22 de agosto de 2011

Relato do jornalista Thierry Meyssan, do Reseau Voltaire, presente em Trípoli, dá conta dos últimos acontecimentos ocorridos na capital líbia.

Carnificina da OTAN em Trípoli

"No sábado, 21 de agosto, às 20:00 horas, ou seja quando a hora do Iftar marcava a quebra do jejum do Ramadã, a Aliança Atlântica lançou a Operação Sereia.

As Sereias são os arautos das mesquitas que foram utilizados para fazer um chamado da Al Qaeda à revolta. Imediatamente, grupos de rebeldes que se mantinham inativos entraram em ação. Trata-se de grupos com grande mobilidade que multiplicaram os ataques. Os combates da noite fizeram 300 mortos e 3000 feridos.

A situação se estabilizou durante o dia de domingo.

Um navio da OTAN se aproximou das costas de Trípoli desembarcando armas pesadas e jihadistas da Al Qaeda , sob o comando de oficiais da Aliança.

Os combates foram retomados à noite e chegaram a uma violência sem precedentes. Os aviões não tripulados e a força aérea da OTAN bombardeavam todos os radares. Os helicópteros metralhavam as pessoas nas ruas para abrir caminho aos jihadistas.

À noite, uma comitiva de carros oficiais que transportava altos funcionários foi atacada. O comboio se refugiou no Hotel Rixos, onde se reúne a imprensa estrangeira. A OTAN não ousou bombardear o prédio para não matar os seus jornalistas. O hotel onde me encontro tem estado sob fogo cerrado.

Às 23:30, o Ministério da Saúde informava que os hospitais estava congestionados. No começo da noite, já se contavam mais de 1300 mortos e 5000 feridos.

A OTAN recebeu uma missão do Conselho de Segurança da ONU para proteger os civis. Na verdade, o que a França e a Inglaterra acabam de retomar são os velhos massacres coloniais.

À 1:00 da manhã, Khamis Kadhafi chegou para, pessoalmente, trazer as armas que servirão para defender o hotel. Ele já deixou o hotel. Os combates são muito duros nas redondezas".

                                                                                                 Thierry Meyssan

Estará chegando ao fim mais esta gloriosa "missão humanitária" do Ocidente? Ainda não se sabe ao certo. Vivendo a perspectiva de uma assustadora crise econômica, os países invasores esperam que o valor da pilhagem a ser executada - o petróleo e os fundos soberanos da Líbia - possa compensar os gastos da operação e livrar o capitalismo exangue de um futuro sombrio. Aguarda-se também que - depois de um período de grande turbulência - as Bolsas da Europa e dos Estados Unidos - abram finalmente em alta nesta segunda-feira.

No entanto, com o retorno do velho colonialismo, mais sombrio ainda parece ser o futuro de toda a humanidade. (SAS)