Fim de Festa

 

Fim de Festa

 

Direção: Paulo Porto. Roteiro e diálogos: Péricles Leal, Gilberto Braga e Paulo Porto. Argumento: Péricles Leal. Fotografia e Câmera: Antônio Gonçalves. Montagem: Rafael Valverde. Trilha musical: Paulo Santos. Cenografia e figurinos: Arthur Maia. Diretor de Produção: José Oliossi. Produtor executivo: Paulo Porto. Elenco: Paulo Porto (Marcelo), Maria Fernanda (Márcia), Denise Bandeira (Tânia), Zaira Zambelli (Lena), Manfredo Colassanti, Anselmo Vasconcelos, Roberto de Cleto, Shulamith Yaari, Perla Lucena, Rafael Ponzi, Márcio Augusto, Beth Buarque, Angelina Muniz, Deny Perrier, Paulo Neves, Jurandir Silva, Roque Bittencourt e o povo de Angra dos Reis. Produção: Ventania Filmes, Embrafilme, J. B. Tanko. Distribuição: Embrafilme. Brasil, 1979.

 

 Paulo Porto rodou em Angra dos Reis - um cenário familiar em sua carreira - quase todas as seqüências de Fim de festa, seu terceiro filme como diretor. Buscando associar um padrão médio de qualidade técnica e artística ao gosto do público pelo drama burguês irreverente, Paulo trabalha sobre uma história de Péricles do Amaral, Vida Provisória, titulo que já foi utilizado por Mauricio Gomes Leite em seu primeiro longa-metragem.

Jogos amorosos em diferentes combinações constroem o enredo de Fim de festa. Marcelo, tornado rico em razão de seu casamento com Márcia, aporta em Angra dos Reis e se apaixona por Lena, que lá vive num barco com uma amiga entalhadora, Tânia: esse é o primeiro triângulo. Depois, Marcelo e Tânia se enamoram e o segundo triângulo se transforma praticamente um quadrilátero. O terceiro triângulo é menos convencional: Márcia, Tânia e Lena.

Segundo Paulo Porto, seu filme, como os dois anteriores, trata dos problemas do homem e da mulher em conflito com os fatos sociais, econômicos e morais que os cercam: os personagens "estão sempre lutando pela liberdade de ser o que são". Além de dirigir, ele faz em Fim de festa o papel de Marcelo, e nisso não vê qualquer dificuldade. Mais difícil lhe parece definir o filme:

Embora muitos diretores não gostem de confessar, cada filme tem um modo de ser quando o iniciamos, transforma-se durante as filmagens e no final surge com uma nova dimensão: sequências, enfoques e até personagens não previstos. Sem falar no título, que acidentalmente terminou sendo o mesmo de filme do diretor argentino Torre-Nilsson. Pura coincidência. Peço desculpas.

 

Sérvulo Siqueira

 

Matéria publicada na revista Filme Cultura, 33, maio de 1979