20 de outubro de 2011

Traiganme la cabeza de Muammar Khadafi !

A neo-sionista Hillary Clinton visitou Trípoli recentemente e, na cidade, declarou extasiada:

 - A Líbia é um país dotado de imensas riquezas. Vamos ajudar seus habitantes a se livrar da dependência do petróleo e a explorar todo o potencial do país.

Na prática, todos sabemos o que isto significa: a pilhagem dos recursos naturais do país africano pelos vampiros brancos dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio.

Em privado, a secretária de Estado americana ordenou aos seus lacaios do Conselho de Transição, aos cães de guerra da OTAN, aos fanáticos da Al Qaeda, assim como aos seus arautos de propaganda da Al Jazeera, CNN e Reuters:

- O Conselho de Transição que instituímos não tem nenhuma autoridade sobre o país, somente caminha por meio dos bombardeios da OTAN e sequer pôde tomar posse. Esta guerra já está nos custando muito. Precisamos de um grande fato para encerrá-la o mais rápido possível.

E, então, proferiu aquela famosa frase, repetida desde os tempos imemoriais por pequenos e grandes chefes tribais e ecoada pelos faroestes americanos:

- Tragam-nos Muammar Khadafi vivo ou morto!

Prontamente, seus lacaios se puseram em campo e aí está. As velhas e surradas imagens distorcidas e fora de foco, entrecortadas e opacas mostrando a morte do dirigente, apresentadas com o propósito de aplacar a resistência do povo líbio que - após 7 meses de bombardeio, mais de 100.000 bombas lançadas e a destruição de todo o país - ainda resiste à sanha brutal dos colonizadores americanos e europeus.

Será verdade? Ou estaríamos diante de mais uma farsa montada pela sociedade ocidental do espetáculo? Teremos agora um corpo ou ele também será enterrado às pressas em local desconhecido? Será que os neocolonizadores brancos do norte da África aprenderam com as lições do passado e estariam preocupados agora em restaurar a credibilidade perdida?

Não parecem, no entanto, dotados de grande imaginação já que o buraco onde o Khadafi teria sido encontrado não difere muito do mesmo esconderijo onde outro inimigo dos Estados Unidos, Saddam Hussein, foi capturado anos atrás. Outros pontos obscuros contidos no relato da história agregam ainda mais mistério à estória

Flagelados por uma brutal crise econômica e confrontados internamente por seus próprios habitantes, os principais artífices da operação correm o risco - se não puderem comprovar esses fatos - de ficarem ainda mais desmoralizados do que estão.

Na verdade, o que está em jogo no momento não é propriamente a vida de Muammar Khadafi mas os imensos recursos da Líbia, com os quais o modelo neoliberal pensa alimentar a sua cambaleante economia. Estimado de forma apressada, o valor do botim líbio estaria na ordem de 100 bilhões de dólares, o que poderia injetar um pequeno oxigênio extra na Comunidade Européia em ruínas e nos Estados Unidos, em situação quase recessiva.

Isto constituiria um pequeno alento, talvez, o que tornaria necessário ir atrás de outras paragens no futuro, quem sabe o Irã - cujo pretexto para a invasão já se estimula na imprensa americana - a Síria, etc.

Resta saber como reagirão os atuais líderes políticos mundiais se a morte de Khadafi não puder ser comprovada de forma cabal. Afinal, desde que uma fabricada rebelião contra Khadafi foi montada e financiada em Paris, um suposto massacre perpetrado pelo ex-dirigente contra seu povo jamais foi comprovado, os estupros cometidos contra mulheres líbias não foram verificados pelas organizações de direitos humanos e o propalado exército de mercenários negros africanos nunca pôde ser encontrado. Para os líbios, o que ficou evidente foram os milhares de mísseis que caíram sobre escolas, hospitais, estradas, reservatórios de água e instalações elétricas, causando a destruição de suas casas e milhares de mortes ao longo de 7 meses de cerco impiedoso movido pela maior força militar já criada na história do homem.

Qualquer que seja o desdobramento deste evento, o que está em jogo neste momento não apenas no norte da África mas em todo o planeta é o retorno do neocolonianismo, a persistência de guerras desencadeadas pelos Estados Unidos e seus aliados para se apoderarem das riquezas de países pequenos, e a capacidade de resistência e defesa dos povos da terra diante de uma contínua ameaça à paz mundial.

Esta trágica novela, que já custou a vida de 60.000 líbios, mais de hum milhão de iraquianos - além de outros tantos milhões de asiáticos, africanos e latinos, que têm sido saqueados ao longo dos séculos - só cessará quando o colonialismo for extirpado da face da terra.

Tenho a impressão de que os criminosos de guerra Barack Hussein Obama, Nicolas Sarkozy, David Cameron, Hillary Clinton e outros de menor calibre - por não conseguirem realizar plenamente os seus intentos - já estão entrando em desespero e começam a mostrar a sua horrenda natureza

                                                                                                                                                         Sérvulo Siqueira