Impressões do  Século  XXI

 

 

 

 

de fevereiro de 2017

  

(Pré) Salve-se Quem Puder

III. Continuando o legado de Fernando Henrique

 

Intoxicada pelos meios de comunicação e sem esperança, a sociedade brasileira assiste paralisada ao desmantelamento dos últimos estratos do Estado Social que persistiu no país durante os quase 14 anos da era Lula.

Consumada a revolução colorida deflagrada pelas ações de um juiz de Curitiba, a partir de informações fornecidas em espionagem perpetrada por órgãos de inteligência dos Estados Unidos, viu-se que a maré moralizadora que tomou conta da nação levou à formação de um governo altamente corrupto que vai pouco a pouco entregando ao capital estrangeiro os mais valiosos ativos econômicos do país. Continua

 

 

 

19 de janeiro de 2017

 

Barack Obama, este já vai tarde...

 

Amanhã é um dia em que a humanidade deve se encher de júbilo porque o comandante em chefe da maior potência bélica do mundo, criador das operações de aviões não tripulados (drones) que todas as terças-feiras assassinam cidadãos em todo o planeta, mesmo quando eles se encontram em casamentos e funerais, acompanhados por pessoas presumidamente inocentes.

Eleito sob a aura de mudança (change), Barack Hussein Obama prosseguiu de forma insistente a política belicista de seu antecessor George W. Bushinho e, na verdade, ainda a ampliou ao atacar novos governos seculares do Oriente Médio e do Norte da África, o que levou destruição e morte a estas regiões, causando um fluxo de refugiados que inundou os países da Europa. Continua

 

 

26 de novembro de 2016

 

A Esquerda que a Direita gosta

 

Muitos brasileiros já terão notado e alguns até poderão sentir orgulho ‒ se é que orgulho é algo que se pode experimentar nos dias de hoje neste país ‒ porque começa a ocorrer nos Estados Unidos um fenômeno que vivemos desde 2014.

Assim como aconteceu logo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, os derrotados na recente pleito norte-americano recusam-se a aceitar o resultado final e deflagram um processo cujo objetivo último é impedir a posse do presidente eleito, Donald Trump, ou derrubá-lo posteriormente. Para isso se servem de um amplo leque de recursos que vai desde manifestações públicas organizadas com a participação de pessoas previamente contratadas, campanhas de sabotagem nos meios de comunicação  ‒ que lá como cá não passam de prostitutas sem a menor respeitabilidade ‒ apelos histéricos que levam a atos de violência, como provam o incontável número de partidários do candidato vitorioso que tem sido alvo de agressões físicas, além de outras formas de chantagens e pressões. Continua

 

 

 

9 de novembro de 2016

 

A derrota da bruxa malvada

 

O título acima poderia servir como corolário de uma fábula moral em que ‒ ao final ‒ uma criatura malévola termina sendo castigada por suas atrocidades.

Há, no entanto, muitos outros elementos na história. O mais importante deles é que os cidadãos norte-americanos que ontem elegeram maciçamente Donald Trump como o próximo presidente do país não se deixaram levar por uma das mais grosseiras campanhas de manipulação da opinião pública da era moderna.

Muitos analistas que observaram de perto a disputa notaram como ‒ ao invés de discutir temas candentes como a iminência de uma Terceira Guerra Mundial, a decadência da economia dos Estados Unidos e a queda da qualidade de vida dos seus trabalhadores, a violência da polícia dirigida especialmente a seus cidadãos de cor, o crescimento do terrorismo islâmico notoriamente fabricado pelo governo ianque e seus aliados na Europa e Oriente Médio, principalmente França, Inglaterra, Arábia Saudita e Qatar ‒ seus meios de comunicação se cingiam aos arroubos sexuais do candidato republicano e a uma nunca provada intromissão cibernética Rússia no processo eleitoral norte-americano. Continua

 

 

1° de setembro de 2016

 

Agosto no Brasil: da tragédia de 1954 à farsa de 2016

 

O Brasil, que já assistiu à posse de Dutra, Café Filho, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, José Sarney, Collor, Fernando Henrique, viu ontem a entronização no poder de mais uma triste figura do nosso cenário político: o ex-suplente de deputado, ex- secretário de Segurança de São Paulo, ex-vice-presidente da República e atual Ficha Suja – portanto, inabilitado para o exercício de qualquer cargo público - Michel Temer como novo presidente da República.

Nenhuma dessas figuras demonstrou estar à altura dos desafios exigidos por um país das dimensões e tão cheio de contradições como o nosso e todos fracassaram em seu propósito. Continua

 

17 de agosto de 2016

 

A miragem olímpica

A 31ª Olimpíada da Era Moderna, que se desenrola no momento no Rio de Janeiro, demonstra mais uma vez que a competição se encontra muito longe dos ideais do Barão de Coubertin, que as criou em 1896.

Apoiada em patrocínios milionários e envolvida pelos mais diversificados interesses políticos, a competição se transformou hoje num instrumento de propaganda e dominação das antigas e atuais potências econômicas sobre os países do Terceiro Mundo, com os atletas mais qualificados dos países pobres – que enfrentam dificuldades para competir com aqueles de países mais ricos − sendo cooptados para concorrer sob a bandeira da Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Estados Unidos, entre outros. Continua

 

 

10 de maio de 2016

 

O que temos de pior chega ao poder

 

Os historiadores do futuro terão farto material com que se ocupar quando olharem para o Brasil nos dias de hoje.

Na maior nação do hemisfério sul, a grande maioria de sua população de mais de 200 milhões de pessoas − entorpecida por um conglomerado de empresas de comunicação – assiste de forma quase impassível um governo legítimo, que ousou se valer de políticas de Estado para aliviar a miséria e a pobreza de amplos setores da população, ser derrubado por um parlamento composto em sua maior parte de políticos sob investigação judicial por ordem de uma oligarquia escravocrata e de interesses espúrios estrangeiros.

Isto ocorre em um país onde o exercício de uma sociedade democrática burguesa – com o pleno funcionamento dos poderes, os direitos dos cidadãos à saúde, educação, moradia e transporte, as garantias às minorias, a livre expressão das opiniões – jamais ocorreu de fato. Continua

 

 

5 de maio de 2016

A restauração fascista neoliberal

 

                                                                                 Hay golpes em la vida tan fuertes...

                                                                                                                        Yo no sé! Golpes como el odio de Dios;

                                                                                                                              César Vallejo, Los Heraldos Negros

 

O golpe parlamentar- midiático-empresarial, que terá o seu desfecho dentro de mais alguns dias, é o resultado de um processo conspiratório que começou há algum tempo e que tem por objetivo a restauração do modelo neoliberal que foi implementado no Brasil por Fenando Henrique Cardoso. À medida que se aproxima a derrubada de Dilma Rousseff, a hidra golpista começa pouco a pouco a exibir os tentáculos, revelando seus mais recônditos objetivos. A partir de meados de maio, consumada a degola da presidente, mergulharemos numa atmosfera cada vez mais repressiva onde um estado policial irá progressivamente garantir a restauração da velha ordem neoliberal, que foi amenizada nos últimos 13 anos pelos programas assistencialistas dos governos de Lula e Dilma.

Este processo representará a continuação de um projeto que teve o seu início pouco depois da posse de Lula, quando as elites colonizadas do nosso Bananão, sentindo a possibilidade de que seus privilégios, mantidos há um longo tempo, pudessem ser contestados pelas classes mais baixas da população começaram a tramar a sua derrubada. Para isso, contaram com a importante colaboração de Roberto Jefferson, Joaquim Barbosa, Sergio Moro e Eduardo Cunha, que em muitos casos desempenharam um papel de aparente sacrifício pessoal abrindo caminho – por meio de denúncias que se revelaram frequentemente mentirosas − para a restauração da velha ordem.  Continua

 

 

12 de abril de 2016

1954/1964/2016: uma trama que se repete

 

                                                                                                                   Ó Justiça! Foste morar com os animais selvagens,

                                                                                                                                     pois os homens perderam o raciocínio!

                                                                                                                                              William Shakespeare. Júlio César

 

Em um cenário de intensa manipulação, em que o real se confunde com o imaginário, quem vive no Brasil nos dias de hoje pode se considerar um protagonista de uma trama cujo enredo não foi concebido por aqui.

Quem urdiu essa história conhece certamente nossas características, qualidades e defeitos, mas é difícil acreditar que sejamos tão autodestrutivos que queiramos voluntariamente abandonar uma incipiente democracia representativa relativamente estável por um governo autoritário de tendência fascista que reprime a população, reduz seus direitos sociais e entrega as riquezas do país aos estrangeiros.

No entanto, esta é uma perspectiva que parece cada vez mais próxima e que poderá se concretizar no Brasil dentro de uma semana. Continua

 

 

11 de outubro de 2015

Bush and Obama Age of Terror

                                                                                                                       

Bush and Obama Age of Terror, episódio da série Untold History of the US de Oliver Stone, apresentado pelo canal Showtime e reproduzido pelo site www.informationclearinghouse.info, aparece de imediato como um golpe político de mestre de seu produtor e diretor.

Enquanto, de um lado, procura conquistar o apoio da esquerda americana e dos pacifistas que rejeitam o estado de terror interno e as prolongadas detenções sem uma justa causa, assim como as contínuas invasões de outras nações, acena com simpatia aos empresários dos Estados Unidos cada vez mais afetados pela aplicação indiscriminada a um número crescente de países e assume muitas de suas críticas ao governo de Barack Obama.

Por outro lado, desenterra alguns velhos chavões da propaganda de guerra ianque, ao sugerir a possibilidade de um novo “perigo amarelo” chinês e se referir a um “populismo radical” quando trata dos governos de esquerda da América Latina. Continua

 

10 de outubro de 2015

A imprensa brasileira e a desinformação

                                                                                                                       

Como já era de se esperar a imprensa brasileira ─ corrupta e submissa aos seus patrões do Norte ─ não vem noticiando que os acordos da nova parceria norte-americana que estão sendo celebrados com mais de 50 países da América Latina, Europa e Ásia não incluem os membros do BRICS e, portanto, excluem o Brasil.

Como os acordos que vão levar à TPP (Acordo Estratégico Transpacífico de Associação Econômica), à TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento) e à TISA (Acordo Sobre o Comércio de Serviços) foram mantidos em segredo e os termos da sua negociação permanecem até agora sigilosos, foram mobilizados vastos recursos financeiros que irão possibilitar o pagamento de propinas e subornos àqueles que tiverem acesso ao conteúdo secreto dos seus termos, assim como aos governantes que os assinarem.

O objetivo destes acordos é fazer com que economia norte-americana ─ que já foi responsável pela produção de mais da metade dos bens e serviços consumidos no planeta e agora se vê ameaçada pela ascensão da China ─ volte a desfrutar da posição que ocupou durante a segunda metade do século 20. Continua

 

 

29 de setembro de 2015

Vocês se dão conta do que fizeram?

                                                                                                                       

Vocês se dão conta do que fizeram? ─ perguntou hoje Vladimir Putin na inauguração da 70ª Assembleia das Nações Unidas.

O presidente russo lembrava que ─ com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética ─ o mundo encontrou uma oportunidade para finalmente viver uma era de paz.

A resposta de Barack Hussein Obama tanto pode ser interpretada como o fruto de uma postura arrogante e hipócrita, típica de uma sociedade que vem desde há algum tempo mergulhada numa cultura isolacionista e que se rendeu ao mito de sua própria “excepcionalidade”, como a expressão de uma doença esquizofrênica que tende a ser indicativa de uma progressiva decadência.

Barack O’Bomber respondeu então com o velho brocardo ianque do Destino Manifesto de que os Estados Unidos, como uma sociedade avançada que se conduz pelos princípios da lei e do direito, tem o dever de atuar para que estes sejam respeitados. Continua

 

 

28 de setembro de 2015

As imagens na nossa história

                                                                                                                       

As imagens desempenham um papel fundamental na nossa história. Faraós egípcios buscavam preservar na vida e na morte a sua própria imagem. Reis e rainhas se faziam retratar por pintores e escultores e isto tornou possível que artistas de grande talento pudessem sobreviver por meio deste ofício. Durante o Barroco, a Igreja Católica ─ confrontada pela Reforma Protestante ─ preencheu os templos com as mais suntuosas imagens.

Nos dias atuais da “sociedade do espetáculo”, os políticos também se transformaram em estrelas no grande circo do show-business. A 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas ofereceu algumas imagens, registradas pelos fotógrafos da imprensa mundial, que são bem indicativas do momento que vivemos.

Duas delas, capturadas nos encontros do dirigente norte-americano Barack Obama com os presidentes da Rússia e China, Vladimir Putin e Xi Jinping, parecem dar uma ideia do modo como dois importantes líderes mundiais veem a conduta ianque de não assinar acordos ─ e de quando assinados, não cumpri-los ─ sua postura beligerante de bombardear países que não se submetem aos ditames da “política da canhoneira”, a prática desenfreada de derrubar governos democraticamente eleitos ─ como ocorreu recentemente na Ucrânia ─ e a notória arrogância fundada no mito de seu próprio excepcionalismo como povo e nação. Continua

 

 

20 de junho de 2015

 

A Internacional Golpista está em marcha na América Latina

 

Depois de tentar sem sucesso derrubar o governo de Dilma Rousseff, alguns senadores reacionários do Congresso Nacional ‒ entre eles, dois candidatos derrotados para os cargos de presidente e vice-presidente na última eleição ‒ voltam a sua atenção para a Venezuela.

Ao invés de se preocuparem com a situação carcerária da grande maioria dos quase um milhão de prisioneiros do Brasil ‒ amontoados às centenas em celas infectas ‒ ou com a famigerada prisão de Guantanamo, território cubano ocupado pelos Estados Unidos em que os prisioneiros são mantidos incomunicáveis e submetidos a torturas pelos órgãos de segurança de Tio Sam, os parlamentares brasileiros se apressaram em verificar as condição em que se encontram alguns delinquentes políticos venezuelanos, especialmente Leopoldo López e Antonio Ledezma, já acusados e condenados por vários crimes.

Num claro ato de provocação e provavelmente a serviço de seus patrões ianques, que recentemente consideraram de forma absurda que a Venezuela representa uma ameaça à segurança dos States ‒ posição que acaba de ser condenada de forma unânime na última Cúpula das Américas ‒ figuras como Aluísio Nunes Ferreira Filho, Aécio Neves, Ronaldo Caiado, José Agripino Maia e Cássio Cunha Lima se transformaram subitamente em paladinos da democracia e viajaram para o país vizinho com o intuito de criar um grande caso diplomático. Continua

 

 

31 de maio de 2015

Estados Unidos montam a sua Lava Jato num hotel da Suíça

 

A bombástica e sensacionalista operação da polícia americana num hotel de Zurique não tem nenhuma relação com seus apregoados propósitos: é apenas mais uma cortina de fumaça destinada desrespeitar o direito internacional e mostrar quem é que manda no mundo, ao mesmo tempo em que tenta impedir que seu aliado Israel seja expulso da Fédération Internationale de Football Association (FIFA) por atitudes antiesportivas.

Por uma incrível coincidência, no mesmo momento em que vários agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) americano chegaram ao hotel para realizar as prisões de vários dirigentes da Federação – às 6 horas da manhã – no local já se encontrava uma equipe do jornal The New York Times para registrar a ocorrência.

Os velhos e novos idiotas de plantão, a imprensa amestrada e a crônica esportiva brasileira – majoritariamente alienada ou claramente de direita – aplaudiram mais este rompante dos justiceiros americanos, que estariam desta vez colocando ordem numa influente organização do planeta.

A verdade, porém, é bem outra. Com base em procedimentos que levaram à punição temporária da África do Sul em 1960 e sua posterior expulsão em 1976, o 65º Congresso Mundial da FIFA deveria considerar uma suspensão ou a ejeção de Israel do quadro de membros da entidade por denúncias de que “restringe a movimentação de jogadores entre a Margem Ocidental e Gaza” assim como se serve de medidas de segurança “para manter uma política racista e de apartheid”, conforme relatório apresentado no Congresso.  Continua

 

 

23 de maio de 2015

 

Hitler e Mussolini estão vivos e passam bem

 

Setenta anos depois da II Guerra Mundial e quase um quarto de século após o fim da Guerra Fria, assistimos a uma verdadeira reversão de expectativas.

Vitorioso em ambos os conflitos, os Estados Unidos vivem hoje uma profunda crise econômica, política e moral.

Embora ainda seja prematuro fazer projeções, a crise da hiperpotência americana reforça uma tendência já apontada por historiadores como Eric Hobsbawn e Marc Ferro de um deslocamento de poder do Atlântico para o Pacífico, onde os tigres asiáticos vêm há algum tempo impulsionando a economia mundial, e projeta agora a emergência da China como nova superpotência.

De outra parte, a prometida Nova Ordem Mundial de paz e prosperidade liderada pelos ianques não se consumou, transformando-se em pouco tempo num cenário de turbulência em grande parte determinado pela ambígua política americana que gera instabilidade ao apoiar movimentos como a Al-Qaeda e outros grupos radicais ao mesmo tempo em que desencadeia uma guerra contra o terrorismo.

Com o triunfo do neoliberalismo e o colapso do modelo estatizante implantado na União Soviética e mesmo em muitos países capitalistas como o Brasil, tivemos nos 1980 e 1990 a era das privatizações que mergulhou grande parte dos países em desenvolvimento em um período sombrio de desnacionalizações, enfraquecimento da economia local, aumento da miséria e crescimento da distância entre ricos e pobres. Continua

 

 

26 de abril de 2015

 

O espectro fascista e a nossa velha desordem

 

Setenta anos depois de derrotada nos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial as ideologias totalitárias do nazismo e do fascismo ressurgem, de forma explícita ou sob vários disfarces, em várias partes do mundo.

Enquanto na Ucrânia ‒ depois de um golpe sangrento que derrubou um presidente eleito ‒ o nazismo assume claramente o poder, em outros países e inclusive aqui no nosso querido Bananão a semente fascista volta a germinar depois que uma sórdida campanha eleitoral carregada de mentiras,  que contou com o completo apoio dos meios de comunicação, não conseguiu reverter o apoio popular à presidente reeleita.

As marchas dos últimos 15 de março e 12 de abril, fabricadas após uma intensa campanha orquestrada pela Rede Globo, exibiram em muitos casos uma imagem grotesca do segmento da população brasileira que se vestiu de verde e amarelo, atacou pessoas que usavam roupas de cor vermelha, carregou cartazes em inglês e português pedindo um novo golpe militar, estigmatizou brasileiros de grande renome internacional como Paulo Freire, produziu simulações de enforcamento de um ex-presidente e da atual mandatária, destruiu bens públicos e pregou abertamente o desrespeito às normas constitucionais do país. Continua

 

21 de março de 2015

 

O Brasil que esteve presente em 15 de março de 2015

 

                                                                                                 O Brasil é o que a Rede Globo quer que o Brasil seja.

                                                                                                                                                          Hector Babenco

 

A PESADA HERANÇA HISTÓRICA ˗ A colonização do Brasil por Portugal, Inglaterra e Estados Unidos. Os mais de 400 anos de escravidão. As capitanias hereditárias. As sesmarias. A contínua pilhagem do país: os ciclos da cana-de-açúcar, do ouro, do gado, do café. A falsa proclamação da independência. A escravatura que não tem fim. O massacre das rebeliões dos séculos 18 e 19. O genocídio da população do Paraguai. O golpe da Proclamação da República. A política do “café com leite”. A fracassada revolta do Forte de Copacabana e a caça à Coluna Prestes. A intolerância política e o anticomunismo. A chegada silenciosa dos ianques. A conspiração contra Vargas e sua política nacionalista. A fundação da União Democrática Nacional (UDN) pelo embaixador americano. O suicídio de Vargas e a primeira tentativa de golpe contra um governo eleito. A eleição de Jânio, sua renúncia e a segunda tentativa de golpe contra um governo eleito. Carlos Lacerda, as mal amadas e a Marcha da Família com Deus Pela Liberdade. A campanha do Ouro pelo Bem do Brasil. O grande complô contra Jango e o golpe bem-sucedido de 1964. As perseguições políticas, as prisões, a tortura e o assassinato de adversários ideológicos. Os Inquéritos Policiais-Militares (IPMs), o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), o Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPES) e a Embaixada Americana: Vernon Walters e Lincoln Gordon. Os Atos Institucionais e a cassação de mandatos de governadores, deputados, juízes da Suprema Corte, etc... O fechamento do Congresso. Os assassinatos de Juscelino, Lacerda e Jango. A fabricação da dívida externa pelo governo militar de 1964-1985. A Censura e o fechamento dos jornais independentes. O apoio da grande imprensa à ditadura. As gigantescas manifestações populares e a queda do governo militar. A abrupta morte de Tancredo e a ascensão de Sarney. A Nova República e a grande frustração pela não concretização de um Brasil mais justo. Continua

 

 

 

15 de março de 2015

 

Traiganme la cabeza de Vladimir Putin, Nicolás Maduro, Luís Inácio da Silva,

Evo Morales, Rafael Correa y Cristina Kirchner!

 

Seria grotesco se não fosse assustador. Depois de terem linchado Muammar Kadhafi, os neocons de Washington ‒ chamados por uns de Senhores do Universo e por outros de cowboys com armas atômicas ‒ voltam-se agora para novos alvos.

Depois de estarem mergulhados em muitas guerras malsucedidas no Oriente Médio e em outra que parece seguir o mesmo caminho no leste da Europa lembraram-se afinal da América Latina, que sempre consideraram como seu quintal.

Propuseram então reatamento de relações com Cuba, a quem vêm impondo um maciço bloqueio econômico que já dura mais de 50 anos. Em seguida, emitem sinais de que vão invadir a Venezuela porque este país impediu a concretização de um golpe de estado que haviam planejado.

Ao mesmo tempo, preparam com seus aliados a derrubada de governos constitucionais no Brasil e na Argentina porque esses países estão se aproximando de seu arqui-inimigo Vladimir Putin. Ao contrário de sua homóloga do Brasil, a presidente da Argentina Cristina Fernández reagiu com veemência e buscou com sucesso o apoio popular.  Continua

 

 

11 de março de 2015

 

O “monstro” voltou

 

Considerando o amplo histórico de agressões do declarante, as afirmações do governo americano de que a Venezuela é uma ameaça à segurança do país anglo-saxão devem ser interpretadas corretamente.

Levando ainda em conta o momento em que acontecem ‒ depois de uma tentativa de golpe organizada pelos ianques que foi frustrada por Maduro ‒ e após a humilhação imposta ao governo fantoche de Barack O’Bomber pelo genocida Netanyahu, lembram grotescos episódios da vida quotidiana em que o valentão que se acredita imbatível acaba sendo derrotado por um outro mais bem preparado ‒ e ‒ para descarregar a sua ira ‒ termina batendo num garoto menor.

No entanto, como é muito pouco provável que um país que ‒ segundo muitos observadores ‒ gasta um trilhão de dólares em armamento, defesa e espionagem possa ser ameaçado por outro cujo conjunto das riquezas produzidas durante todo o ano de 2014 foi de aproximadamente 550 bilhões de dólares, a afirmação deve ser considerada como a fabricação de um pretexto para uma agressão que deverá ser desfechada num futuro bem próximo a uma nação vizinha do Brasil na América do Sul. Continua

 

 

18 de fevereiro de 2015

 

1964-1985: o fim da ditadura em um país sem democracia

 

Há quase 30 anos, o Brasil comemorava o fim de uma ditadura militar que havia sufocado o país por 21 longos anos. O presidente eleito, Tancredo Neves, não pôde tomar posse por motivo de doença e foi substituído por seu vice, José Sarney, um baluarte do governo militar pelo qual havia sido nomeado governador do Maranhão e presidente da ARENA, partido da situação. Como sói acontecer com os ratos de porão, Sarney, ao lado de outros companheiros de partido como Marco Maciel e Antônio Carlos Magalhães, tinha decidido abandonar o navio que afundava.

José Sarney, um político sem escrúpulos com ambições literárias, incorporou o ministério escolhido por Tancredo ‒ um antigo pessedista de tendências conservadoras com alguns matizes liberais que agradavam à esquerda ‒ que contemplava habilmente desde alguns setores da oposição até os interesses do Cidadão Kane brasileiro, o magnata das comunicações Roberto Marinho.

A queda da ditadura somente ocorreu ‒ após a votação realizada em um espúrio Colégio Eleitoral ‒ em seguida a algumas das maiores manifestações populares que o país já conheceu, com milhões de brasileiros indo às ruas para pedir o fim do nefasto regime. Continua

 

 

11 de janeiro de 2015

  

Lembra de Jenin? E Fallujah?

 

Repórter: ‒ O que o senhor pensa da civilização ocidental?

                                                                                                   Mahatma Ghandi: ‒ É uma boa ideia.

 

Desde há algum tempo, historiadores, sociólogos e pensadores vêm observando o progressivo declínio em que mergulha o Ocidente, com a contínua perda dos seus mais elevados valores. Entre muitos outros, Eric Hobsbawm e Marc Ferro já consideraram que a grande era do Atlântico das navegações, das conquistas e do longo período do colonialismo está chegando ao fim. A atual recessão da Europa tende a agravar ainda mais o quadro, especialmente quando muitos países da União Europeia voltam a recorrer às guerras coloniais, com resultados catastróficos para a paz mundial.

Durante mais de cinco séculos, muitos povos da Europa ‒ e depois os Estados Unidos ‒ invadiram dezenas de nações nos quatro cantos da terra, massacraram de forma sistemática a sua população para se apossar da riqueza da terra e utilizá-la em proveito próprio.

Eventualmente, os nativos das terras arrasadas se vingavam com igual violência ‒ embora de modo muito menos organizado ‒ e quando isto acontecia a consciência europeia se declarava chocada com o fato.

Os ataques à revista claramente islamofóbica Charlie Hebdo se inscrevem neste quadro de decadência econômica e de crescente belicismo da aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) comandada pelos Estados Unidos. Continua

 

 

22 de dezembro de 2014

 

Cowboys com armas atômicas

 

O futuro dirá se o reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba foi um simples gesto de relações públicas, um reconhecimento da importância do país caribenho ou a primeira etapa de uma estratégia já concebida para a instauração de um novo governo ‒ certamente mais favorável aos Estados Unidos ‒ na ilha.

De qualquer forma, as primeiras reações do governo cubano foram no sentido de que não estava embevecido por tamanha generosidade ianque. A calorosa recepção aos três antiterroristas que permaneceram presos por 16 anos no gulag americano deve ter reavivado no povo cubano a consciência do tratamento que os Estados Unidos vêm dispensando ao regime socialista por mais de meio século.

Coincidentemente, ao mesmo tempo em que as relações eram restabelecidas uma grande delegação russa era recebida por Raúl Castro e assinava inúmeros acordos com Cuba, o que afasta de imediato os rumores difundidos pela corrupta imprensa do hemisfério de que a ilha do Caribe já estava prestes a cair nos braços de Tio Sam. A agência de notícias Bloomberg chegou a postar a seguinte manchete:

Obama para Putin: ‒ Você perdeu, nós ganhamos! Continua

 

 

17 de dezembro de 2014

 

 

O canto de sereia*(ou cavalo de Troia?) americano em Cuba

 

O reconhecimento diplomático de Cuba ‒ trombeteado pelos meios de comunicação corporativos como um gesto de grande liberalidade do governo genocida de Barack O'Bomber ‒ é também o reconhecimento do fracasso de uma política minuciosamente planejada e executada durante mais de meio século.

Após vir tentando sufocar o povo cubano por mais de 50 anos ‒ por meio de um brutal bloqueio econômico, contínuos atos de terrorismo, financiamento de grupos de oposição, guerra bacteriológica e sabotagem ‒ o império americano acena agora com insignificantes migalhas no intuito de ludibriar o adversário.

Desde o início da década de 1960, os gringos recorrem a todo o tipo de expedientes para desestabilizar a pequena ilha situada a menos de 100 milhas do estado americano da Florida. O reconhecimento diplomático do país caribenho é um claro indicador de uma vitória do governo e do povo cubanos porque demonstra que o império americano não foi capaz de tomar o poder em Cuba como o fez em quase todas as nações da América Latina, que sempre considerou como seu quintal. Continua

 

11 de dezembro de 2014

 

(Pré) Salve-se Quem Puder

II. A direita inquieta

 

O recente discurso de um notório deputado fascista do Estado do Rio de Janeiro ‒ conhecido pelas suas posições racistas e em defesa do estupro e da tortura ‒ não deve ser visto apenas sob o ângulo do abjeto teor de ofensa à dignidade física e moral da deputada Maria do Rosário.

Após condenar o comparecimento de Dilma Rousseff à reunião do que considerou ser "a escória da América do Sul", o deputado fascista demonstrou estar muito bem informado sobre o que aconteceu no encontro.

Suas observações revelam que exprimiu a posição de interesses muito poderosos que não parecem satisfeitos com as decisões que estão sendo tomadas na União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Sua condenação da abertura do espaço aéreo aos países membros do grupo expressa a posição dos Estados Unidos, a quem a medida não agrada, porque favoreceria um maior controle pelos países da América Latina das atividades de espionagem exercidas pelos ianques, especialmente por meio de seus aviões não tripulados. Continua

 

 

3 de dezembro de 2014

  

(Pré) Salve-se Quem Puder *

I. O governo inseguro

 

Como um povo colonizado durante séculos, sempre fomos condicionados a nos submeter a um sistema ou a um governante que o representava. Éditos reais e bulas papais determinavam os rumos e, como sempre, a inefável Santa Madre Igreja nos incutia falsos valores cristãos, que se convertiam rapidamente em dogmas de submissão e conformismo.

Quando esta estratégia não se mostrava suficiente, bastava que aparecesse um comandante militar que ordenaria aos meganhas: ‒ Senta o pau na macacada!  E a ordem voltava a reinar no terreiro.

Assim foi no final do século XVIII e XIX, quando movimentos nacionais como a Revolução dos Alfaiates na Bahia, a Inconfidência Mineira em Minas Gerais, a Revolução de 1817, a Confederação do Equador, a Praieira e a Cabanada em Pernambuco, a Cabanagem no Pará, a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, entre muitos outros, sofreram a mão dura do império português e da monarquia recém-instalada.

Foi assim ‒ não por acaso ‒ que chegamos ao século 21, quando elegemos pela primeira vez um antigo operário como Presidente da República.  Até então havíamos tido muito poucos governantes com os quais nos identificamos emocionalmente e que reconhecemos como representativos da brasilidade. No curto período republicano de pouco mais de um século, somente poderiam ser lembrados Juscelino Kubitschek e João Goulart e, principalmente, Getúlio Vargas, chamado de O Pai da Pátria e certamente o maior estadista brasileiro. Continua

 

 

 

21 de novembro de 2014

 

 Da guerra de baixa intensidade ao golpe de estado planejado

 

A expectativa do império americano e seus asseclas no Brasil de que venceriam as eleições presidenciais do último 26 de outubro não se confirmou. Como resultado, as rivalidades se acentuaram e começam a assumir ares de um iminente confronto. O verdadeiro sistema de castas das sesmarias e capitanias hereditárias que se instalou no poder há mais de 500 anos não aceita a política populista de distribuição de renda proposta pelo atual partido hegemônico e coloca em ação todo o seu aparato infiltrado no Estado para impedir que o projeto vitorioso implemente o seu programa de governo.

Visando preservar os privilégios que adquiriu, serve-se dos instrumentos que utiliza desde a colonização mas como sabe que a imensa maioria da população brasileira não apoia uma intervenção militar busca outros métodos mais sutis de ruptura das instituições legais.

Não tendo alcançado seu objetivo de produzir uma “revolução colorida” que levasse à derrota eleitoral da atual presidente, o amplo arco de alianças de direita do nosso Bananão ‒ velhos oligarcas da economia e da política encastelados no setor financeiro, grandes proprietários de terras, as seis famílias detentoras dos meios de comunicação no Brasil, antigos partidários da esquerda hoje arrependidos e convertidos ao neoliberalismo, além de uma grotesca trupe onde não faltam cães furiosos do fascismo e alguns bobos da corte ‒ decidiram que vão depor a presidente eleita por meios legais. Continua

 

 

8 de novembro de 2014

 

A modernidade no Brasil

 

Um mito sempre renovado: as promessas contidas na tecnologia e os sacrifícios para a sua obtenção. “As carroças que se transformarão em veículos modernos”.

A modernização da infraestrutura e a necessidade de entregá-la ao capital privado.

As dores do parto: brutais aumentos das taxas cobradas pelas empresas dos serviços públicos.

A promessa se transforma numa miragem: a anunciada boa qualidade dos serviços públicos não se concretiza.

Com o abandono do campo, a cidade se converteu no símbolo da modernidade.

A resistência da burguesia agrária impede uma verdadeira reforma da propriedade rural.

O campo é entregue ao agronegócio, onde as multinacionais têm um papel preponderante.

Produção intensiva da terra: uso de defensivos agrícolas (agrotóxicos) e emprego de sementes transgênicas.

Como um país colonizado ao longo dos séculos, o Brasil nunca pôde escolher o seu próprio destino. Continua

 

 

27 de outubro de 2014

 

O povo não foi bobo

 

Os bancos, as grandes corporações que controlam há muito tempo este país, o agronegócio que espalha os pesticidas e cultiva sementes transgênicas, o oligopólio dos meios de  comunicação e a direita hidrófoba, Barack O'bomber e os neocons de Washington, os atlantistas da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (OTAN), George Soros e seu projeito de mais uma "revolução colorida" perderam uma importante batalha no dia de ontem. 

Vastos territórios brasileiros ‒ os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, todo o Nordeste e a maior parte da Amazônia, que ainda não foram integrados ao universo concentracionário dos conspiradores ‒ recusaram a aura fabricada de salvador da pátria do candidato Aécio Neves.

Agora, o Grande Irmão e aliados temem que suas táticas sejam reveladas e começam a preparar a derrubada do governo eleito. Os barões decadentes da mídia receiam perder o poder econômico de que ainda desfrutam se os privilégios que acumularam por tanto tempo lhes forem retirados. Continua

 

 

 

25 de outubro de 2014

 

A Rede Globo é o campo de concentração da notícia

 

O debate presidencial apresentado ontem num cenário montado em São Paulo representou o último estágio de um processo eleitoral em que os meios de comunicação do país assumiram o papel explícito de condutores da vontade popular.

Ao jogar os dois contendores num palco que se assemelhava a uma arena e limitar a sua participação a menos de um minuto para as perguntas, um minuto e meio para a resposta e um minuto para a réplica e a tréplica, a Rede Globo  não fez mais do que prosseguir no processo de demonização da política que vem sendo disseminado há algum tempo neste país.

Sob o pretexto de promover um evento que se destina ao esclarecimento dos eleitores, o canal de televisão reduziu drasticamente o tempo dos candidatos e os colocou numa situação em que uma candidata que tem algo a dizer fica igualada a um outro que não trouxe nada de novo a não ser denúncias sem fundamento.

Toda esta sordidez não é ocasional porque pretende mostrar de forma subliminar que ‒ como os políticos são muito parecidos ‒ qualquer mudança proposta por eles, na verdade, não leva a nada. Continua

 

 

23 de outubro de 2014

 

Como sair do buraco negro da urna eletrônica

 

O eleitorado de Dilma, que deu a vitória à sua candidata no 1º turno depois de ter enfrentado o mais variado tipo de jogo sujo já visto num pleito presidencial como denúncias sem a menor credibilidade apresentadas por pessoas destituídas de qualquer honorabilidade; delações premiadas; ofensas do candidato que desafia a atual presidente; cobertura tendenciosa dos meios de comunicação privilegiando apenas um dos lados; falsa propaganda de Aécio Neves alardeando realizações que não podem ser comprovadas; interferência estrangeira por meio de organizações não governamentais e agências de espionagem infiltradas no país e apoio maciço de redes sociais como o Facebook ao candidato de oposição, chega ao final do 2º turno tendo que encarar outros poderosos obstáculos.

Colocada em posição desfavorável no início do horário obrigatório da campanha eleitoral e logo após a morte do candidato Eduardo Campos ‒ quando a mídia montou um factóide na pessoa da candidata Marina Silva ‒ Dilma Rousseff se aproxima da reta final da campanha carregada por um maior favorecimento popular mas enfrenta nos últimos dias a perspectiva de novos golpes sujos de seu opositor, além do espectro ameaçador da urna eletrônica que permanece como um buraco negro insondável que escapa à uma possível comprovação de sua confiabilidade. Continua

 

 

16 de outubro de 2014

 

Aecinho e a mentira repetida mil vezes

 

Com a justificativa de que isto contribui para o maior esclarecimento da população, os debates presidenciais podem apresentar espetáculos lamentáveis como o que ocorreu no início da noite de hoje na rede de televisão SBT.

O candidato Aécio Neves, um notório playboy e dandy da política, herdeiro de uma pseudo-aristocracia de Minas Gerais assumiu ares de inquisidor e ‒ armado de um cinismo atroz e desprovido de qualquer escrúpulo ‒ tentou escapar de explicações que deveriam ser dadas sobre seus atos e comportamento, ao mesmo tempo em que imputava à sua adversária as características mais negativas do seu caráter.

É claro que uma conduta tão iníqua não teria sido possível se este quidam do neoliberalismo que estraçalhou o Brasil durante os sombrios oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso não tivesse sido criado, cevado e nutrido no seio da mais corrupta plutocracia do nosso país ‒ assessor parlamentar sem trabalhar aos 17 anos,  nomeado diretor da Caixa Econômica Federal por um tio aos 25 anos ‒ e colocado na condição de postulante à presidência por uma conspiração que compreende os setores mais sórdidos da nossa sociedade e tem nos meios de comunicação a sua ponta de lança delinquente e mentirosa. Continua

 

 

 

 

12 de outubro de 2014

 

1964 - 2014: cinquenta anos de solidão

 

Desde 1964 não ocorria uma aliança de setores tão espúrios da nossa sociedade como a que está se dando nos dias de hoje.

As sinistras delações premiadas sem a apresentação de nenhuma prova lembram o “mar de lama” de 1954 ‒ que levou ao suicídio de Vargas ‒assim como as pregações anticomunistas e moralistas de Carlos Lacerda que antecederam o golpe de 1964.

Tudo indica que o objetivo deste soturno conluio é implantar uma nova ditadura fascista ainda pior do que aquela que perdurou até 1985.

A nossa president(a) considerou o vazamento do áudio da delação premiada para os grandes meios de comunicação em pleno 2º turno das eleições presidenciais um “golpe” premeditado.

Será que ela já se deu conta da extensão do projeto que está em curso? E o que fará a respeito? Continua

 

 

 

9 de outubro de 2014

 

Eleição no Brasil envolve disputa de poder entre Obama e Putin.

E Dilma pode ser a bola da vez...

 

Embora não ocupe o primeiro plano dos debates, a participação do Brasil no grupo do BRICS ‒ organização também integrada pela Rússia, Índia, China e África do Sul ‒ pode estar por trás do extenso arco de alianças em torno do candidato direitista Aécio Neves na corrida presidencial de 2014.

Como se sabe, os BRICS ‒ sob a liderança econômica de Beijing e política de Moscou ‒ vêm alavancando o comércio mundial, o que os contrapõe aos Estados Unidos, cuja economia passa no momento por uma profunda crise e enfrenta graves desafios. Continua

 

30 de setembro de 2014

 

Eles contra nós

 

Uma nova campanha eleitoral chega ao fim e parece que mais uma vez as velhas oligarquias brasileiras ‒ os decadentes barões da mídia, o capitalismo financeiro aglutinado em torno dos imensamente lucrativos bancos e os latifundiários do agronegócio ‒ aliadas aos especuladores internacionais liderados pelo patrono das revoluções coloridas, George Soros, não irão conseguir impor a vitória dos seus escolhidos para presidente no próximo dia 5 de outubro.

Tendo ungido como seu favorito o pretendente herdeiro de um clã políticomineiro que não conseguiu galvanizar o apoio da opinião pública, a casta de poderosos do país se aproveitou do misterioso acidente com o avião de um dos candidatos para catapultar aquela que pretendeu impingir como a nova estrela da constelação política do país e que melhor servia aos seus propósitos porque poderia seduzir as classes populares que apoiavam a atual presidente. Continua

 

 

24 de julho de 2014

 

O que os corrompidos meios de comunicação brasileiros e internacionais não dizem

 

Mantido em silêncio pelos órgãos de informação submetidos aos interesses da política belicista dos Estados Unidos e dos delírios genocidas de Netanyahu, o acordo de paz proposto pelo Hamas e a Jihad Islâmica foi ‒ como se previa ‒ recusado por Israel.

Segundo o diário hebreu Maariv, uma fonte importante palestina confirmou que o Hamas e a Jihad Islâmica estariam dispostos a assinar uma trégua de 10 anos com o governo de Tel-Aviv uma vez satisfeitas dez demandas consideradas essenciais para a autonomia de Gaza. São elas:

1. A retirada dos tanques militares de Israel da área da cerca da fronteira, de forma a permitir que os agricultores de Gaza possam ter acesso aos seus campos de plantação para cultivá-los. Continua

 

 

18 de julho de 2014

 

Falsas bandeiras e cortinas de fumaça

 

A quem interessava o recente sequestro de três adolescentes nos assentamentos ilegais de Israel? Certamente não ao Hamas e ao Fatah, organizações que tem uma posição de liderança nos territórios ocupados de Gaza e da Cisjordânia e que, após um longo período de disputas e conflitos, haviam acabado de celebrar um acordo para um governo de unidade.

Embora a ação tenha sido negada com veemência por esses movimentos, foi com muita surpresa que o mundo viu o primeiro ministro de Israel acusá-los como culpados pela ação e, em seguida, deflagrar uma violenta operação de bombardeio que já matou até o momento mais de 200 seres humanos, 80 % deles inocentes civis, mulheres e crianças em sua maioria. Continua

 

 

 

9 de julho de 2014

 

O futebol no Brasil: da arte à força

                                                    Assim no futuro irmão do passado,

                                                    Eu me verei talvez como sou atualmente.

                                               (Ulisses, James Joyce)

 

O mundo começa a entrar num período de grande recessão econômica. Na área do Pacífico Norte, um conflito territorial entre a China, o Japão, o Vietnã, as Filipinas e a Indonésia ameaça se converter numa perigosa guerra regional. Na Ucrânia, Europa Oriental, uma junta que tomou o poder, depois de um golpe orquestrado pelos Estados Unidos com a participação de grupos neonazistas, hostiliza a Rússia e incita a realização de manobras militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Após a derrubada de Khadafi, lutas tribais no norte da África convulsionam toda a região. No Oriente Médio, milícias financiadas pelos Estados Unidos, a Arábia Saudita e o Qatar assumem o controle de refinarias e poços de petróleo, anunciam a criação de um califado islâmico enquanto destroem mesquitas e monumentos a grandes figuras do passado. De repente, a atenção de bilhões de telespectadores em todo o mundo se concentra na Copa do Mundo de Futebol, um evento que depois de 28 anos volta a ocorrer na América Latina. Continua

 

 

4 de junho de 2014

 

Dilma: um cheque em branco de Lula que o Brasil endossou

(E não tinha fundo!)

 

Passados quase três anos e meio da sua posse, o governo de Dilma Vana Rousseff vem se mostrando como mais uma decepção em relação à expectativa criada pela sua vitória, um novo estelionato político imposto pelas classes dominantes ao povo brasileiro.  

Marcada por um forte personalismo – sob influência do elemento português, ibérico e peninsular que já motivou um célebre ensaio de Sérgio Buarque de Holanda ‒ a nossa história não tem nos apresentado, com a frequência que deveria, a figura do líder político de fácil comunicação com as massas sob um perfil que se ajustaria melhor ao nosso modo de ser e temperamento. Continua

 

 

6 de março de 2014

 

Hugo Chávez

 

Um ano após o seu desaparecimento físico, a contínua demonização dos meios de comunicação corporativos − convertidos hoje em uma verdadeira arma de guerra sob o comando dos Estados Unidos − não conseguiu apagar a verdadeira imagem de um líder extraordinário que Hugo Chávez continua representando, tanto no aspecto político pela influência que exerceu na América Latina quanto em sua condição de ser humano cordial, sensível e afetuoso.

O documentário Mi amigo Hugo de Oliver Stone − cuja estreia mundial se deu ontem nos canais de televisão da Internet Telesur e RT − celebra as relações do diretor com o ex-presidente venezuelano e enfatiza as suas inegáveis qualidades humanas, que ao longo do tempo têm sido consideradas como um verdadeiro apanágio da latinidade americana. Continua

 

 

 

 

3 de março de 2014

 

Dark Color "Revolutions"

 

Speaking about the United States, the great leader of the Cuban Independence, José Martí, said once: "I know the monster because I had lived inside its guts". Based on this comment − which took place in the second half of the 19th century − we might understand how the American interference in Latin America dates back to such a long time.

During the 20th century the US did even worse than during Spanish-Cuban War: they toppled dozen of elected governments − from Guatemala, in 1954, to the most recent case of Paraguay, in 2012 − besides supporting lots of dictatorships like that of Sargent Fulgencio Batista – who took over the power in Cuba aboard an American warship – and the clan of the Somozas, in Nicaragua, to the Brazilian and Argentinian generals, and in addition shot Allende, Omar Torrijos, sacked the natural resources of many countries, etc. Continued

 

 

18 de outubro de 2013

 

O fim da história, o pensamento único e os novos deuses do Olimpo

 

Do que têm medo alguns dos nossos mais conhecidos artistas, transformados hoje em baluartes de um sistema que diziam combater?

Os mais antigos costumavam nos lembrar que "um homem de bem não tem nada a temer". O que é que estes "homens e mulheres do bem" têm a temer? Um fato pregresso, outra extravagância que passou do limite, atos pouco éticos e vergonhosamente desabonadores ou alguma coisa que jaz escondida e que poderia, eventualmente, ser descoberta? Por que é que esses artistas que falam o tempo todo de sua vida pessoal tentam agora evitar que os outros façam o mesmo? O que têm a esconder?

Na verdade, podem ter algo a esconder. Teriam, por exemplo, que responder por que desde o final dos anos 80 assinaram acordos com poderosas gravadoras que os impediram de emitir declarações políticas polêmicas. Pouca gente sabe mas, no final do século passado, algumas grandes gravadoras − com imensos tentáculos em todo o show-business mundial − ofereceram generosas luvas a artistas de renome internacional com a condição de que não expressassem opiniões políticas, especialmente sobre as lutas dos povos do Terceiro Mundo. Continua

 

 

 

9 de setembro de 2013

 

Mais uma mentira, mais uma guerra

 

Para quem se acostumou a inventar mentiras para justificar agressões militares contra países como o Vietnã do Norte, o Iraque, o Afeganistão, entre outros, não é surpreendente que os Estados Unidos estejam agora fabricando mais esta esfarrapada aleivosia contra a Síria, o que lhe dará a oportunidade de despejar alguns milhares de novos mísseis de última geração no país árabe.

O que parece surpreendente é que desta vez não contam com apoio da Inglaterra e que seu presidente se mostre cada vez mais tímido e inseguro, quase envergonhado por se sentir empurrado pelo lobby judeu e a indústria da guerra para mais uma aventura militar em que, contrariamente a outras oportunidades, poderá enfrentar um povo e um exército mais organizados e coesos.   

Embora isto pareça improvável − dada a pressão que está sendo exercida sobre o Poder Legislativo e que envolve inclusive a compra de votos − a melhor solução para a fragilidade de Barack Obama seria a sua derrota no Congresso, o que lhe daria uma desculpa diante de seus senhores para não se envolver em uma ação que poderá levar o mundo a uma nova guerra mundial. Continua

 

 

 

5 de junho de 2013

 

A fábula do presidente negro e da presidenta búlgara

 

Era uma vez um presidente negro muito astuto e uma presidenta búlgara muito ambiciosa e vaidosa.

O presidente negro tinha muitos exércitos e bases militares em um grande número de países e a presidenta búlgara tinha um país com muitas riquezas para serem exploradas mas possuía um pequeno exército e um povo pobre.

A parte mais rica deste povo pobre gostava muito de ir visitar o país do presidente negro para conhecer as suas diversões e comprar os seus produtos.

Somente alguns habitantes do país da presidenta búlgara recebiam permissão para ir conhecer as riquezas do país do presidente negro. Continua

 

 

02 de maio de 2013

 

A América Latina continuará a ser o quintal dos Estados Unidos?

 

Depois de ter eliminado Hugo Chávez − por meio de um diabólico plano − os Estados Unidos e seus aliados na Europa e em Israel jogam todas as fichas na derrubada de seu sucessor, Nicolás Maduro.

Assim como já aconteceu em outros países da região, a Venezuela é hoje o cenário onde se defrontam dois projetos radicalmente diferentes para a América Latina. Opondo-se ao projeto bolivariano de Chávez e Maduro, perfilam-se aqueles que pretendem forçar por todos os meios um retorno à velha ordem que perdurava no país até 1999, quando Chávez foi eleito pela primeira vez: são eles, entre outros, entidades do governo americano de "apoio à democracia e à livre empresa", ONGs financiadas pela CIA, meios de comunicação que disseminam a mentira e o medo e, naturalmente, os velhos capachos e sequazes do imperialismo ianque representados por seus testas de ferro, os traficantes da droga que os americanos consomem, bancos que lavam dinheiro, sabotadores e especialistas em terrorismo como Posada Carriles, anticastristas expatriados, chefes de esquadrões da morte como Álvaro Uribe, além de notórios fascistas como José María Aznar e Mario Vargas Llosa. Continua

 

 

 

20 de abril de 2013

América Latina: Cuidado!

 

Em apenas uma semana, a direita da Venezuela assestou dois violentos golpes contra o governo bolivariano. O primeiro foi a quase vitória que obteve nas eleições do último dia 14 de abril, depois de uma desvantagem de quase 20 pontos.

O segundo se deu quando decidiu não reconhecer o resultado das eleições e produziu claros atos de desestabilização da ordem, paralisando ruas, atacando centros de saúde e de abastecimento, palácios de governadores que apoiam o PSUV e propriedades da companhia petrolífera PDVSA, em atos que já causaram a morte de 8 pessoas e ferimentos em mais de uma centena de cidadãos. Continua

 

 

16 de abril de 2013

 

Venezuela sob cerco

 

A princípio, parecia impossível que isto pudesse acontecer mas, na verdade, faltou muito pouco para que Henrique Capriles Radonski, um político vinculado à extrema-direita e financiado pelos Estados Unidos, pudesse convencer a maioria dos eleitores da Venezuela de que ele, sim, era o legítimo herdeiro de Hugo Chávez e o continuador de seus projetos de amplo espectro social.   

Enquanto cabia a Nicolás Maduro, o sucessor escolhido pelo líder da revolução bolivariana, o ônus da violência no país, da corrupção e da ineficiência administrativa, Capriles Radonski um filho da alta burguesia que por décadas se apropriou do fruto do trabalho dos venezuelanos mais humildes dava à sua campanha o nome do inspirador de todo o processo revolucionário, assumia o compromisso de continuar os programas bolivarianos e,dentro de sua estratégia de farsa e embuste, chegava até a propor a concessão de títulos de cidadania aos médicos cubanos que no passado haviam sido o objeto de sua ira e escárnio. Continua

 

 

14 de março de 2013

 

Estratégias da direita na Venezuela e no Brasil

 

A política norte-americana, depois de conspirar para matar Hugo Chávez, se empenha agora em transformar lobos em cordeiros, apresentando notórios políticos de direita que já foram rejeitados várias vezes pela população de seus países como verdadeiros democratas comprometidos com mudanças sociais.  

Enquanto na Venezuela o candidato Henrique Capriles Radonski, um político sem nenhum escrúpulo e qualquer envergadura moral ou intelectual ofende a população e a memória de Hugo Chávez ao nomear Simón Bolívar como patrono de sua campanha, no Brasil o PPS (Partido Popular Socialista), chamado popularmente de Partido Pseudo-Socialista, uma legenda de aluguel que vem se prestando aos mais inconfessáveis propósitos políticos e pessoais, planeja criar um frentão de direita para combater a candidatura oficial. Continua

 

 

5 de março de 2013

 

Como nunca foi derrotado, Chávez terminou sendo morto pelo império

 

Hugo Chávez é mais um grande líder do nosso continente que morre em circunstâncias misteriosas. Ao longo do século 20 e em razão da proximidade geográfica dos povos latinos do hemisfério com o império anglo-saxão americano, foram muitos os combatentes pela independência dessa região que caíram, a maior parte deles derrubados por golpes de estado organizados e financiados por Washington. Continua

 

 

27 de janeiro de 2013

 

Um cavalo de Troia europeu em Santiago

 

O que terão vindo fazer na Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) os sinistros Angela Merkel e Mariano Rajoy? Dar conselhos de como dirigir proveitosamente as economias de seus países, proporcionando aos cidadãos bem-estar e dignidade de vida?

Certamente que não, já que o que esses estranhos personagens políticos fazem é exatamente o contrário, ou seja, dedicam-se no momento a cortar direitos alienáveis adquiridos como a assistência médica, a educação pública, a habitação, a aposentadoria, o amparo aos mais velhos, etc. Continua

 

 

 

1º de janeiro de 2013

 

La mano en la trampa

 

A História se repete mais uma vez. Agora, é a direita venezuelana – mórbida, doentia, raivosa e assassina – que se apressa a comemorar antecipadamente um possível desaparecimento físico do presidente Hugo Chávez.

Exatamente como o fez há alguns anos atrás a direita cubana, que chegou inclusive a soltar fogos de artifício em Miami. Não conseguiu o seu intento, até porque o líder da Revolução Cubana está vivo até hoje e permanece ainda muito ativo como um arguto observador político. Continua

 

 

23 de novembro de 2012
 


O mundo no trapézio

 

Quem viveu nas décadas de 60 e 70 do século passado as lutas dos movimentos da contracultura e do socialismo não poderia imaginar que trinta anos depois o século seria subitamente abreviado com o fim dos sonhos que o acalentaram.
 

Assim como o colapso do socialismo real na antiga União Soviética, em 1991, marcou o fim do antigo milênio, um outro desabamento, o das torres gêmeas do World Trade Center na cidade de Nova York, em 2001, estabeleceu o início do século 21. A clara conexão entre esses dois acontecimentos aparentemente tão díspares determinou a atmosfera de insegurança, turbulência, instabilidade política e de confrontação militar que caracterizou os primeiros anos do novo milênio. Continua

 

 

 

19 de outubro de 2012
 


A Justiça como show-business

Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

                                                                      Barão de Itararé

 

 

Há um bom tempo a oligarquia brasileira esperava por este momento. Depois de seguidamente derrotada e cada vez mais perdendo terreno, desmoralizada, considerada responsável por graves crimes contra o patrimônio da nação, o julgamento do chamado “mensalão” representou para a velha direita do nosso país a esperança de obter por intermédio dos poderes da Justiça – sempre suspeitos, discricionários, injustos e a serviço dos poderosos – o que não vem conseguindo por meio dos votos. Ao programar o julgamento simultaneamente com as eleições municipais, os neoliberais do PSDB, os ruralistas do DEM, os tradicionais fascistas rancorosos e os meios de comunicação imorais e mentirosos esperavam que os doutos senhores do Supremo pudessem lhes fornecer os argumentos com os quais pretendem tomar o poder. Continua

 

 

 

28 de agosto de 2012

 

Drogas, histeria e barbárie entre os novos cruzados do Ocidente na Síria e na Líbia

 

O Réseau  Voltaire divulga as imagens  de um massacre perpetrado contra uma família que se recusou a colaborar com os fanáticos muçulmanos armados pelos Estados Unidos, OTAN, Arábia Saudita e Qatar que estão no momento destruindo a Síria. Como já foi observado várias vezes, estes combatentes mercenários originários de outros países da região, são arrebanhados em áreas muito pobres, possuem um nível cultural e de escolaridade extremamente baixo e fazem do ofício de matar um instrumento da sua própria sobrevivência.

Como observa o jornalista Thierry Meyssan, dado o enorme grau de paroxismo e violência que a sua ação comporta, somente podem praticar estes atos depois de ingerir uma grande quantidade de drogas pesadas. Continua

 

 

19 de agosto de 2012


 
As traições da esquerda

 

No filme Terra em Transe de Glauber Rocha, o personagem Júlio Fuentes, interpretado por Paulo Gracindo, que se associa a interesses estrangeiros monopolistas mas mantém um bom relacionamento com os líderes políticos mais progressistas e os movimentos sociais do país, rejeita as críticas que lhe fazem e lamenta:
 

Afinal, eu sou um homem de esquerda!
 

Na época, a cena provocava gargalhadas na platéia. A esquerda – mesmo dividida em um sem número de grupos: comunistas de tendência estalinista e maoísta, trotskistas, esquerda católica, positiva e negativa, segundo a classificação de San Tiago Dantas, etc. – era então considerada uma tendência política comprometida com a transformação da sociedade, o que se chocava com as posições ambíguas e a moral corrupta do empresário. Continua

 

 

 

21 de julho de 2012


Qualquer semelhança não é mera coincidência

 

O jornalista Thierry Meyssan, do Réseau Voltaire, anuncia que a batalha de Damasco deve se iniciar nas próximas horas. De acordo com o analista, ela foi precedida pela entrada na Síria de 40 mil a 60 mil mercenários, que começam a ocupar pontos estratégicos na capital.
 

Esses grupos muito bem armados oriundos do Iraque, da Líbia e do Líbano são compostos por militantes da Al Qaeda e soldados dos exércitos regulares da Arábia Saudita e do Qatar que contam com a assessoria técnica e equipamento de guerra dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A Turquia também desempenha um importante papel como coordenadora da operação e base de operações. Continua

 

 

 

 

18 de julho de 2012
 

A torta de maçã da globalização neoliberal

 

Nenhum país caracterizou melhor as contradições da nossa época do que os Estados Unidos da América. Apresentando-se como o paladino da liberdade e da democracia, é a nação em toda a face da Terra que possui o maior número de prisioneiros – mais de dois milhões de reclusos vivendo em universos concentracionários sob administração privada onde a tortura não somente é admitida mas até entronizada como uma prática de Estado.
 

Por outro lado, os EUA sustentaram e ainda vêm sustentando toda a sorte de brutais e sanguinárias ditaduras no globo terrestre, como foram os casos dos regimes de Suharto e Ferdinando Marcos, na Indonésia e nas Filipinas, além de dezenas de governos militares na América Latina, na África e até mesmo na Europa. Nos dias de hoje, o país é o principal aliado do mais cruel sistema de poder existente: a Arábia Saudita, e apoia com seus aviões não tripulados, recursos financeiros, forças especiais e equipamento militar os regimes discricionários do Bahrein e do Iêmen, entre outros. Continua

 

 

20 de junho de 2012

 Os objetivos e a ética

 

Que notável lição de integridade política deu a deputada Luiza Erundina aos políticos inescrupulosos do PT!

Depois de convidada para ser candidata ao cargo de vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad, a ex-ministra e ex-prefeita Luiza Erundina descobriu que a direção do Partido dos Trabalhadores havia articulado na surdina o apoio do notório ladrão público Paulo Maluf à composição, em troca de uma indicação sua para o ministério de Dilma Rousseff.  Continua

 

 

15 de junho de 2012

 Rio+20: a nova farsa “humanitária” da ONU

 

As pouco confiáveis trombetas da imprensa corporativa mundial anunciam com alarde a conferência do meio ambiente da ONU Rio+20, que ocorrerá entre os dias 20 e 23 desse mês na cidade do Rio de Janeiro. 

Como o nome indica, o evento celebra 20 anos da Rio 92, uma outra conferência sobre o meio ambiente realizada quando a Organização das Nações Unidas ainda não tinha sido completamente desmoralizada pelos Estados Unidos, ao não ser capaz de impedir a invasão da Iugoslávia e do Iraque e, ainda assim,  sacramentar o esquartejamento destes países enviando os seus hoje famigerados capacetes azuis. Continua

 

 

10 de abril de 2012

A Revolução será transmitida?

 

Não, a revolução não foi transmitida porque ela derrotou um golpe de Estado que havia sido concebido, executado e difundido pelos meios de comunicação do país, um setor da sociedade a quem cabe a missão de divulgar as notícias e não de fabricá-las.
 

Esta estranha história aconteceu há exatamente dez anos na Venezuela. No dia 11 de abril de 2002 – após uma greve planejada por velhos pelegos do movimento sindical com o apoio dos patrões – a polícia da prefeitura da cidade de Caracas atirou e matou de forma organizada e seletiva diversos partidários do governo e – a partir de uma estratégia previamente estabelecida – responsabilizou esse mesmo governo pelas mortes. Continua

 

 

 

21 de março de 2012

Os documentários do Etnodoc

 

Num dizer poético carregado de amargura, D. Fiota, que ainda se mantém como uma memória viva do linguajar quimbundo do idioma banto na região de Bom Despacho, em Minas Gerais, sintetiza − no documentário Eu tenho a palavra − o seu drama de filha de uma escrava alforriada e ainda não completamente liberta:

Fincou a barraca de lona. Nós dormimos nela dois dias. Três dias e o vento veio e carregou ela. Nós ficamos no tempo...

Fora do tempo – não como clima ou atmosfera mas no sentido cronológico – parecem ter ficado, no entanto, os vídeos produzidos pela última edição de documentários do Etnodoc, ao não conseguirem colocar em seu contexto histórico, social ou econômico os diferentes fenômenos que procuraram registrar e se mostrarem incapazes de explicar as origens e significados do tema escolhido para um público mais heterogêneo. Continua

 

 

18 de março de 2012
 

O ator como político: George Clooney, cabo eleitoral de Obama?

 

Nascido como um meio de comunicação de massas, o cinema sempre esteve ligado ao poder.
 

O celebrado slogan There is no business like show-business (Não há melhor negócio do que o entretenimento) é apenas uma das expressões que caracterizam esta relação de mútua sedução.
 

Em Hollywood, onde essa usina de sonhos encontrou a melhor forma de expressão, as estrelas – verdadeiros deuses do Olimpo – aspiram à beleza e à fama eternas, cercadas por muitos e sofisticados objetos de consumo. Continua

 

 

15 de março de 2012

 

Estados Unidos, OTAN e Israel: Meu Ódio Será Tua Herança

 

Quem observa com atenção a história de norte-americanos, europeus e dos povos semitas pode constatar que a violência não é estranha ao seu passado. Ainda no século XX, enquanto os europeus do rei belga Leopoldo II barbarizavam o Congo, americanos bombardeavam os filipinos e judeus massacravam palestinos para retirá-los de aldeias onde haviam vivido por séculos. Continua

 

     

 

24 de outubro de 2011
 

O “honorável” Barack Obama

 

A divulgação da correspondência recente entre Muammar Kadhafi e alguns dirigentes mundiais revela detalhes pouco conhecidos.
 

Seguem trechos de uma carta enviada a Barack Obama em 20 de março de 2011:
 

Ao nosso filho, o honorável Barack Hussein Obama,
 

Como eu afirmei anteriormente, mesmo que – Deus permita que isto não aconteça – haja uma guerra entre a Líbia e a América, você continuará a ser meu filho e eu ainda continuarei a amá-lo. Eu não quero mudar a imagem que tenho de você. Todo o povo da Líbia está comigo, pronto a morrer, até mesmo as mulheres e as crianças. Nós estamos lutando contra nada menos do que a Al Qaeda, no que eles chamam de o Maghreb Islâmico. É um grupo armado que está combatendo da Líbia à Mauritânia, e ao longo da Argélia e do Mali... Diga o que você faria se os encontrasse ocupando as cidades americanas pela força das armas? Continua

 

22 de outubro de 2011

De Roma à Líbia

 

Começam a ficar claros alguns detalhes da operação que assassinou o líder líbio Muammar Khadafi.

A visita da secretária de estado americana Hillary Clinton a Trípoli poucos dias antes não se destinou a emitir uma ordem para sua captura mas, na verdade, a fornecer os dados obtidos pela CIA sobre sua localização e a coordenar a operação que levou à sua execução. Continua

 

 

20 de outubro de 2011

 

Traiganme la cabeza de Muammar Khadafi !

 

A neo-sionista Hillary Clinton visitou Trípoli recentemente e, na cidade, declarou extasiada:

 - A Líbia é um país dotado de imensas riquezas. Vamos ajudar seus habitantes a se livrar da dependência do petróleo e a explorar todo o potencial do país.

Na prática, todos sabemos o que isto significa: a pilhagem dos recursos naturais do país africano pelos vampiros brancos dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. Continua

 

 

4 de setembro de 2011
 


As entranhas da besta

 

Imagine o seguinte cenário: um grupo separatista fortemente armado assume o controle militar do Rio Grande do Sul e proclama a independência do estado.
 

Naturalmente, o governo federal envia tropas para a região, visando retomar o controle dos bens ocupados e desalojar os rebeldes.
 

O presidente da França se declara então preocupado com a situação e diz temer pela vida dos rebeldes. Ao mesmo tempo, o primeiro mandatário dos Estados Unidos e o recém-empossado primeiro-ministro da Inglaterra convocam seus aliados para uma reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA). Continua
 

 

22 de agosto de 2011

 

Relato do jornalista Thierry Meyssan, do Reseau Voltaire, presente em Trípoli, dá conta dos últimos acontecimentos ocorridos na capital líbia.

Carnificina da OTAN em Trípoli

"No sábado, 21 de agosto, às 20:00 horas, ou seja quando a hora do Iftar marcava a quebra do jejum do Ramadã, a Aliança Atlântica lançou a Operação Sereia.

As Sereias são os arautos das mesquitas que foram utilizados para fazer um chamado da Al Qaeda à revolta. Imediatamente, grupos de rebeldes que se mantinham inativos entraram em ação. Trata-se de grupos com grande mobilidade que multiplicaram os ataques. Os combates da noite fizeram 300 mortos e 3000 feridos. Continua

 

 

19 de agosto de 2011

Achtung Líbia!

 

A agência de notícias Reuters está anunciando que a ONU pede a todos os cidadãos estrangeiros que deixem a cidade de Trípoli, na Líbia. A nota - como todas as informações desta agência - é ambígua e contraditória. Ao mesmo tempo em que diz que as forças rebeldes apoiadas pelo Ocidente estão de aproximando da capital, a agência dá conta de que estão sofrendo pesadas baixas impostas pelo exército de Khadafi. Continua

 

 

5 de julho de 2011

 

Alguns episódios que marcaram a vida e a morte de Itamar Franco representam de forma dramática a tragédia da vida política brasileira. Tendo sido eleito para quase todos os postos públicos da nação, Itamar era uma espécie de avis rara na nossa fauna política e foi muitas vezes rejeitado por sua honradez, amor ao País e integridade moral. Continua

 

 

17 de junho de 2011

A velha guerra de baixa intensidade

 

A prometida prosperidade do capitalismo neoliberal não se confirmou. Vinte anos depois do colapso do socialismo soviético, as antigas potências coloniais da Europa, os Estados Unidos e o Japão mergulham em uma abissal crise econômica.
 

À medida que a crise se acentua, esses países recorrem a métodos cada vez mais violentos e predatórios contra suas próprias populações e as nações pobres e emergentes do Terceiro Mundo. As nefastas terapêuticas de corte de gastos e privatizações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial – cuja eficácia nunca se comprovou na África e na América Latina – começam a ser aplicadas sob crescentes protestos nos países periféricos da União Européia, enquanto os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) despejam contínuas bombas na população civil da Líbia ao mesmo tempo em que proclamam estar realizando “missões humanitárias”. Continua

 

 

9 de maio de 2011

 

O jornalista Alexander Cockburn* levanta uma hipótese impressionante: se um bombardeio líbio – por um acaso – tivesse conseguido burlar a estreita vigilância das baterias anti-aéreas britânicas e – na linha da mesma estratégia utilizada pela OTAN, que considera um líder político de um país inimigo como um alvo de guerra – bombardeasse a cerimônia de casamento do príncipe William e da duquesa Kate, inúmeras figuras da realeza, e inclusive a noiva, poderiam ser abatidas e estimadas apenas como "dano colateral", embora o primeiro-ministro e o príncipe – na sua condição de oficial da Organização do Atlântico Norte - pudessem até escapar ilesos. Continua

 

17 de março de 2011
 

Saqueando a Líbia

 

Quase cem anos depois do início da Primeira Guerra Mundial, cujo desdobramento de eventos mereceu da historiadora norte-americana Barbara Tuchman o epíteto de “a marcha da insensatez”, políticos sem nenhum escrúpulo, chefes militares ambiciosos e oportunistas de todas as espécies parecem levar o planeta a um novo conflito global. Em meio a uma imensa crise econômica, guerras civis disseminadas por vários países do Terceiro Mundo, a destruição dos últimos recursos naturais da Terra e a iminência de uma nova catástrofe nuclear, a falida Organização das Nações Unidas (ONU) decide em sessão relâmpago ampliar ainda mais a área de conflitos do planeta e declarar guerra a uma nação do norte da África. Continua

 

 

11 de fevereiro de 2011

 

- "Meu general, já temos a nossa liberdade. Agora, o que faremos com ela?" (Frase atribuída por um entrevistado da CNN a um manifestante da Praça da Libertação, no Cairo.)

Por 30 anos, o Exército e Hosni Mubarak reprimiram as manifestações populares, encarceram e mataram os opositores do regime e impediram a livre expressão de pensamento no Egito.

Agora, aproveitando-se de um movimento amplamente popular no País, os Estados Unidos mandaram as Forças Armadas derrubar o velho parceiro Mubarak e prometer exatamente aquilo que impediram por tanto tempo: liberdades democráticas, eleições livres e críticas da oposição. Continua

 

 

19 de janeiro de 2011

 

Teresópolis: depois da tragédia, chegam os abutres...

 

Desde o início, ficou evidente o caráter de classe das chuvas torrenciais que se abateram sobre várias partes do País, uma vez que destruíram - quase que exclusivamente - os lugares mais pobres. É muito doloroso ver cenas em que milhares de famílias deambulam com o que restou de suas casas nas costas, outras em que a água chega até alturas inimagináveis, enquanto seres em estado de total desamparo vêm seus pertences flutuar ou são arrastados com eles sem que possam fazer nada. Continua

 

 

9 de janeiro de 2011

 

A intempestiva posição assumida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal ao revogar uma decisão presidencial – autorizada pela própria instituição - configura a primeira crise política do governo Dilma Rousseff. O episódio se tornou ainda mais delicado pela truculenta intervenção de uma antiga potência colonial, hoje decadente e mergulhada – segundo as palavras de um conhecido blogueiro italiano – numa verdadeira berluscoma. Continua

 

 

 

20 de dezembro de 2010

 

O programa Pontapé Inicial da ESPN Brasil, apresentado por José Trajano e Eduardo Monsanto, exibiu no último domingo uma extensa entrevista com Milton Nascimento. Ao longo do encontro de mais de uma hora, nenhuma menção foi feita ao documentário Milagre dos Peixes, registro cinematográfico da mais importante apresentação do músico em toda a sua carreira. Continua

 

 

9 de dezembro de 2010

 

Certos blogs, que apóiam o governo, fazem afirmações que não condizem com a verdade. Com frequência, costumam sustentar a completa independência da política externa brasileira em relação aos Estados Unidos. Isto não é absolutamente verdade. Estes são alguns casos em que as versões são apresentadas no lugar dos fatos: Continua

 

 

1º de dezembro de 2010

Wikileaks

 

A revelação de mais de 250 mil documentos pelo site Wikileaks, a maior parte deles já contendo informações de conhecimento do público, deve ser vista com cuidado e analisada com muita atenção. Emerge naturalmente a velha pergunta de origem latina: a quem aproveita?, já que percebe-se nos documentos uma clara intenção de mostrar o apoio que Israel e os Estados Unidos desfrutam no mundo árabe para um possível ataque ao Irã. Embora o plano – hoje já disposto nos seus menores detalhes e em marcha acelerada – não seja explicitamente mencionado, os papéis filtrados mostram uma estreita relação de Israel com vários países árabes e um amplo consenso entre eles, quando não um verdadeiro apoio logístico para um devastador ataque à República Islâmica. Continua

 

 

26 de novembro de 2010
 

Os novos piratas

 

O anúncio do novo conceito estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deve ser encarado com seriedade e temor por todos os povos – em razão dos perigos que representa para a paz mundial.
 

Além de se constituir numa excrescência jurídica e política – já que a aliança militar assume agora objetivos que não fazem parte do seu âmbito de ação – a expansão da organização indica de maneira clara a sua intenção de se sobrepor, subverter e até mesmo negar a existência da Organização das Nações Unidas como a instituição que congrega os países e zela pela segurança e harmonia dos povos da terra.  Continua

 

 

20 de novembro de 2010
 

Bases militares, McDonald’s e Lady Gaga

 

Carl von Clausewitz escreveu que a guerra é o último recurso da diplomacia. Nos dias de hoje, poderia dizer que a estratégia militar é o último recurso da guerra econômica. Coincidentemente, os recentes acordos de expansão da ação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que acabam de ser celebrados em Lisboa, revelam uma clara estratégia de dominação projetada pelos países que se encontram exatamente no epicentro da grande crise econômica mundial. Continua

 

 

19 de novembro de 2010
 

O capitalismo e suas crises cíclicas

 

Nuvens sombrias se movimentam sobre o horizonte europeu, ameaçando a economia mundial. O poder destrutivo do sistema financeiro, cujo efeito de contaminação se alastra, parece ser um monstro gerado pelo neoliberalismo que como nas superproduções de Hollywood ressurge sempre no momento em que é eliminado.
 

Desta vez é a Irlanda – há pouco mais de 15 anos apresentada como o paraíso onde a maior parte da indústria farmacêutica e de informática se instalou – hoje transformada no novo cenário da crise econômica e financeira mundial.
 

Para a Europa, o espectro ainda mais assustador é que – após as insolvências da Islândia e da Grécia, a falência bancária do Eire sinaliza crises futuras para outros países do continente e uma possível rachadura no monolitismo da Comunidade Européia, ancorado na aparente fortaleza do euro. O grande sonho de uma unidade política que respeite as diversidades étnicas e culturais corre o risco de desabar se países como a Irlanda, Portugal e outros abandonarem a moeda única. Continua

 

 

13 de novembro de 2010

 

Nossos heróis morreram de overdose

 

Nas décadas de 1960 e 1970, os poetas e compositores da música popular eram os nossos olhos e ouvidos, as antenas da raça segundo Ezra Pound. Bob Dylan, John Lennon, Bob Marley, Crosby, Stills, Nash & Young, Jefferson Airplane, The Who e, entre nós, Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, além de muitos outros, cantaram os nossos sonhos e pesadelos, as nossas esperanças mortas e renascidas, transformando-se em porta-vozes não apenas de uma geração mas de toda uma época. Continua

 

 

6 de novembro de 2010

 

A nova presidente ainda não tomou posse mas os partidos políticos derrotados na última eleição já preparam – na surdina, como é de seu estilo – um golpe institucional contra o novo governo. Enquanto o AI-5 Digital caminha célere nas comissões da Câmara, um projeto de lei patrocinado pelo inolvidável senador Demóstenes Torres (DEM- GO – conhecido por seu conceito de "estupro consensual" – que retira do vice-presidente da República o direito de sucessão, acaba de passar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Alta. Continua

 

 

4 de novembro de 2010

Ocupando o Haiti


Chico Buarque disse que, com Lula, o Brasil agora “fala de igual para igual com todos. Nem fino com Washington nem grosso com a Bolívia e o Paraguai.”
 

A frase é boa e produziu muito efeito mas não é necessariamente verdadeira. O Brasil falou grosso quando votou desfavoravelmente às sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o Irã, mas falou bem fino quando aceitou comandar uma “força de paz” imposta pelos Estados Unidos no Haiti. Continua

 

 

31 de outubro de 2010

 

E agora José Alagão Nosferatu Serrarojas Serrágio "O Estripador" Serra Abaixo*

 

E agora, José?

A festa acabou,

a urna fechou,

o voto sumiu, a noite esfriou,

e agora, José?

Continua

 

 

29 de outubro de 2010

 

A campanha eleitoral que ora chega ao seu fim – ocorrida num momento de relativa estabilidade econômica e social do Brasil – produziu acontecimentos que geraram grande instabilidade política no País. Desde os seus primórdios – quando o candidato da oposição José Serra ainda hesitava em se lançar à disputa – até esses últimos dias, quando uma campanha difamatória contra a candidata oficial invade as nossas casas com gravações injuriosas, assistimos à participação de todos os segmentos sociais da Nação, com evidentes interferências do Poder Judiciário em decisões pouco claras e contraditórias, dos meios de comunicação maciçamente favoráveis ao candidato da oposição, das várias denominações religiosas e do Poder Executivo. Continua

 

 

27 de outubro de 2010

 

Com o debate da última segunda-feira à noite na televisão, José Serra parece ter chegado à sua derradeira trincheira. Sem um real programa de governo e depois de esgotada a tática da calúnia e das falsas denúncias, só lhe restou o recurso aos mais descarados argumentos da extrema direita: o velho ataque ao MST e a Hugo Chávez, da Venezuela, a proposta da criação de um Ministério da Segurança – no estilo do mesmo organismo instituído por George W. Bush – o discurso de condenação ao Irã, para agradar à Israel e aos Estados Unidos – que, por sinal, foram os únicos países a votar contra o fim do embargo americano à Cuba, que acaba de ser aprovado em sessão da ONU – e até a sua própria adesão aos cultos pentecostais, com pungentes leituras de Bíblia e piedosas profissões de fé. Enquanto seus asseclas – camuflados pelo anonimato – fazem sórdidas denúncias por telefone, outros cabos eleitorais de aluguel distribuem panfletos com as mesmas ou outras inverdades.  Continua

 

 

24 de outubro de 2010

 

Assim como aconteceu nos casos de denúncia de corrupção e do tema do aborto, o episódio da quebra do sigilo de pessoas ligadas ao candidato da oposição representa mais um momento em que o feitiço tão longamente planejado e executado se volta contra o calejado feiticeiro. A revelação de que essa violação da privacidade do indivíduo – apontada por José "O Estripador" Serra como realizada sob a inspiração de Dilma Rousseff – foi na verdade produto do chamado fogo amigo, ou seja, tramada por Aécio Neves, seu adversário à postulação presidencial no PSDB, desmoraliza ainda mais o candidato e retira qualquer credibilidade às suas denúncias. Continua

 

 

21 de outubro de 2010

 

No início do filme La chinoise de Jean-Luc Godard, o ator Jean Pierre Léaud – no papel de um militante de uma célula maoísta – explica o que é o teatro contando a seguinte história:

- Em Moscou, depois de fazerem uma manifestação diante do túmulo de Stalin, jovens militantes chineses são agredidos pela polícia soviética. No dia seguinte, na sede da embaixada chinesa e diante de toda imprensa ocidental (especialmente repórteres de Life, France Soir, etc.), aparece uma pessoa com o rosto completamente enfaixado e que fala com emoção:

- Vejam, vejam o que me aconteceu, vejam o que esses revisionistas me fizeram! Continua

 

 

20 de outubro de 2010 

 

Ademar de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf, José Serra

 

No tempo em que as campanhas eleitorais eram feitas com muitos comícios, conta-se que o ex-governador de São Paulo Ademar de Barros – em um desses eventos – entusiasmado com a defesa que fazia de sua própria moralidade pública, subitamente declarou:

– No bolso desta calça nunca entrou o dinheiro do povo! Continua

 

 

18 de outubro de 2010

 

Os tempos mudam: duas histórias sobre Fernando Gabeira

 

Belo Horizonte, 1963. Flávio Márcio, do jornal Correio de Minas, escreve uma crítica sobre um filme interpretado por Jean-Paul Belmondo. O editor-chefe, Fernando Gabeira, considera que a crítica faz um elogio dos predicados físicos do ator e demite Flávio Márcio, jornalista que mais tarde iria se tornar o premiado autor da peça Réveillon. Na época, o estalinista Gabeira era homofóbico. Convidado a substituir o jornalista demitido, tive a oportunidade de publicar – aos 16 anos de idade – o meu primeiro artigo num jornal. Continua

 

 

17 de outubro de 2010

 

O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras de 2010 estabeleceu de maneira inesperada a vitória do obscurantismo no País. Na falta de um projeto consistente que seduzisse o eleitorado, o candidato de oposição recorreu a denúncias de violação de sigilo, práticas de corrupção e, por fim, à posições religiosas polêmicas como uma suposta defesa do aborto advogada pela candidata do governo, ampla favorita nas pesquisas. Continua

 

 

15 de outubro de 2010  

 

Há 50 anos, uma eleição presidencial galvanizava a atenção dos norte-americanos. De um lado, o vice-presidente Richard Milhous Nixon, candidato do conservador Partido Republicano e de outro, John Fitzgeral Kennedy, um jovem senador do estado de Massachusetts, representando o Partido Democrata. Continua

 

 

12 de outubro de 2010

 

José Serra é uma superbactéria alienígena que Dilma Rousseff precisa debelar

 

Vivemos hoje um momento dramático da história de nosso País. É difícil acreditar que o epicentro da conspiração que se movimenta para derrotar o atual governo se encontre no território brasileiro. Seu arco é tão extenso e suas ambições são tão amplas que envolvem as estratégias de dominação mundial da superpotência americana. Vivemos uma crise econômica sem precedentes em que a necessidade de controle dos recursos energéticos vêm desencadeando os grande acontecimentos do planeta nos últimos 20 anos. Ao mesmo tempo, o crescimento industrial experimentado a partir do florescimento do modelo neoliberal alterou a correlação de forças anterior, proporcionando a emergência de novos países como motores do comércio internacional. Continua

 

 

11 de outubro de 2010

 

Este é o político que se auto-proclamou o "melhor deputado da Constituinte de 1988". O relatório do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) desmente categoricamente mais essa mentira e, na verdade, prova o contrário: José "O Estripador" Serra talvez tenha sido um dos piores representantes do povo. Veja o comportamento do homem que vai "salvar" o Brasil em questões como estabilidade no trabalho (contra), jornada de 40 horas (contra), salário mínimo real (ausente), direito de greve (ausente), férias/13º salário e aviso prévio proporcional (ausente), comissão de fábrica (contra) e monopólio da distribuição do petróleo (contra), entre muitos pontos em que se omitiu ou se posicionou contra os trabalhadores. Sua média final não poderia ser outra: 3,75. Continua

 

 

10 de outubro de 2010

 

"Quem perdoa o inimigo, na mão lhe cai!"

 

Em 2003, logo depois de tomar posse, Luís Inácio Lula da Silva concedeu ao seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o foro privilegiado para questões judiciais. A decisão de Lula frustrou o desejo de uma grande maioria dos seus eleitores, que desejavam um juízo político do ex-presidente e a apuração dos inúmeros crimes de lesa-pátria de seu governo, com a revelação de como se deu a doação da economia nacional ao capital estrangeiro, o uso das chamadas "moedas podres", as negociatas que envolveram as privatizações, a compra de votos para a obtenção de sua reeleição, etc. Continua

 

 

9 de outubro de 2010

 

Do livro de Aloysio Biondi, O Brasil privatizado: um balanço do desmonte do Estado, esse é o resultado do esquartejamento da economia nacional promovido pela camarilha PSDB-DEM-PPS que hoje quer voltar a dominar o País. Continua

 

 

8 de outubro de 2010

 

Todas as eleições presidenciais no Brasil – e foram poucas as realmente representativas na nossa história republicana – sempre apresentaram um dramático caráter plebiscitário. A notória falta de participação da cidadania leva a uma exploração do aspecto emocional das questões políticas e a população vota como se estivesse realmente decidindo o destino da Nação. Mas nem sempre o faz bem, deixando-se enganar muitas vezes pelos exemplares políticos da demagogia mais barata. Foi assim com Jânio Quadros em 1960 e com Fernando Collor em 1989. Em ambos os casos, esses falsos profetas se serviram da bandeira da moralidade e da regeneração dos costumes – temas dos quais estariam longe de serem os verdadeiros paladinos, como a história futura viria comprovar – e a sociedade brasileira pagou um alto preço por suas escolhas erradas, já que não obtivemos a moralidade pública prometida nem os avanços sociais propostos pelos candidatos derrotados. Continua

 

 

21 de setembro de 2010
 


O fantasma na máquina

 

À medida que se aproxima o final da campanha eleitoral e vão se definindo as preferências dos eleitores, ressurgem como sempre – e de maneira assombrosa – os velhos traumas e fantasmas, despertados pela lembrança de fatos vividos no nosso passado mais recente.
 

A polarização da disputa, que coloca de um lado uma velha classe política e partidários de um modelo muito perverso de desenvolvimento econômico hoje em franco declínio em termos de apoio popular – que recorrem a táticas de denúncias de escândalos de corrupção nem sempre comprovados – e de outro a candidata oficial, amparada pelo apoio de um presidente com imensa popularidade, traz a sensação de que as elites mais reacionárias que dominam este país há muitos séculos preparam um dramático e provavelmente muito bem calculado ataque final. Continua

 

 

 

19 de setembro de 2010
 

Votem em mim e esqueçam o que eu falei!

 

As pessoas podem ter tudo o que querem. O problema é que não querem nada.

Foi desta forma que votaram no dia das eleições.

                                                    Eugene Debs (1855-1926), líder socialista norte-americano

 

Para um país com baixa participação da cidadania – no século passado foram poucas as oportunidades que tivemos para eleger um presidente da República – chega a ser surpreendente que 2010 represente a sexta eleição consecutiva desde o fim da ditadura em 1985. Esta pequena continuidade não contribuiu entretanto para uma maior politização do eleitorado ou uma melhor qualificação moral e intelectual dos candidatos.

 

O atual processo eleitoral revela também o abandono das antigas posições de esquerda de pelo menos dois dos três principais candidatos – já que José Serra vem assumindo compromissos com a direita desde a Constituição de 1988 – embora esses postulantes apresentem em comum os mesmos discursos demagógicos e populistas. Continua

 

 

7 de outubro de 2010

Jesus Cristo para Presidente

ou, quem sabe, o Diabo para Primeiro-Ministro?

 

Enquanto escrevo estas linhas, está em marcha o mais sinistro plano de toda a história do Brasil. Seus personagens? Os latifundiários agrupados em torno da União Democrática Ruralista (UDR), responsável pelo assassinato de milhares de camponeses nesse País; militantes das organizações proto-fascistas Tradição, Família e Propriedade e Opus Dei; criminosos do colarinho branco; banqueiros parasitas sugadores do sangue do povo; vendilhões da pátria entrincheirados num partido chamado PSDB; traficantes de notícias auto-proclamados defensores da imprensa livre; comunas arrependidos do antigo Partidão hoje engajados numa espécie de leninismo de direita; ex-stalinistas travestidos de ecologistas; ONG’s financiadas pelo império americano; ladrões, escroques e fraudadores de todas as espécies e até um ex-presidente da República. Continua

 

 

23 de março de 2010
 

A camuflagem do passado

Taí, fica o dito e o redito por não dito¹

 

Com a astúcia de quem sobreviveu a mais de cinco décadas de vida política no país, Tancredo Neves disse uma vez que “no Brasil, a versão é mais importante do que o fato”.


Na verdade, toda a nossa história tem sido marcada por esta prática: sonegação de documentos referentes ao Brasil Colônia pela metrópole portuguesa, falsos relatos acerca da descoberta do nosso território, que atribuem ao acaso um planejamento sabidamente rigoroso fruto de largo conhecimento adquirido na escola de Sagres, versões fabricadas sobre acontecimentos de grande importância para a constituição do nosso país como a Conjuração Mineira – chamada depreciativamente de (In)confidência pela Coroa de Lisboa – parvas informações e noções distorcidas sobre revoluções regionais no Brasil do final do século 18 e do século 19 como a Revolta dos Alfaiates da Bahia, a Cabanada e as revoluções de 1817 e Praieira em Pernambuco, a Farroupilha do Rio do Grande do Sul e a Cabanagem do Pará, entre outras, sem falar na transformação de Domingos Fernandes Calabar de herói em traidor, segundo a ótica do dominador local e de além-mar.
Continua

 

 

28 de dezembro de 2009
 

O cinema no Brasil: do cangaço aos shopping centers...

 

As décadas de 60 e 70 foram o momento em que a 7ª Arte do século passado produziu algumas das suas mais belas obras. Nesse período afloraram, entre outros, a nouvelle vague francesa, o novo cinema americano, inglês e alemão, a grande escola italiana, o cinema japonês, a renovação russa de Paradjanov e Tarkovsky, além das várias manifestações cinematográficas do Terceiro Mundo na América Latina, na África e na Ásia. O cinema brasileiro se inseriu nesse processo de grande criatividade vivida no período. No entanto, quando consideramos as obras cinematográficas produzidas no Brasil, o número de filmes extraordinários é ainda pequeno se comparado à grande arte fílmica da Europa – especialmente aquela produzida na Itália, Alemanha, França e União Soviética –, dos Estados Unidos e do Japão. Continua

 

 

18 de novembro de 2009
 

O testamento de Dr. Jekyll

 

Apontada por analistas das mais diversas tendências como James Petras, Noam Chomsky, Paul Craig Roberts e Fidel Castro, a fulminante ascensão de Barack Hussein Obama ao poder marcou a retomada da política mais agressiva dos Estados Unidos na América Latina. Desde a invasão do território do Equador, ainda no final do governo Bushinho, até o golpe fascista em Honduras e o mais recente episódio da instalação das sete bases americanas na Colômbia, sem esquecer a tentativa de desestabilização do governo de Evo Morales na Bolívia – que levou à expulsão do embaixador e ao rompimento de relações – a política gringa volta a mostrar o seu lado mais truculento, que não emergia de forma mais explícita desde o frustrado golpe de Estado contra Chávez em abril de 2002, na Venezuela. Continua

 

 

5 de setembro de 2009
 

La fièvre monte à Tegucigalpa:
Buñuel e Obama na América Latina

 

 

Luis Buñuel é uma das mais ricas e complexas personalidades da história do cinema. Sua vasta obra, que se estende por quase cinco décadas, começa com Un chien andalou e se encerra em Cet obscur objet du désir numa atmosfera fantástica e ao mesmo tempo rigorosamente lógica.
 

Situações de grande dramaticidade são narradas em um estilo direto que expõe personagens no limite de tensões psíquicas, causadas por opressões interiores especialmente de origem sexual. O rico universo de seus filmes já foi analisado sob os mais diferentes ângulos por artistas e pensadores como Octavio Paz, Glauber Rocha e Paul Schrader. Continua

 

 

 

 

 

 

 

17 de julho de 2009
 

Os festivais de cinema na era das novas técnicas de reprodução digital

 

 

Na década de 60 do século passado, o Cinema Novo brasileiro – não conseguindo acolhida nas salas de espetáculo do país – obteve grande receptividade nos festivais da Europa e Ásia, onde recebeu sucessivamente muitos prêmios por mais de uma década.
 

Enquanto as salas de exibição do Brasil, controladas por grandes redes – Luiz Severiano Ribeiro, Circuito Haway, Metro, Ouro, Paris e Art Films – fechavam os espaços para um tipo de linguagem ci-nematográfica considerada difícil e pouco comercial, os espectadores europeus dos festivais de Pesaro, Locarno, Karlov Vary, Biarritz, Clermont-Ferrand, Berlim, Veneza e até mesmo Cannes se extasiavam diante de um estilo fragmentado e inquieto, às vezes excessivamente discursivo, considerado maladroit pela crítica francesa, mas impulsionado por uma energia que só poderia vir de um Terceiro Mundo (um conceito muito em evidência na época) em busca do seu próprio destino. Continua

 

 

 

3 de julho de 2009
 

Para os outros, revoluções coloridas; na América Latina, os golpes fascistas de sempre

 

Subitamente, situações vividas em um passado não muito distante reapareceram na história do nosso continente. Um presidente constitucional de uma pequena e pobre nação da América Central é capturado por um grupo de homens encapuzados vestindo uniforme militar e levado para um país vizinho. Com algumas pequenas diferenças de detalhe, esta foi uma situação muito familiar vivenciada pelos cidadãos da América Latina nos anos 1960 e 1970.
 

No caso de Honduras, ocorrido no último dia 28 de junho, um domingo escolhido para a data de uma sondagem destinada a conhecer a opinião dos cidadãos do país sobre a possibilidade de instalação de uma futura Assembléia Nacional Constituinte, o fato representou a destituição do presidente Manuel Zelaya, o corte de fornecimento de energia elétrica e de telefone, a interrupção da transmissão de estações de rádio e televisão, o sequestro de pelo menos uma ministra de Estado e alguns embaixadores e a exibição de cenas que – não tivesse o acontecimento o potencial dramático de envolver o risco de vidas humanas – conteriam as peculiaridades de uma verdadeira ópera bufa. Continua

 

 

 

 

 

22 de junho de 2009
 

A revolução em videoclipe

 

No início do filme La chinoise de Jean-Luc Godard, Jean Pierre Léaud – no papel de militante de uma célula maoísta – explica o que é o teatro contando a seguinte história:


– Em Moscou, depois de fazerem uma manifestação diante do túmulo de Stalin, jovens militantes chineses são agredidos pela polícia soviética. No dia seguinte, na sede da embaixada chinesa e diante de toda imprensa ocidental (especialmente repórteres de Life, France Soir, etc.), aparece uma pessoa com o rosto completamente enfaixado e que fala com emoção:


Vejam, vejam o que me aconteceu, vejam o que esses revisionistas me fizeram!  Continua

 

 

 

 

 

 

24 de maio de 2009
 

Estado de sítio virtual

 

Marshall McLuhan, o professor de literatura canadense que se transformou em profeta dos novos meios de comunicação, dizia nos anos 1960 que o planeta havia se tornado uma aldeia global. Na verdade, algum tempo antes um outro grande escritor, o autor de ficção científica Arthur C. Clarke, já havia esboçado o projeto de um satélite de comunicação que – girando continuamente sobre a Terra – criaria um permanente intercâmbio de informações.


Mais tarde, a infraestrutura montada para o projeto de um escudo espacial, chamado popularmente de Guerra nas Estrelas, proveu o arcabouço sobre o qual se constituiu a World Wide Web, conhecida hoje como Internet. Continua

 

 

 

21 de abril de 2009
 

Le Grande Irmão is... muy amigo
 

Considerando os enormes preparativos que a precederam, fracassou rotundamente a Cúpula das Américas, um encontro de todos os países da América que não conta com a participação de todos os países da América – por imposição do império americano.
 

Desta vez, a tentativa de tapar o sol com a peneira veio cercada por preparativos diplomáticos destinados a desfazer a imagem criada pelo genocida George W. Bushinho e procurou apresentar o novo presidente americano como o portador de uma renovada “política da boa vizinhança”, velho ersatz de que se servem os gringos quando querem nos usar para algum propósito em seu benefício. Assim, emoldurado por uma aura de homem amável e cordial, Barack Hussein Obama chegou à capital de Trinidad e Tobago, uma colônia de férias do Caribe para cidadãos com alguns recursos, trazendo a todos os países americanos a promessa de míseros cem milhões de dólares e suaves medidas de abrandamento do implacável embargo que os Estados Unidos vêm mantendo contra Cuba há quase 50 anos. Continua

 

 

 

 

 

8 de fevereiro de 2009
 

O novo Muro de Berlim
 

No prefácio do livro Os últimos combates de Robert Kurz, publicado no Brasil pela Editora Vozes em 1997, o ensaísta Alselm Jappe escrevia textualmente:
 

O capitalismo está chegando ao fim. A prova: a queda da União Soviética. (...) O colapso dos regimes do Leste não significa o triunfo definitivo da economia de mercado, mas um passo ulterior em direção ao ocaso da sociedade mundial da mercadoria.
 

Mais de dez anos depois, a crise financeira americana, que se espa-lhou rapidamente pela Europa e Ásia, expõe a primeira grande derrota do modelo neoliberal. Por outro lado, os gigantescos muros que separam Israel da Palestina e os Estados Unidos da América do território do México, e a carnificina deixada em Gaza após sua invasão por forças do exército de ocupação sinalizam a nova estratégia que começam a assumir as guerras coloniais. Essa estratégia se acentua à medida que a crise se agrava e as potências dominantes têm necessidade de se apossar de uma maior quantidade de território e de recursos estratégicos dos países periféricos. Continua

 

 

 

 

 

 

7 de janeiro de 2009
 

O genocídio como política de Estado
 

A enorme exibição de força destrutiva aplicada por Israel no bombardeio e invasão do território palestino, depois de um prolongado cerco de quinze meses que impediu a entrada de comida e o abastecimento de água e luz, pode na verdade ser também uma demonstração de fraqueza.
 

A escolha da data da ação militar – três dias após o marco histórico milenar em que os cristãos rememoram o nascimento do Filho de seu Deus – mais tarde entregue pelos judeus à autoridade romana para ser executado – não esconde a tentativa de criar um fato político que leve à vitória do Kadima, partido no poder criado pelo general Ariel Sharon, nas próximas eleições. Situado em segundo lugar nas pesquisas, atrás do Likud, agremiação de extrema direita de Benjamin Netanyahu, e assolado por acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Ehud Olmert, o Kadima necessita exorcizar os fantasmas dos colonos judeus trazidos principalmente da Europa Oriental sob o argumento da Terra Prometida – ainda que isso se faça com o emprego de uma monumental força militar – e estabelecer a paz em uma região conturbada por longos anos de conflito, mesmo que esta possa ser a paz dos cemitérios. Continua

 

 

 

 

 

 

27 de outubro de 2008
 

A vida sequestrada
 

A imagem ainda está muito viva na memória, apesar do longo tempo decorrido: numa noite fria do Natal de 1991, uma limusine russa corta as ruas de Moscou levando Mikhail Gorbatchev, o presidente que havia renunciado, de volta para casa. Depois de quase 70 anos, estava dissolvida a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Surgia a Comunidade de Estados Independentes, uma ficção política e jurídica e o “império do mal”, como foi chamado por Ronald Reagan, se tornava da noite para o dia um país capitalista. Continua

 

 

 

 

 

 

20 de outubro de 2008
 

A vertigem da memória
 

Estimulados, de um lado, pela busca desenfreada por efemérides promovida pelos órgãos de comunicação que, na ausência de uma política de análise séria e profunda da nossa história se socorrem na superficialidade do fait divers e, ao mesmo tempo, não podendo escapar à característica ôntica do homem como ser histórico e condicionado pelo milenarismo, vivemos no atual instante uma rememoração do ano de 1968, no ensejo do seu 40º aniversário. Continua

 

 

 

 

 

 

7 de março de 2008


A batalha da América Latina
 

Em boa hora e logo no começo do processo, Fidel Castro – um vitorioso estrategista político e militar hoje convertido em analista da globalização neoliberal – já advertiu sobre os tambores de guerra que começam a soar entre a Colômbia, país títere dos Estados Unidos na América do Sul, a Venezuela e o Equador.
 

Dadas as velhas práticas do império ianque – no momento em crise interna e externa – é de se acreditar que os propósitos da invasão e dos bombardeios do território equatoriano representem a repetição de uma estratégia genocida no subcontinente, que objetiva a transformação da Colômbia num país associado na região, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) – assim como todos os outros movimentos de libertação nacional – sendo tratados como uma espécie de “território palestino” sitiado. Continua
 

 

 

13 de dezembro de 2004
 

A fabricação do consenso
 

Torna-se visível neste momento um claro plano de deposição de governos constitucionais na América Latina. Este plano está sendo organizado por meio de mentiras, sabotagens, táticas de provocação e outros ardis e não descarta inclusive a utilização de assassinatos programados.
 

Não é a primeira vez que semelhantes atos são praticados. Seu objetivo é permitir que as potências hegemônicas continuem a se beneficiar de maneira quase exclusiva das riquezas estratégicas do subcontinente. Continua
 

 

 


 

 

9 de novembro de 2004
 

Não chores por mim, Embrafilme
 

Mais de 10 anos se passaram desde que – ainda no governo Sarney – a Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) começou a ser desmontada em sua estrutura pelo então ministro da Cultura Celso Furtado, para ser finalmente extinta alguns anos depois pelo ex-presidente Fernando Collor de Melo.
 

As razões apresentadas para o seu fechamento – má administração, nepotismo, desvio de recursos, corrupção generalizada – não parecem, entretanto, ter desaparecido do cenário da política cultural brasileira até hoje.
 

O fim da Embrafilme colocou em pânico uma parte da chamada classe cinematográfica do país – sobretudo aquela que havia engordado com as ricas verbas obtidas por meio da taxação compulsória imposta ao ingresso do filme estrangeiro, criada com o propósito de fomentar a produção do cinema brasileiro, mas que também estimulou o exercício de nepotismo a que se entregaram as sucessivas administrações da Empresa. Continua

 

 

 

 

 

 

20 de agosto de 2004
 

Dogville, uma história dos Estados Unidos que Hollywood não conta
 

“Esta é a triste história de Dogville (A cidade do cachorro), situada nas Montanhas Rochosas americanas durante a Depressão de 29.” Assim começa esse fascinante filme de Lars Von Trier, criador do movimento Dogma 95, diretor de Os Idiotas e Dançando no Escuro, e um dos mais criativos autores do cinema contemporâneo.


A história do filme se compõe de nove capítulos e um prólogo. Conta a fábula moral de uma cidade muito pobre, perdida no interior dos Estados Unidos, onde chega de repente – aparentemente fugindo de uma perseguição – uma jovem muito bonita.
Continua

 

 

 

 

 

6 de agosto de 2004

As ilusões da imagem
 

Uma harmonia invisível é mais intensa que outra visível.
                                                                 Heráclito
 

Após ter atravessado séculos como uma representação simbólica do real, a imagem chegou ao século 20 como a forma mais evoluída do realismo plástico. O cinema e a televisão irão exprimir de modo mais convincente essa obsessão ardente de verossimilhança.
 

É costume se dizer que foi o líder revolucionário Vladímir Ilitch Lênin quem primeiro vislumbrou as possibilidades carismáticas do cinema. No entanto, ainda em 4 de julho de 1917, o Chefe do Estado-Maior da Alemanha, General Erich Ludendorf, já alertava o Ministério da Guerra do Império, em Berlim, para o fato de que a guerra demonstrou a superioridade do cinema como meio de informação e persuasão: “Os filmes não perderão sua importância durante o resto desta guerra como meio de convencimento político e militar”. Continua

 

 

 

 

 

8 de outubro de 2001

 

Fragmentos de um manuscrito: diário de uma guerra fabricada

 

Os habitantes da terra se dividem em dois: aqueles que têm um cérebro mas não têm uma religião e aqueles que têm uma religião mas não têm um cérebro.

O destino nos demoliu como se fôssemos de vidro. E nossos destroços não se recomporão jamais.

Abdul Ala’a al-Ma’ari, poeta cego de Ma’arrat al-No’man, Síria, morto em 1057

 

O primeiro dia depois dos ataques americanos ao Afeganistão, um dos países mais pobres da terra. Será esse o começo de uma nova era? Rumores de uma possível guerra bacteriológica nos Estados Unidos da América (EUA), não muito diferente das que os americanos fabricaram em Cuba, no Vietnã e em outros países do planeta. O feitiço estará se voltando contra o feiticeiro? Fala-se de um novo tipo de conflito: a guerra assimétrica, enquanto o cenário de medo parece ser a atmosfera que nos reserva o futuro. Continua