22 de outubro de 2011

De Roma à Líbia

Começam a ficar claros alguns detalhes da operação que assassinou o líder líbio Muammar Khadafi.

A visita da secretária de estado americana Hillary Clinton a Trípoli poucos dias antes não se destinou a emitir uma ordem para sua captura mas, na verdade, a fornecer os dados obtidos pela CIA sobre sua localização e a coordenar a operação que levou à sua execução.

Em entrevista a um canal de televisão, a secretária de Estado dos Estados Unidos, que o jornal Pravda de Moscou chama de "a bruxa malvada do Ocidente", riu folgadamente quando foi informada da morte do dirigente. E parafraseando o ditador romano Júlio César, assegurou.

- Viemos, vimos e ele morreu. 

Em seguida, quando perguntada se a morte de Khadafi tinha a alguma coisa a ver com a sua recente visita a Trípoli, a chefe da diplomacia americana respondeu com um cínico "não", para logo depois acrescentar de forma ainda mais sarcástica:

- Eu estou certa de que teve.

(Veja as imagens de tamanha prepotência e arrogância no link http://www.informationclearinghouse.info/article29472.htm)

Olhando em retrospecto para os acontecimentos dos últimos 20 anos, mais precisamente a nova ordem mundial instaurada no planeta com o fim do socialismo real soviético, percebemos como estamos penetrando de forma cada vez mais profunda num cenário de barbárie dominado por cowboys com armas atômicas cada vez mais letais. Em pouco tempo, a torta de maçã proposta pelo neoliberalismo anglo-saxão se transformou numa guloseima envenenada e mal-cheirosa que colocou o mundo num estado de contínua beligerância, de erupção dos mais diversos racismos, de crescentes desigualdades sociais, de destruição ecológica, de fome e miséria e, por fim, ameaça levar o planeta à derrocada de todo o sistema econômico e financeiro.

A política hegemônica norte-americana.orientada sempre para o curto prazo e a defesa imediata de seus interesses corporativos tem se caracterizado pelo seu caráter bélico intervencionista e - acreditando talvez que possa tirar partido de sua atual superioridade militar - ameaça levar os países da Terra a um conflito global.

A estratégia de derrubada de dirigentes árabes de tendência laica e secular e a sua substituição por fundamentalistas islâmicos tenderá no médio e longo prazo a se chocar contra os objetivos ianques e os de seu aliado, Israel. As hordas fundamentalistas fanatizadas, transformadas em cães de guerra a serviço do Império americano, certamente serão levadas a reclamar algumas benesses pelos serviços prestados e é muito provável que se voltem contra seus atuais patrocinadores caso não sejam satisfeitas, em um fato que sempre tem caracterizado as relações dos Estados Unidos com seus eventuais aliados.

Embora dispersos, esses grupos sectários costumam se unir em seu ódio a Israel, que sempre se coloca como o inimigo natural do Islã e pratica massacres diários na Palestina..

Por outro lado, em sua sede constante de poder os neocons americanos podem se deixar levar por vitórias aparentes e a se arriscar em aventuras militares cada vez mais perigosas. Qual será o próximo passo: a Síria, o Paquistão ou o Irã?

                                                                                                       Sérvulo Siqueira