de analistas e líderes mundiais, a ponto do atual primeiro-ministro e futuro presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter se referido recentemente a um “culto da violência”.  Continua

 

22 de outubro de 2011

De Roma à Líbia

Começam a ficar claros alguns detalhes da operação que assassinou o líder líbio Muammar Khadafi.

A visita da secretária de estado americana Hillary Clinton a Trípoli poucos dias antes não se destinou a emitir uma ordem para sua captura mas, na verdade, a fornecer os dados obtidos pela CIA sobre sua localização e a coordenar a operação que levou à sua execução.

Em entrevista a um canal de televisão, a secretária de Estado dos Estados Unidos, que o jornal Pravda de Moscou chama de "a bruxa malvada do Ocidente", riu folgadamente quando foi informada da morte do dirigente. E parafraseando o ditador romano Júlio César, assegurou.

Viemos, vimos e ele morreu. Continua

20 de outubro de 2011

 Traiganme la cabeza de Muammar Khadafi!

A neo-sionista Hillary Clinton visitou Trípoli recentemente e, na cidade, declarou extasiada:

 - A Líbia é um país dotado de imensas riquezas. Vamos ajudar seus habitantes a se livrar da dependência do petróleo e a explorar todo o potencial do país.

Na prática, todos sabemos o que isto significa: a pilhagem dos recursos naturais do país africano pelos vampiros brancos dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. Continua

4 de setembro de 2011

As entranhas da besta

Imagine o seguinte cenário: um grupo separatista fortemente armado assume o controle militar do Rio Grande do Sul e proclama a independência do estado. 

Naturalmente, o governo federal envia tropas para a região, visando retomar o controle dos bens ocupados e desalojar os rebeldes. 

O presidente da França se declara então preocupado com a situação e diz temer pela vida dos rebeldes. Ao mesmo tempo, o primeiro mandatário dos Estados Unidos e o recém-empossado primeiro-ministro da Inglaterra convocam seus aliados para uma reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA). Continua

22 de agosto de 2011

Relato do jornalista Thierry Meyssan, do Reseau Voltaire, presente em Trípoli, dá conta dos últimos acontecimentos ocorridos na capital líbia.

Carnificina da OTAN em Trípoli

"No sábado, 21 de agosto, às 20:00 horas, ou seja quando a hora do Iftar marcava a quebra do jejum do Ramadã, a Aliança Atlântica lançou a Operação Sereia.

As Sereias são os arautos das mesquitas que foram utilizados para fazer um chamado da Al Qaeda à revolta. Imediatamente, grupos de rebeldes que se mantinham inativos entraram em ação. Trata-se de grupos com grande mobilidade que multiplicaram os ataques. Os combates da noite fizeram 300 mortos e 3000 feridos. Continua

19 de agosto de 2011

Achtung Líbia!

A agência de notícias Reuters está anunciando que a ONU pede a todos os cidadãos estrangeiros que deixem a cidade de Trípoli, na Líbia. A nota – como todas as informações desta agência – é ambígua e contraditória. Ao mesmo tempo em que diz que as forças rebeldes apoiadas pelo Ocidente estão de aproximando da capital, a agência dá conta de que estão sofrendo pesadas baixas impostas pelo exército de Khadafi. Continua

9 de maio de 2011

Um país que precisa de inimigos

O jornalista Alexander Cockburn* levanta uma hipótese impressionante: se um bombardeio líbio – por um acaso – tivesse conseguido burlar a estreita vigilância das baterias antiaéreas britânicas e – na linha da mesma estratégia utilizada pela OTAN, que considera um líder político de um país inimigo como um alvo de guerra – bombardeasse a cerimônia de casamento do príncipe William e da duquesa Kate, inúmeras figuras da realeza, e inclusive a noiva, poderiam ser abatidas e estimadas apenas como "dano colateral", embora o primeiro-ministro e o príncipe – na sua condição de oficial da Organização do Atlântico Norte – pudessem até escapar ilesos.

Como se sabe, a explicação apresentada pela OTAN, ao justificar o bombardeio da casa de Saif Al-Arab Kadhafi – que o matou, assim como a três de seus filhos menores – concluiu que a ação foi plenamente legal embora não tivesse atingido o seu objetivo final, que era o assassinato de Khadafi. Continua

17 de junho de 2011

 

A velha guerra de baixa intensidade

A prometida prosperidade do capitalismo neoliberal não se confirmou. Vinte anos depois do colapso do socialismo soviético, as antigas potências coloniais da Europa, os Estados Unidos e o Japão mergulham em uma abissal crise econômica.

À medida que a crise se acentua, esses países recorrem a métodos cada vez mais violentos e predatórios contra suas próprias populações e as nações pobres e emergentes do Terceiro Mundo. As nefastas terapêuticas de corte de gastos e privatizações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial – cuja eficácia nunca se comprovou na África e na América Latina – começam a ser aplicadas sob crescentes protestos nos países periféricos da União Europeia, enquanto os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) despejam contínuas bombas na população civil da Líbia ao mesmo tempo em que proclamam estar realizando “missões humanitárias”. Continua

29 de abril de 2011

 

As razões da derrubada de Khadafi

Um artigo de Manlio Dinucci no Il Manifesto, da Itália, publicado no último dia 22 de abril , lança algumas luzes sobre os obscuros motivos da intempestiva invasão da Líbia por algumas potências coloniais. À parte as já conhecidas razões de ordem estratégica – reservas de petróleo estimadas em 60 bilhões de barris e gás natural calculado em 1 bilhão e meio de metros cúbicos – os grandes fundos soberanos do pequeno país africano também teriam atraído o apetite dos abutres do novo colonialismo americano-europeu. Continua

17 de março de 2011

 

Saqueando a Líbia

 Quase cem anos depois do início da Primeira Guerra Mundial, cujo desdobramento de eventos mereceu da historiadora norte-americana Barbara Tuchman o epíteto de “a marcha da insensatez”, políticos sem nenhum escrúpulo, chefes militares ambiciosos e oportunistas de todas as espécies parecem levar o planeta a um novo conflito global. Em meio a uma imensa crise econômica, guerras civis disseminadas por vários países do Terceiro Mundo, a destruição dos últimos recursos naturais da Terra e a iminência de uma nova catástrofe nuclear, a falida Organização das Nações Unidas (ONU) decide em sessão relâmpago ampliar ainda mais a área de conflitos do planeta e declarar guerra a uma nação do norte da África. Continua

11 de fevereiro de 2011

Primavera árabe

 – “Meu general, já temos a nossa liberdade. Agora, o que faremos com ela?” (Frase atribuída por um entrevistado da CNN a um manifestante da Praça da Libertação, no Cairo.)

Por 30 anos, o Exército e Hosni Mubarak reprimiram as manifestações populares, encarceram e mataram os opositores do regime e impediram a livre expressão de pensamento no Egito.

Agora, aproveitando-se de um movimento amplamente popular no País, os Estados Unidos mandaram as Forças Armadas derrubar o velho parceiro Mubarak e prometer exatamente aquilo que impediram por tanto tempo: liberdades democráticas, eleições livres e críticas da oposição. Continua

1º de dezembro de 2010 

Wikileaks

A revelação de mais de 250 mil documentos pelo site Wikileaks, a maior parte deles já contendo informações de conhecimento do público, deve ser vista com cuidado e analisada com muita atenção. Emerge naturalmente a velha pergunta de origem latina: A quem beneficia?, já que percebe-se nos documentos uma clara intenção de mostrar o apoio que Israel e os Estados Unidos desfrutam no mundo árabe para um possível ataque ao Irã. Embora o plano – hoje já disposto nos seus menores detalhes e em marcha acelerada – não seja explicitamente mencionado, os papéis filtrados mostram uma estreita relação de Israel com vários países árabes e um amplo consenso entre eles, quando não um verdadeiro apoio logístico para um devastador ataque à República Islâmica. Continua

26 de novembro de 2010

 

Os novos piratas

O anúncio do novo conceito estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deve ser encarado com seriedade e temor por todos os povos – em razão dos perigos que representa para a paz mundial. 

Além de se constituir numa excrescência jurídica e política – já que a aliança militar assume agora objetivos que não fazem parte do seu âmbito de ação – a expansão da organização indica de maneira clara a sua intenção de se sobrepor, subverter e até mesmo negar a existência da Organização das Nações Unidas como a instituição que congrega os países e zela pela segurança e harmonia dos povos da terra. Continua

20 de novembro de 2010

 

Bases militares, McDonald’s e Lady Gaga

Carl von Clausewitz escreveu que a guerra é o último recurso da diplomacia. Nos dias de hoje, poderia dizer que a estratégia militar é o último recurso da guerra econômica. Coincidentemente, os recentes acordos de expansão da ação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que acabam de ser celebrados em Lisboa, revelam uma clara estratégia de dominação projetada pelos países que se encontram exatamente no epicentro da grande crise econômica mundial. Continua

19 de novembro de 2010

 

O capitalismo e suas crises cíclicas

Nuvens sombrias se movimentam sobre o horizonte europeu, ameaçando a economia mundial. O poder destrutivo do sistema financeiro, cujo efeito de contaminação se alastra, parece ser um monstro gerado pelo neoliberalismo que como nas superproduções de Hollywood ressurge sempre no momento em que é eliminado. 

Desta vez é a Irlanda – há pouco mais de 15 anos apresentada como o paraíso onde a maior parte da indústria farmacêutica e de informática se instalou – hoje transformada no novo cenário da crise econômica e financeira mundial. Continua

10 de outubro de 2010

 "Quem perdoa o inimigo, na mão lhe cai!"

Em 2003, logo depois de tomar posse, Luís Inácio Lula da Silva concedeu ao seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o foro privilegiado para questões judiciais. A decisão de Lula frustrou o desejo de uma grande maioria dos seus eleitores, que desejavam um juízo político do ex-presidente e a apuração dos inúmeros crimes de lesa-pátria de seu governo, com a revelação de como se deu a doação da economia nacional ao capital estrangeiro, o uso das chamadas "moedas podres", as negociatas que envolveram as privatizações, a compra de votos para a obtenção de sua reeleição, etc. Continua


22 de junho de 2009

A revolução em videoclipe

No início do filme La chinoise de Jean-Luc Godard, Jean Pierre Léaud – no papel de militante de uma célula maoísta – explica o que é o teatro contando a seguinte história:


– Em Moscou, depois de fazerem uma manifestação diante do túmulo de Stalin, jovens militantes chineses são agredidos pela polícia soviética. No dia seguinte, na sede da embaixada chinesa e diante de toda imprensa ocidental (especialmente repórteres de Life, France Soir, etc.), aparece uma pessoa com o rosto completamente enfaixado e que fala com emoção:


Vejam, vejam o que me aconteceu, vejam o que esses revisionistas me fizeram! Continua

8 de fevereiro de 2009

 

O novo Muro de Berlim

No prefácio do livro Os últimos combates de Robert Kurz, publicado no Brasil pela Editora Vozes em 1997, o ensaísta Alselm Jappe escrevia textualmente: 

O capitalismo está chegando ao fim. A prova: a queda da União Soviética. (...) O colapso dos regimes do Leste não significa o triunfo definitivo da economia de mercado, mas um passo ulterior em direção ao ocaso da sociedade mundial da mercadoria.

Mais de dez anos depois, a crise financeira americana, que se espalhou rapidamente pela Europa e Ásia, expõe a primeira grande derrota do modelo neoliberal. Por outro lado, os gigantescos muros que separam Israel da Palestina e os Estados Unidos da América do território do México, e a carnificina deixada em Gaza após sua invasão por forças do exército de ocupação sinalizam a nova estratégia que começam a assumir as guerras coloniais. Essa estratégia se acentua à medida que a crise se agrava e as potências dominantes têm necessidade de se apossar de uma maior quantidade de território e de recursos estratégicos dos países periféricos. Continua

7 de janeiro de 2009

 

 O genocídio como política de Estado


A enorme exibição de força destrutiva aplicada por Israel no bombardeio e invasão do território palestino, depois de um prolongado cerco de quinze meses que impediu a entrada de comida e o abastecimento de água e luz, pode na verdade ser também uma demonstração de fraqueza.

A escolha da data da ação militar – três dias após o marco histórico milenar em que os cristãos rememoram o nascimento do Filho de seu Deus – mais tarde entregue pelos judeus à autoridade romana para ser executado – não esconde a tentativa de criar um fato político que leve à vitória do Kadima, partido no poder criado pelo general Ariel Sharon, nas próximas eleições. Situado em segundo lugar nas pesquisas, atrás do Likud, agremiação de extrema direita de Benjamin Netanyahu, e assolado por acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Ehud Olmert, o Kadima necessita exorcizar os fantasmas dos colonos judeus trazidos principalmente da Europa Oriental sob o argumento da Terra Prometida – ainda que isso se faça com o emprego de uma monumental força militar – e estabelecer a paz em uma região conturbada por longos anos de conflito, mesmo que esta possa ser a paz dos cemitérios. Continua
 

27 de outubro de 2008 

 

A vida sequestrada


A imagem ainda está muito viva na memória, apesar do longo tempo decorrido: numa noite fria do Natal de 1991, uma limusine russa corta as ruas de Moscou levando Mikhail Gorbatchev, o presidente que havia renunciado, de volta para casa. Depois de quase 70 anos, estava dissolvida a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Surgia a Comunidade de Estados Independentes, uma ficção política e jurídica e o “império do mal”, como foi chamado por Ronald Reagan, se tornava da noite para o dia um país capitalista. Continua

8 de outubro de 2001

 

Fragmentos de um manuscrito: diário de uma guerra fabricada

O primeiro dia depois dos ataques americanos ao Afeganistão, um dos países mais pobres da terra. Será esse o começo de uma nova era? Rumores de uma possível guerra bacteriológica nos Estados Unidos da América (EUA), não muito diferente das que os americanos fabricaram em Cuba, no Vietnã e em outros países do planeta. O feitiço estará se voltando contra o feiticeiro? Fala-se de um novo tipo de conflito: a guerra assimétrica, enquanto o cenário de medo parece ser a atmosfera que nos reserva o futuro. Continua