Ensaios Audiovisuais

 

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Compreendendo um período de mais de 40 anos, estes filmes, vídeos e fotografias – embora pertençam ao gênero do documentário – podem ser consideradas como uma forma de “ensaios audiovisuais”. Representam quase uma autobiografia intelectual reminiscente de leituras, filmes vistos e revistos e algumas reflexões acumuladas.

Propondo-se expressar a opulência de imaginação, a multiplicidade de símbolos, a poesia e a música que fazem parte da história do homem dos trópicos, seus temas vão da ecologia e dos primeiros habitantes de nossa Terra a observações sobre a cultura européia, passando por dois momentos da criatividade brasileira: a grande arte mestiça do Barroco mineiro, que produziu Aleijadinho, e a música popular contemporânea de Milton Nascimento.

 

Descrevendo uma trajetória, este conjunto de filmes e vídeos não esquece a luta do homem das Américas – o nativo autóctone, o negro de origem africana e o branco descendente de europeus – com seus sacrifícios fecundos, esperanças perdidas e renascidas, na busca da libertação diante de seus opressores.

Incorporando o sentido etimológico de ensaio como experimento, forma ainda não acabada, os documentários rejeitam a tendência dominante do produto similar em evidência, com seu caráter naturalista calcado na sucessão incessante de entrevistas, no enquadramento posado e na montagem alternada de corte acadêmico, e procuram privilegiar o plano-sequência, a continuidade da percepção dos sentidos do olho e do ouvido, evitando ao mesmo tempo o discurso unidirecional que aponta para um tom falsamente didático.

Como um equilibrista em um exercício de trapézio, estes ensaios audiovisuais oscilam entre o necessário rigor de   estilo da forma clássica e a persistente sedução do imponderável.

 

Sérvulo Siqueira