de novembro de 2018

 

No Brasil não apenas as notícias são falsas, os governos também...

 

Na noite de sábado do último dia 27 de outubro, poucas horas antes da abertura das urnas para a eleição presidencial no Brasil, parecia que a realidade tinha se invertido radicalmente.

De algoz do PT e principal julgador do processo do mensalão, além de responsável direto pela prisão de José Dirceu e de outros dirigentes petistas, o ex-ministro Joaquim Barbosa havia se convertido em aliado ao formalizar a sua adesão tardia à candidatura de Fernando Haddad. Simultaneamente e de forma paradoxal, Ciro Gomes – com sua posição de se abster de anunciar o voto – subitamente se convertera em aliado do fascismo e era mostrado como um “coroné” do Ceará.

Muitos dos comentários eram publicados nos antigos blogs chapa branca dos tempos de Lula e Dilma, escritos por colaboradores que naquele tempo também apresentavam programas das televisões públicas ou trabalhavam em órgãos de assessoria e comunicação do governo, haviam sido beneficiados por generosas aposentadorias por terem lutado contra o regime militar, enfim, que de alguma maneira tinham desfrutado de uma “boquinha” que o Estado graciosamente lhes proporcionou.  Continua

 

 

19 de outubro de 2018

 

Pequenas reflexões à beira do abismo

 

Holden Caulfield, o célebre personagem de O apanhador no campo de centeio, novela emblemática da contracultura no século 20, se considerava uma espécie de “sentinela do abismo”, imbuído da missão de evitar que as pessoas caíssem no precipício.

No Brasil dos dias de hoje, alguém que incorporasse o desejo do personagem de J.D. Salinger, poderia pensar que:

1. O governo de Luís Inácio Lula da Silva, embora tenha proporcionado uma melhor qualidade de vida aos brasileiros, perdeu a batalha pelo poder porque não foi capaz de oferecer à população uma verdadeira consciência política de suas reais necessidades e de seus direitos e se limitou em grande parte a um programa assistencialista.

2. Em consequência, permitiu que as reivindicações se transferissem para o tema da corrupção que – como sempre – foi conduzida pelas classes dominantes, que detêm o controle dos meios de comunicação e de todo o aparato do Estado: poder legislativo, judiciário e órgãos de repressão.

3. Com o apoio dos meios de comunicação – esta prostituta muito pouco respeitosa da nossa pátria – esses estamentos fabricaram as maiores mentiras sobre os governos do PT: a “maior corrupção da história do Brasil”, investimento em Cuba, tríplex de Lula sem escritura de compra, entre muitas outras aleivosias, e nunca tiveram a honestidade de mencionar as boas realizações dessas administrações.  Continua

 

 

5 de outubro de 2018

 

Uma terra em transe

Há 29 anos, nesta mesma época do ano, o Brasil vivia uma situação completamente diferente, embora o clima populista da campanha – com Fernando Collor se dirigindo à população mais pobre, “os descamisados”, e sua pregação contra a corrupção e os chamados “marajás” – tivessem pontos de semelhança com os dias de hoje.

A campanha, especialmente a de Lula, transcorreu num clima de festa e celebração democrática. Os slogans cantados aos quatro ventos: Lula lá e Sem medo de ser feliz pareciam prenunciar um novo tempo num país que há também exatos 29 anos não escolhia seu presidente.

Da mesma maneira, Leonel Brizola, o outro candidato das forças populares, também galvanizava um grande apoio da população em razão de seu longo e coerente compromisso com os menos favorecidos da nação.

Resultou que – por uma margem muito pequena – Lula alcançou uma votação que o levou ao segundo turno com Collor. E ocorreu então que – ao final de uma campanha sórdida em que não faltaram os golpes mais sujos − Collor obteve aproximadamente três milhões de votos a mais do que Lula e se tornou presidente.

A derrota – ocorrida em uma situação não muito clara – serviu no entanto para catapultar o prestígio do Partido dos Trabalhadores e atraiu a atenção de uma parcela ainda maior da população para o projeto da agremiação e em 2002, 13 anos depois, o PT iria chegar ao poder no Brasil com o apoio de mais de 60% da população. Continua

 

 

29 de setembro de 2018

 

O eleitor brasileiro não deve se deixar enganar

Não tema o inimigo porque o seu inimigo somente pode tirar a sua vida. É muito melhor que você tema os meios de comunicação porque eles podem roubar a sua HONRA. Este poder horrível, a opinião pública de uma nação, é criado na América por uma horda de simplórios ignorantes e autocomplacentes que não são capazes de cavar um buraco ou fazer um sapato e buscaram o jornalismo para chegar à casa do povo mais pobre. (Mark Twain)

 

Se as pesquisas eleitorais – que apontam a chegada ao segundo turno de dois candidatos com programas inconciliáveis − estiverem certas, estamos à beira de umas das maiores crises institucionais de toda a história do Brasil. Embora seus programas pareçam radicalmente opostos, os partidos envolvidos na disputa apresentam alguns pontos em comum: um deles é que– na hipótese de que seus projetos sejam postos em prática − estes poderão levar o país, por razões diferentes, a uma convulsão de amplas proporções.

Se de um lado o programa do dinossauro fascista – pela truculência que apresenta – deve provocar um clima de terror no país e pode suscitar reações de igual monta, o candidato do Partido dos Trabalhadores terá poucas condições de governabilidade uma vez o persistente trabalho dos meios de comunicação e os erros que seu partido cometeu nos quase 14 anos em que esteve no poder geraram um sentimento muito negativo em relação ao seu retorno. Continua

 

 

24 de setembro de 2018

 

O caminho inverso do PT

 

Para um país que – em outras eleições presidenciais – preferiu Hermes da Fonseca a Rui Barbosa, elegeu Eurico Gaspar Dutra contra Yedo Fiúza e Eduardo Gomes, votou por Jânio Quadros contra o Marechal Lott, optou por Fernando Collor ao invés de Leonel Brizola e – por duas vezes consecutivas – derrotou Luís Inácio da Silva numa competição contra Fernando Henrique Cardoso, não será surpresa se daqui a aproximadamente 15 dias se decidir por Fernando Haddad em desfavor de Ciro Gomes, permitindo que o candidato do PT caminhe para um segundo turno onde poderá ser derrotado por um dinossauro fascista.

Para que isto venha a acontecer, no entanto, o PT terá que enfrentar inúmeros obstáculos. Continua

 

 

19 de setembro de 2018

 

Fernando Haddad: Héctor Cámpora ou Juan María Bordaberry?

 

A América Latina, que também foi chamada de América Latrina durante o tempo em que se transformou na lata de lixo dos Estados Unidos, provavelmente já passou por momentos semelhantes a estes que estamos agora vivendo no Brasil.

Quando em 1972, a ditadura argentina convocou eleições como um meio de escapar à uma violenta confrontação social mas impediu a participação de Juan Domingo Perón que estava no exílio e havia sido por cerca de 30 anos o mais importante líder político do país, o dirigente justicialista Héctor Cámpora se elegeu Presidente da República com o lema “Cámpora no governo, Perón no poder”.   

Durante seu breve governo de menos de dois meses, propôs um pacto social entre sindicatos e empresários que sustentou seu programa de industrialização, adotou uma política internacional voltada para a defesa dos países do Terceiro Mundo, estabeleceu uma aliança com o movimento estudantil e fortaleceu as universidades. Alcançou grande repercussão também a medida de abrir as prisões e libertar todos os prisioneiros – políticos ou não – que haviam sido encarcerados pela ditadura. Continua

 

 

17 de setembro de 2018

 

O falso dilema entre a pseudoesquerda e a direita rancorosa

As próximas eleições presidenciais ocorrem num momento de grande obscurecimento do país, com a vigência de um governo ilegítimo nascido de um golpe jurídico-midiático-parlamentar, um desemprego em larga escala, a entrega do patrimônio público ao capital estrangeiro e a perspectiva de vitória de um projeto de governo fascista no Brasil.

De um lado se apresenta um candidato que prega abertamente o ódio e encarna o sentimento mais sombrio do preconceito e da recusa da convivência com o contraditório, o que pode ser caracterizado como o epítome do obscurantismo.

De outra parte, o candidato do Partido dos Trabalhadores que – depois de ter esperado no banco de reserva que o titular do posto fosse declarado inelegível – entra no campo de jogo destituído de luz própria porque, de imediato, já se apodera de ideias de um opositor, o candidato Ciro Gomes.

Ao agir desta forma, Fernando Haddad corrobora a conduta de seu líder Luís Inácio da Silva que – usando métodos pouco ortodoxos e descartando os laços de amizade e os escrúpulos que conviriam ao caso – impediu que o candidato do Partido Democrático Trabalhista construísse uma aliança com o Partido Socialista Brasileiro, o que lhe permitiria desfrutar de um tempo de propaganda um pouco maior no horário eleitoral do rádio e da televisão. Continua

 

 

10 de agosto de 2018

 

 Jornalismo alternativo, o rato Danilo e outros roedores  no gulag mineiro

 

Em janeiro de 2014, a redação do NovoJornal, órgão de informação publicado na Internet, foi empastelada e todo o equipamento utilizado para a sua edição apreendido pela Polícia mineira. Ao chegar para o trabalho às seis horas da manhã, seu editor, o jornalista e publicitário Marco Aurélio Flores Carone, foi preso no mesmo local por um delegado, um promotor de justiça e oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais.   

Apenas duas horas depois, o jornalista Geraldo Elísio recebia a visita de uma unidade da Polícia Civil comandada por um jovem delegado e parte do seu equipamento de trabalho – um netbook, pen-drives, HD externo, agendas telefônicas, etc. – também era apreendida. Continua

 

 

 

 

12 de julho de 2018

 

A festa acabou...

                                                                   

Até a primeira metade do século 20, houve um relativo equilíbrio entre a Europa e a América no esporte do futebol. No entanto, no início do século 21 os países do hemisfério sul já lideravam em número de vitórias na Copa do Mundo da FIFA com cinco conquistas brasileiras, duas uruguaias e duas argentinas contra três da Itália, três da Alemanha, uma da Inglaterra e uma da França.

A ascensão do futebol da América do Sul, comandada pelo Brasil na segunda metade do século passado, coincidiu com a emergência das lutas de libertação econômica e política dos países do Terceiro Mundo na América, África e Ásia.

Com a implantação do modelo neoliberal no mundo partir dos anos 1980 e o progressivo envolvimento das grandes corporações multinacionais nos proveitos econômicos do jogo, o futebol foi perdendo o seu caráter de arte e habilidade e passou a ganhar características de força e esquematização tática. As etiquetas com as marcas das grandes empresas que são mostradas atrás dos participantes do jogo durante as entrevistas realizadas após as partidas ilustram este caráter estrito de promoção comercial do espetáculo do futebol. Continua

 

 

A esperança dos desesperançados

 

Com a prisão de Lula, fecha-se mais um ciclo na história do Brasil: o de uma tentativa de caráter social-democrata para resolver as enormes desigualdades econômicas e sociais deste país. Inicia-se um novo período, com o retorno do modelo autoritário – que prevaleceu durante a maior parte da existência do nosso Bananão − desta vez sob uma híbrida forma de fascismo: regido economicamente por tecnocratas que puxam os cordéis no pano de fundo da cena e representado publicamente por um títere qualquer: insípido, inodoro e incolor como o atual Drácula de plantão.

Compondo ainda melhor este cenário infausto, os meios de comunicação – qual uma prostituta sem nenhuma respeitabilidade – proporcionam uma atmosfera de vaudeville, em que não faltam representações da mais baixa escatologia: assassinatos, consumo desbragado de drogas e sexo quase explícito no meio da tarde para crianças impúberes. Pairando sobre esta atmosfera, se postam os poderes constituídos: o Congresso Nacional composto pelas bancadas da bala, da bola, do boi, dos traficantes, dos latifundiários, dos donos de escolas e de hospitais, além de vários outros delinquentes de maior e menor porte. Além, naturalmente, da Justiça de nosso país, sempre a serviço dos poderosos e referendando o que já foi dito no passado:

− Aos amigos, favores. Aos inimigos, as penas da lei! Continua

 

 

Um dia no Bananão

A carta de Pero Vaz de Caminha; a permanência das capitanias hereditárias[1], as sesmarias[2]; a extração e pilhagem da madeira, do ouro e do diamante; o interminável processo de escravidão que já dura quase 500 anos, a exploração da cana de açúcar, da pecuária e da cafeicultura; o extermínio progressivo dos naturais da terra pelos capitães do mato, posseiros, empresas mineradoras e latifundiários; as guerras programadas contra nossos vizinhos a mando da Inglaterra; a matança sistemática dos membros do MST executada por capangas dos grandes proprietários de terra; a ganância e a usura dos banqueiros; a falta de ética profissional dos meios de comunicação que disseminam o ódio e a mentira; as tramoias e os complôs urdidos pelo imperialismo norte-americano; o assassinato deliberado dos nossos líderes populares; a criminalidade e a violência nas favelas, hoje eufemisticamente batizadas de comunidades; o número crescente de mortes no trânsito; as instituições prisionais, verdadeiros açougues humanos onde nenhum criminoso pode ser recuperado; o extermínio progressivo dos jovens negros nas periferias que, sem qualquer outra opção, são empurrados à criminalidade; o espírito corporativo da casta da justiça, que somente defende o interesse dos poderosos; a impunidade generalizada; a imensa disparidade social e econômica entre ricos e pobres; a distribuição de renda que se situa entre as piores do planeta; as dívidas interna e externa acumuladas pelo Estado em benefício de alguns poucos: todas estas monstruosidades de um país chamado Brasil mas que também poderia ser chamado de Bananão, praticadas ao longo de mais de cinco séculos, estiveram simbolicamente presentes no julgamento do habeas corpus de um ex-presidente da República no último dia 4 de abril. Continua


[1] Sistema de doação de terras a interesses privados que persistiu por mais de três séculos no Brasil.

[2] Instituto jurídico português criado para regularizar a distribuição de terras que apesar de abolido em 1822 – ainda exerce grande influência sobre a estrutura fundiária do país.

 

 

Intervenção no Rio: ensaio para uma guerra futura

 

Ao praticar um deliberado terrorismo de informação durante o último carnaval da cidade, fabricando algumas notícias e dando exagerado destaque a outras, a Rede Globo forneceu um pretexto ao governo golpista de Michel Temer para decretar uma nova intervenção do Exército nas zonas pobres do Rio de Janeiro.

Conquanto a medida não possa ser considerada uma novidade, desta vez ela apresentou alguns fatos novos ao transformar um general de Exército em novo comandante militar do estado.

Por trás de mais este gesto aparentemente intempestivo está o conceito enraizado no modelo neoliberal de que, como sua política urbana não consegue resolver os problemas dos bairros pobres da cidade, não cabe outra alternativa senão aniquilar esses lugares com o emprego das táticas mais sofisticadas e brutais. Continua

 

 

 

Quem tem medo das eleições na Venezuela?

Certamente o governo dos Estados Unidos que, inspirado pela doutrina do Destino Manifesto, acredita que o país deve continuar a ser por ainda muito tempo um quintal do Grande Irmão do Norte. Por certo a União Europeia que, herdeira do legado atávico do colonialismo que durante séculos escravizou e pilhou muitos povos no mundo, trazendo miséria e sofrimento à África e à América Latina, também não deve se alegrar com a manifestação de soberania de um pequeno país dos trópicos. Da mesma forma, os governos lacaios destas antigas potências imperiais: Argentina, Brasil, Chile, Peru, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Honduras, Guatemala, México e Canadá – como cachorrinhos amestrados do grande capital – que manifestaram o seu desagrado diante da votação, até porque com baixíssimo índice de popularidade deve lhes causar repulsa a convocação popular. Continua

 

(Pré) Salve-se Quem Puder

III. Continuando o legado de Fernando Henrique

Intoxicada pelos meios de comunicação e sem esperança, a sociedade brasileira assiste paralisada ao desmantelamento dos últimos estratos do Estado Social que persistiu no país durante os quase 14 anos da era Lula.

Consumada a revolução colorida deflagrada pelas ações de um juiz de Curitiba, a partir de informações fornecidas em espionagem perpetrada por órgãos de inteligência dos Estados Unidos, viu-se que a maré moralizadora que tomou conta da nação levou à formação de um governo altamente corrupto que vai pouco a pouco entregando ao capital estrangeiro os mais valiosos ativos econômicos do país. Continua

 

 

A Esquerda que a Direita gosta

Muitos brasileiros já terão notado e alguns até poderão sentir orgulho ‒ se é que orgulho é algo que se pode experimentar nos dias de hoje neste país ‒ porque começa a ocorrer nos Estados Unidos um fenômeno que vivemos desde 2014.

Assim como aconteceu logo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, os derrotados na recente pleito norte-americano recusam-se a aceitar o resultado final e deflagram um processo cujo objetivo último é impedir a posse do presidente eleito, Donald Trump, ou derrubá-lo posteriormente. Para isso se servem de um amplo leque de recursos que vai desde manifestações públicas organizadas com a participação de pessoas previamente contratadas, campanhas de sabotagem nos meios de comunicação  ‒ que lá como cá não passam de prostitutas sem a menor respeitabilidade ‒ apelos histéricos que levam a atos de violência, como prova o incontável número de partidários do candidato vitorioso que tem sido alvo de agressões físicas, além de outras formas de chantagens e pressões. Continua

 

 

 Agosto no Brasil: da tragédia de 1954 à farsa de 2016

O Brasil, que já assistiu à posse de Dutra, Café Filho, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, José Sarney, Collor, Fernando Henrique, viu ontem a entronização no poder de mais uma triste figura do nosso cenário político: o ex-suplente de deputado, ex-secretário de Segurança de São Paulo, ex-vice-presidente da República e atual Ficha Suja – portanto, inabilitado para o exercício de qualquer cargo público – Michel Temer como novo presidente da República.

Nenhuma dessas figuras demonstrou estar à altura dos desafios exigidos por um país das dimensões e tão cheio de contradições como o nosso e todos fracassaram em seu propósito.

Este deverá ser certamente o caso de Temer, que desembarca no comando da nação em decorrência de um golpe de estado parlamentar e sob o estigma da total falta de credibilidade. Continua

 

 

A miragem olímpica

A 31ª Olimpíada da Era Moderna, que se desenrola no momento no Rio de Janeiro, demonstra mais uma vez que a competição se encontra muito longe dos ideais do Barão de Coubertin, que as criou em 1896.

Apoiada em patrocínios milionários e envolvida pelos mais diversificados interesses políticos, a competição se transformou hoje num instrumento de propaganda e dominação das antigas e atuais potências econômicas sobre os países do Terceiro Mundo, com os atletas mais qualificados dos países pobres – que enfrentam dificuldades para competir com aqueles de países mais ricos − sendo cooptados para concorrer sob a bandeira da Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Estados Unidos, entre outros. Continua

 

 

O que temos de pior chega ao poder

Os historiadores do futuro terão farto material com que se ocupar quando olharem para o Brasil nos dias de hoje.

Na maior nação do hemisfério sul, a grande maioria de sua população de mais de 200 milhões de pessoas − entorpecida por um conglomerado de empresas de comunicação – assiste de forma quase impassível um governo legítimo, que ousou se valer de políticas de Estado para aliviar a miséria e a pobreza de amplos setores da população, ser derrubado por um parlamento composto em sua maior parte de políticos sob investigação judicial por ordem de uma oligarquia escravocrata e de interesses espúrios estrangeiros.

Isto ocorre em um país onde o exercício de uma sociedade democrática burguesa – com o pleno funcionamento dos poderes, os direitos dos cidadãos à saúde, educação, moradia e transporte, as garantias às minorias, a livre expressão das opiniões – jamais ocorreu de fato. Continua

 

A restauração fascista neoliberal

O golpe parlamentar- midiático-empresarial, que terá o seu desfecho dentro de mais alguns dias, é o resultado de um processo conspiratório que começou há algum tempo e que tem por objetivo a restauração do modelo neoliberal que foi implementado no Brasil por Fernando Henrique Cardoso. À medida que se aproxima a derrubada de Dilma Rousseff, a hidra golpista começa pouco a pouco a exibir os tentáculos, revelando seus mais recônditos objetivos. A partir de meados de maio, consumada a degola da presidente, mergulharemos numa atmosfera cada vez mais repressiva onde um estado policial irá progressivamente garantir a restauração da velha ordem neoliberal, que foi amenizada nos últimos 13 anos pelos programas assistencialistas dos governos de Lula e Dilma. Continua

 

 

1954/ 1964/ 2016: uma trama que se repete

Em um cenário de intensa manipulação, em que o real se confunde com o imaginário, quem vive no Brasil nos dias de hoje pode se considerar um protagonista de uma trama cujo enredo não foi concebido por aqui.

Quem urdiu essa história conhece certamente nossas características, qualidades e defeitos, mas é difícil acreditar que sejamos tão autodestrutivos que queiramos voluntariamente abandonar uma incipiente democracia representativa relativamente estável por um governo autoritário de tendência fascista que reprime a população, reduz seus direitos sociais e entrega as riquezas do país aos estrangeiros. Continua

 

 

A imprensa brasileira e a desinformação

Como já era de se esperar a imprensa brasileira ─ corrupta e submissa aos seus patrões do Norte ─ não vem noticiando que os acordos da nova parceria norte-americana que estão sendo celebrados com mais de 50 países da América Latina, Europa e Ásia não incluem os membros do BRICS e, portanto, excluem o Brasil.

Como os acordos que vão levar à TPP (Acordo Estratégico Transpacífico de Associação Econômica), à TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento) e à TISA (Acordo Sobre o Comércio de Serviços) foram mantidos em segredo e os termos da sua negociação permanecem até agora sigilosos, foram mobilizados vastos recursos financeiros que irão possibilitar o pagamento de propinas e subornos àqueles que tiverem acesso ao conteúdo secreto dos seus termos, assim como aos governantes que os assinarem. Continua 

 

 

 A Internacional Golpista está em marcha na América Latina

Depois de tentar sem sucesso derrubar o governo de Dilma Rousseff, alguns senadores reacionários do Congresso Nacional ‒ entre eles, dois candidatos derrotados para os cargos de presidente e vice-presidente na última eleição ‒ voltam a sua atenção para a Venezuela.

Ao invés de se preocuparem com a situação carcerária da grande maioria dos quase um milhão de prisioneiros do Brasil ‒ amontoados às centenas em celas infectas ‒ ou com a famigerada prisão de Guantanamo, território cubano ocupado pelos Estados Unidos em que os prisioneiros são mantidos incomunicáveis e submetidos a torturas pelos órgãos de segurança de Tio Sam, os parlamentares brasileiros se apressaram em verificar as condição em que se encontram alguns delinquentes políticos venezuelanos, especialmente Leopoldo López e Antonio Ledezma, já acusados e condenados por vários crimes. Continua

 

 

O espectro fascista e a nossa velha desordem

Setenta anos depois de derrotada nos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial as ideologias totalitárias do nazismo e do fascismo ressurgem, de forma explícita ou sob vários disfarces, em várias partes do mundo.

Enquanto na Ucrânia ‒ depois de um golpe sangrento que derrubou um presidente eleito ‒ o nazismo assume claramente o poder, em outros países e inclusive aqui no nosso querido Bananão a semente fascista volta a germinar depois que uma sórdida campanha eleitoral carregada de mentiras,  que contou com o completo apoio dos meios de comunicação, não conseguiu reverter o apoio popular à presidente reeleita. Continua

 

O Brasil que esteve presente em 15 de março de 2015

A PESADA HERANÇA HISTÓRICA ˗ A colonização do Brasil por Portugal, Inglaterra e Estados Unidos. Os mais de 400 anos de escravidão. As capitanias hereditárias. As sesmarias. A contínua pilhagem do país: os ciclos da cana-de-açúcar, do ouro, do gado, do café. A falsa proclamação da independência. A escravatura que não tem fim. O massacre das rebeliões dos séculos 18 e 19. O genocídio da população do Paraguai. O golpe da Proclamação da República. A política do “café com leite”. A fracassada revolta do Forte de Copacabana e a caça à Coluna Prestes. A intolerância política e o anticomunismo. A chegada silenciosa dos ianques. A conspiração contra Vargas e sua política nacionalista. A fundação da União Democrática Nacional (UDN) pelo embaixador americano. O suicídio de Vargas e a primeira tentativa de golpe contra um governo eleito. A eleição de Jânio, sua renúncia e a segunda tentativa de golpe contra um governo eleito. Carlos Lacerda, as mal amadas e a Marcha da Família com Deus Pela Liberdade. A campanha do Ouro pelo Bem do Brasil. O grande complô contra Jango e o golpe bem-sucedido de 1964. As perseguições políticas, as prisões, a tortura e o assassinato de adversários ideológicos. Os Inquéritos Policiais-Militares (IPMs), o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), o Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPES) e a Embaixada Americana: Vernon Walters e Lincoln Gordon. Os Atos Institucionais e a cassação de mandatos de governadores, deputados, juízes da Suprema Corte, etc... O fechamento do Congresso. Os assassinatos de Juscelino, Lacerda e Jango. A fabricação da dívida externa pelo governo militar de 1964-1985. A Censura e o fechamento dos jornais independentes. O apoio da grande imprensa à ditadura. As gigantescas manifestações populares e a queda do governo militar. A abrupta morte de Tancredo e a ascensão de Sarney. A Nova República e a grande frustração pela não concretização de um Brasil mais justo. Continua

 

O “monstro” voltou

Considerando o amplo histórico de agressões do declarante, as afirmações do governo americano de que a Venezuela é uma ameaça à segurança do país anglo-saxão devem ser interpretadas corretamente.

Levando ainda em conta o momento em que acontecem ‒ depois de uma tentativa de golpe organizada pelos ianques que foi frustrada por Maduro ‒ e após a humilhação imposta ao governo fantoche de Barack O’Bomber pelo genocida Netanyahu, lembram grotescos episódios da vida quotidiana em que o valentão que se acredita imbatível acaba sendo derrotado por um outro mais bem preparado ‒ e ‒ para descarregar a sua ira ‒ termina batendo num garoto menor.   Continua

 

 1964-1985: o fim da ditadura em um país sem democracia

 Há quase 30 anos, o Brasil comemorava o fim de uma ditadura militar que havia sufocado o país por 21 longos anos. O presidente eleito, Tancredo Neves, não pôde tomar posse por motivo de doença e foi substituído por seu vice, José Sarney, um baluarte do governo militar pelo qual havia sido nomeado governador do Maranhão e presidente da ARENA, partido da situação. Como sói acontecer com os ratos de porão, Sarney, ao lado de outros companheiros de partido como Marco Maciel e Antônio Carlos Magalhães, tinha decidido abandonar o navio que afundava. Continua

 

 

(Pré) Salve-se Quem Puder

II. A direita inquieta

O recente discurso de um notório deputado fascista do Estado do Rio de Janeiro ‒ conhecido pelas suas posições racistas e em defesa do estupro e da tortura ‒ não deve ser visto apenas sob o ângulo do abjeto teor de ofensa à dignidade física e moral da deputada Maria do Rosário.

Após condenar o comparecimento de Dilma Rousseff à reunião do que considerou ser "a escória da América do Sul", o deputado fascista demonstrou estar muito bem informado sobre o que aconteceu no encontro.

Suas observações revelam que exprimiu a posição de interesses muito poderosos que não parecem satisfeitos com as decisões que estão sendo tomadas na União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Sua condenação da abertura do espaço aéreo aos países membros do grupo expressa a posição dos Estados Unidos, a quem a medida não agrada, porque favoreceria um maior controle pelos países da América Latina das atividades de espionagem exercidas pelos ianques, especialmente por meio de seus aviões não tripulados. Continua


 

Da guerra de baixa intensidade ao golpe de estado planejado

A expectativa do império americano e seus asseclas no Brasil de que venceriam as eleições presidenciais do último 26 de outubro não se confirmou. Como resultado, as rivalidades se acentuaram e começam a assumir ares de um iminente confronto. O verdadeiro sistema de castas das sesmarias e capitanias hereditárias que se instalou no poder há mais de 500 anos não aceita a política populista de distribuição de renda proposta pelo atual partido hegemônico e coloca em ação todo o seu aparato infiltrado no Estado para impedir que o projeto vitorioso implemente o seu programa de governo.

Visando preservar os privilégios que adquiriu, serve-se dos instrumentos que utiliza desde a colonização mas como sabe que a imensa maioria da população brasileira não apoia uma intervenção militar busca outros métodos mais sutis de ruptura das instituições legais. Continua

 

 

A modernidade no Brasil

Um mito sempre renovado: as promessas contidas na tecnologia e os sacrifícios para a sua obtenção. “As carroças que se transformarão em veículos modernos”.

A modernização da infraestrutura e a necessidade de entregá-la ao capital privado.

As dores do parto: brutais aumentos das taxas cobradas pelas empresas dos serviços públicos.

A promessa se transforma numa miragem: a anunciada boa qualidade dos serviços públicos não se concretiza.

Com o abandono do campo, a cidade se converteu no símbolo da modernidade.  Continua

 

 

(Pré) Salve-se Quem Puder

I. O governo inseguro

 Como um povo colonizado durante séculos, sempre fomos condicionados a nos submeter a um sistema ou a um governante que o representava. Éditos reais e bulas papais determinavam os rumos e, como sempre, a inefável Santa Madre Igreja nos incutia falsos valores cristãos, que se convertiam rapidamente em dogmas de submissão e conformismo.

Quando esta estratégia não se mostrava suficiente, bastava que aparecesse um comandante militar que ordenaria aos meganhas: ‒ Senta o pau na macacada!  E a ordem voltava a reinar no terreiro.

Assim foi no final do século XVIII e XIX, quando movimentos nacionais como a Revolução dos Alfaiates na Bahia, a Inconfidência Mineira em Minas Gerais, a Revolução de 1817, a Confederação do Equador, a Praieira e a Cabanada em Pernambuco, a Cabanagem no Pará, a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, entre muitos outros, sofreram a mão dura do império português e da monarquia recém-instalada. Continua

 

 

O povo não foi bobo

 Os bancos, as grandes corporações que controlam há muito tempo este país, o agronegócio que espalha os pesticidas e cultiva sementes transgênicas, o oligopólio dos meios de  comunicação e a direita hidrófoba, Barack O'bomber e os neocons de Washington, os atlantistas da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (OTAN), George Soros e seu projeto de mais uma "revolução colorida" perderam uma importante batalha no dia de ontem. 

Vastos territórios brasileiros ‒ os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, todo o Nordeste e a maior parte da Amazônia, que ainda não foram integrados ao universo concentracionário dos conspiradores ‒ recusaram a aura fabricada de salvador da pátria do candidato Aécio Neves. Continua

 

 

 A Rede Globo é o campo de concentração da notícia

 O debate presidencial apresentado ontem num cenário montado em São Paulo representou o último estágio de um processo eleitoral em que os meios de comunicação do país assumiram o papel explícito de condutores da vontade popular.

Ao jogar os dois contendores num palco que se assemelhava a uma arena e limitar a sua participação a menos de um minuto para as perguntas, um minuto e meio para a resposta e um minuto para a réplica e a tréplica, a Rede Globo  não fez mais do que prosseguir no processo de demonização da política que vem sendo disseminado há algum tempo neste país. Continua

 

 

Como sair do buraco negro da urna eletrônica

 O eleitorado de Dilma, que deu a vitória à sua candidata no 1º turno depois de ter enfrentado o mais variado tipo de jogo sujo já visto num pleito presidencial como denúncias sem a menor credibilidade apresentadas por pessoas destituídas de qualquer honorabilidade; delações premiadas; ofensas do candidato que desafia a atual presidente; cobertura tendenciosa dos meios de comunicação privilegiando apenas um dos lados; falsa propaganda de Aécio Neves alardeando realizações que não podem ser comprovadas; interferência estrangeira por meio de organizações não governamentais e agências de espionagem infiltradas no país e apoio maciço de redes sociais como o Facebook ao candidato de oposição, chega ao final do 2º turno tendo que encarar outros poderosos obstáculos. Continua

 

 

 

 

Aecinho e a mentira repetida mil vezes

 Com a justificativa de que isto contribui para o maior esclarecimento da população, os debates presidenciais podem apresentar espetáculos lamentáveis como o que ocorreu no início da noite de hoje na rede de televisão SBT.

O candidato Aécio Neves, um notório playboy e dandy da política, herdeiro de uma pseudo-aristocracia de Minas Gerais assumiu ares de inquisidor e ‒ armado de um cinismo atroz assim como desprovido de qualquer escrúpulo ‒ tentou escapar de explicações que deveria fornecer sobre seus atos e comportamento, ao mesmo tempo em que imputava à sua adversária as características mais negativas do seu caráter. Continua

 

 

 

 

1964 - 2014: cinquenta anos de solidão

Desde 1964 não ocorria uma aliança de setores tão espúrios da nossa sociedade como a que está se dando nos dias de hoje.

As sinistras delações premiadas sem a apresentação de nenhuma prova lembram o “mar de lama” de 1954 – que levou ao suicídio de Vargas – assim como as pregações anticomunistas e moralistas de Carlos Lacerda que antecederam o golpe de 1964.

Tudo indica que o objetivo deste soturno conluio é implantar uma nova ditadura fascista ainda pior do que aquela que perdurou até 1985. Continua

 

 

 

Eleição no Brasil envolve disputa de poder entre Obama e Putin.

E Dilma pode ser a bola da vez...

 Embora não ocupe o primeiro plano dos debates, a participação do Brasil no grupo do BRICS ‒ organização também integrada pela Rússia, Índia, China e África do Sul ‒ pode estar por trás do extenso arco de alianças em torno do candidato direitista Aécio Neves na corrida presidencial de 2014.

Como se sabe, os BRICS ‒ sob a liderança econômica de Beijing e política de Moscou ‒ vêm alavancando o comércio mundial, o que os contrapõe aos Estados Unidos cuja economia passa no momento por uma profunda crise e enfrenta graves desafios.

Habituados a considerar a América Latina como seu quintal (backyard, como o denominam) e forçados a aceitar o crescente intercâmbio comercial da China e da Rússia com seus antigos satélites na região, os ianques vêm ainda com crescente desconfiança as posições de independência que os governos de Luís Inácio da Silva e de Dilma Rousseff têm tomado nos organismos multilaterais como o G20 e os sinais de associação que começam a se formar entre Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua e o grupo formado pelo BRICS. Continua

 

 

Eles contra nós

Uma nova campanha eleitoral chega ao fim e parece que mais uma vez as velhas oligarquias brasileiras ‒ os decadentes barões da mídia, o capitalismo financeiro aglutinado em torno dos imensamente lucrativos bancos e os latifundiários do agronegócio ‒ aliadas aos especuladores internacionais liderados pelo patrono das revoluções coloridas, George Soros, não irão conseguir impor a vitória dos seus escolhidos para presidente no próximo dia 5 de outubro.

Tendo ungido como seu favorito o pretendente herdeiro de um clã político mineiro que não conseguiu galvanizar o apoio da opinião pública, a casta de poderosos do país se aproveitou do misterioso acidente com o avião de um dos candidatos para catapultar aquela que planejou impingir como a nova estrela da constelação política do país e que melhor servia aos seus propósitos porque poderia seduzir as classes populares que apoiavam a atual presidente. Continua

 

 

O futebol no Brasil: da arte à força

O mundo começa a entrar num período de grande recessão econômica. Na área do Pacífico Norte, um conflito territorial entre a China, o Japão, o Vietnã, as Filipinas e a Indonésia ameaça se converter numa perigosa guerra regional. Na Ucrânia, Europa Oriental, uma junta que tomou o poder, depois de um golpe orquestrado pelos Estados Unidos com a participação de grupos neonazistas, hostiliza a Rússia e incita a realização de manobras militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Após a derrubada de Khadafi, lutas tribais no norte da África convulsionam toda a região. No Oriente Médio, milícias financiadas pelos Estados Unidos, a Arábia Saudita e o Qatar assumem o controle de refinarias e poços de petróleo, anunciam a criação de um califado islâmico enquanto destroem mesquitas e monumentos a grandes figuras do passado. De repente, a atenção de bilhões de telespectadores em todo o mundo se concentra na Copa do Mundo de Futebol, um evento que depois de 28 anos volta a ocorrer na América Latina. Continua

 

 Dilma: um cheque em branco de Lula que o Brasil endossou

(E não tinha fundo!)

Passados quase três anos e meio da sua posse, o governo de Dilma Vana Rousseff vem se mostrando como mais uma decepção em relação à expectativa criada pela sua vitória, um novo estelionato político imposto pelas classes dominantes ao povo brasileiro.

Marcada por um forte personalismo – sob influência do elemento português, ibérico e peninsular que já motivou um célebre ensaio de Sérgio Buarque de Holanda ‒ a nossa história não tem nos apresentado, com a frequência que deveria, a figura do líder político de fácil comunicação com as massas sob um perfil que se ajustaria melhor ao nosso modo de ser e temperamento.  

No mais das vezes, as nossas elites do poder não nos facultaram esta possibilidade e, via de regra, permitiram apenas a prevalência do político amorfo e cinzento, sem qualquer peculiaridade de relevo, naturalmente muito mais propenso a agir de forma cordata e condescendente diante das exigências das oligarquias que há mais de cinco séculos regem os cordéis da nossa economia e influenciam os corações e mentes da nação. Continua

 

 

 

 

O PT e a Questão Indígena

Como afirmou José Carlos Mariátegui em ensaio clássico, a questão indígena está entranhada na estrutura econômica. Tem suas raízes no regime de propriedade da terra.

Por mais de 500 anos o conquistador europeu, que se apossou do território outrora ocupado por mais de seis milhões de habitantes, ignorou ou eludiu este problema com simulacros estéreis como medidas administrativas ou policiais e estratégias de catequização ou programas assistenciais que, por seu caráter superficial e inócuo, terminaram sendo condenados a um absoluto descrédito. Continua

 

 

 

 O fim da história, o pensamento único e os novos deuses do Olimpo

Do que têm medo alguns dos nossos mais conhecidos artistas, transformados hoje em baluartes de um sistema que diziam combater?

Os mais antigos costumavam nos lembrar que "um homem de bem não tem nada a temer". O que é que estes "homens e mulheres do bem" têm a temer? Um fato pregresso, outra extravagância que passou do limite, atos pouco éticos e vergonhosamente desabonadores ou alguma coisa que jaz escondida e que poderia, eventualmente, ser descoberta? Por que é que esses artistas que falam o tempo todo de sua vida pessoal tentam agora evitar que os outros façam o mesmo? O que têm a esconder? Continua

 

 A fábula do presidente negro e da presidenta búlgara

Era uma vez um presidente negro muito astuto e uma presidenta búlgara muito ambiciosa e vaidosa.

O presidente negro tinha muitos exércitos e bases militares em um grande número de países e a presidenta búlgara tinha um país com muitas riquezas para serem exploradas mas possuía um pequeno exército e um povo pobre.

A parte mais rica deste povo pobre gostava muito de ir visitar o país do presidente negro para conhecer as suas diversões e comprar os seus produtos.

Somente alguns habitantes do país da presidenta búlgara recebiam permissão para ir conhecer as riquezas do país do presidente negro. Continua

 

 

 

Estratégias da direita na Venezuela e no Brasil

A política norte-americana, depois de conspirar para matar Hugo Chávez, se empenha agora em transformar lobos em cordeiros, apresentando notórios políticos de direita que já foram rejeitados várias vezes pela população de seus países como verdadeiros democratas comprometidos com mudanças sociais.  

Enquanto na Venezuela o candidato Henrique Capriles Radonski, um político sem nenhum escrúpulo e qualquer envergadura moral ou intelectual ofende a população e a memória de Hugo Chávez ao nomear Simón Bolívar como patrono de sua campanha, no Brasil o PPS (Partido Popular Socialista), chamado popularmente de Partido Pseudo-Socialista, uma legenda de aluguel que vem se prestando aos mais inconfessáveis propósitos políticos e pessoais, planeja criar um frentão de direita para combater a candidatura oficial. Continua

 

 

Responda rápido: Qual é o maior escândalo da História do Brasil, o mensalão ou o julgamento do mensalão?

Há um bom tempo a oligarquia brasileira esperava por este momento. Depois de seguidamente derrotada e cada vez mais perdendo terreno, desmoralizada, considerada responsável por graves crimes contra o patrimônio da Nação, o julgamento do chamado “mensalão” representou para a velha  direita do nosso País a esperança de obter por intermédio dos poderes da Justiça – sempre suspeitos, discricionários, injustos e a serviço dos poderosos – o que não vem conseguindo por meio dos votos. Ao programar o julgamento simultaneamente com as eleições municipais, os neoliberais do PSDB, os ruralistas do DEM, os tradicionais fascistas rancorosos e os meios de comunicação imorais e mentirosos esperavam que os doutos senhores do Supremo pudessem lhes fornecer os argumentos com os quais pretendem tomar o poder.

Ainda não alcançaram o seu objetivo. Apesar da cobertura tonitroante que o tribunal de exceção criado para o julgamento recebeu dos meios de comunicação e da demonização prévia imposta aos réus, a população votou nos candidatos do partido que estava sendo submetido a processo. Continua

 

 

A Justiça como show-business

Há um bom tempo a oligarquia brasileira esperava por este momento. Depois de seguidamente derrotada e cada vez mais perdendo terreno, desmoralizada, considerada responsável por graves crimes contra o patrimônio da nação, o julgamento do chamado “mensalão” representou para a velha direita do nosso país a esperança de obter por intermédio dos poderes da Justiça – sempre suspeitos, discricionários, injustos e a serviço dos poderosos – o que não vem conseguindo por meio dos votos. Ao programar o julgamento simultaneamente com as eleições municipais, os neoliberais do PSDB, os ruralistas do DEM, os tradicionais fascistas rancorosos e os meios de comunicação imorais e mentirosos esperavam que os doutos senhores do Supremo pudessem lhes fornecer os argumentos com os quais pretendem tomar o poder. Continua

 

 

 

As traições da esquerda

 No filme Terra em Transe de Glauber Rocha, o personagem Júlio Fuentes, interpretado por Paulo Gracindo, que se associa a interesses estrangeiros monopolistas mas mantém um bom relacionamento com os líderes políticos mais progressistas e os movimentos sociais do país, rejeita as críticas que lhe fazem e lamenta: 

– Afinal, eu sou um homem de esquerda! 

Na época, a cena provocava gargalhadas na plateia. A esquerda – mesmo dividida em um sem número de grupos: comunistas de tendência estalinista e maoísta, trotskistas, esquerda católica, positiva e negativa, segundo a classificação de San Tiago Dantas, etc. – era então considerada uma tendência política comprometida com a transformação da sociedade, o que se chocava com as posições ambíguas e a moral corrupta do empresário. Continua

 

 

 

Os objetivos e a ética

Que notável lição de integridade política deu a deputada Luiza Erundina aos políticos inescrupulosos do PT!

Depois de convidada para ser candidata ao cargo de vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad, a ex-ministra e ex-prefeita Luiza Erundina descobriu que a direção do Partido dos Trabalhadores havia articulado na surdina o apoio do notório ladrão público Paulo Maluf à composição, em troca de uma indicação sua para o ministério de Dilma Rousseff.

Consciente de que, enquanto sua longa militância política e social enobrecia a postulação, o apoio de Maluf denegria os propósitos da candidatura e manchava a sua trajetória marcada por uma longa coerência socialista, Erundina renunciou à candidatura. O episódio, que já era em si bastante absurdo porque os méritos da candidata |à vice é que davam brilho à chapa, se tornou assim bastante bizarro e ameaça mergulhar Haddad num oceano de fisiologismo muito semelhante ao de seus oponentes.  Continua

 

 Rio+20: a nova farsa “humanitária” da ONU

 As trombetas da imprensa corporativa mundial – cujo repertório é bastante repetitivo – anunciam com alarde a conferência do meio ambiente da ONU Rio+20, que ocorrerá entre os dias 20 e 23 deste mês na cidade do Rio de Janeiro.

Como o nome indica, o evento celebra 20 anos da Rio 92, uma outra conferência sobre o meio ambiente realizada quando a Organização das Nações Unidas ainda não tinha sido completamente desmoralizada pelos Estados Unidos, ao não ser capaz de impedir a invasão da Iugoslávia e do Iraque e, ainda assim, sacramentar o esquartejamento destes países enviando os seus hoje famigerados capacetes azuis. Continua

 

 Itamar Franco

Alguns episódios que marcaram a vida e a morte de Itamar Franco representam de forma dramática a tragédia da vida política brasileira. Tendo sido eleito para quase todos os postos públicos da nação, Itamar era uma espécie de avis rara na nossa fauna política e foi muitas vezes rejeitado por sua honradez, amor ao País e integridade moral.

Após não conseguir a legenda do PMDB para sua candidatura ao governo de Minas Gerais e de perder a eleição concorrendo pelo Partido Liberal contra Newton Cardoso, cujo governo seria marcado do começo ao seu final por acusações de corrupção, Itamar foi convidado a compor a chapa de Fernando Collor de Mello para a Presidência da República. Continua

 

Teresópolis: depois da tragédia, chegam os abutres...

 Desde o início, ficou evidente o caráter de classe das chuvas torrenciais que se abateram sobre várias partes do País, uma vez que destruíram - quase que exclusivamente - os lugares mais pobres. É muito doloroso ver cenas em que milhares de famílias deambulam com o que restou de suas casas nas costas e outras em que a água chega até alturas inimagináveis, enquanto seres em estado de total desamparo vêm seus pertences flutuar ou são arrastados com eles sem que possam fazer nada.

Neste momento, são constantes os chamados à solidariedade e os apelos governamentais para que aqueles que sobreviveram compartilhem o pouco que têm com os que tudo perderam, ao mesmo tempo em que as nossa elites econômicas continuam a desfrutar de seu alto padrão de vida e prosseguem explorando – por meio do sistema capitalista de produção – a dura vida da classe trabalhadora do País. Continua

 

Supremo do Supremo

A intempestiva posição assumida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal ao revogar uma decisão presidencial – autorizada pela própria instituição – configura a primeira crise política do governo Dilma Rousseff. O episódio se tornou ainda mais delicado pela truculenta intervenção de uma antiga potência colonial, hoje decadente e mergulhada – segundo as palavras de um conhecido blogueiro italiano – numa verdadeira berluscoma.

Embora seja a primeira depois da posse do novo governo, a atual tentativa de desestabilização já havia sido precedida por ensaios ocorridos antes de 1º de janeiro de 2011, que lembraram os acontecimentos que antecederam a ascensão ao poder de um outro mineiro, o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Continua

 

Meias verdades

Certos blogs, que apoiam o governo, fazem afirmações que não condizem com a verdade. Com frequência, costumam sustentar a completa independência da política externa brasileira em relação aos Estados Unidos. Isto não é absolutamente verdade. Estes são alguns casos em que as versões são apresentadas no lugar dos fatos:

Em primeiro lugar, o Brasil não saldou a dívida com o FMI. Pagou apenas, de forma antecipada, a parte relativa aos juros, atitude com a qual se pode concordar porque evitou aquelas folclóricas “missões” que aqui chegavam, verdadeiras expedições punitivas que vasculhavam todo o Governo, davam palpites e impunham medidas recessivas. No entanto, se quisesse mesmo ter uma postura independente, teria feito uma auditoria na dívida externa, como propõem várias associações no País. Continua

 

 Nossos heróis morreram de overdose

Nas décadas de 1960 e 1970, os poetas e compositores da música popular eram os nossos olhos e ouvidos, “as antenas da raça” na expressão de Ezra Pound. Bob Dylan, John Lennon, Bob Marley, Crosby, Stills, Nash & Young, Jefferson Airplane, The Who e, entre nós, Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, além de muitos outros, cantaram os nossos sonhos e pesadelos, as nossas esperanças mortas e renascidas, transformando-se em porta-vozes não apenas de uma geração mas de toda uma época. Continua

 

Estupro consensual

A nova presidente ainda não tomou posse mas os partidos políticos derrotados na última eleição já preparam – na surdina, como é de seu estilo – um golpe institucional contra o novo governo. Enquanto o AI-5 Digital caminha célere nas comissões da Câmara, um projeto de lei patrocinado pelo inolvidável senador Demóstenes Torres (DEM - GO, conhecido por seu conceito de "estupro consensual") – que retira do vice-presidente da República o direito de sucessão, acaba de passar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Alta. Continua

 

Ocupando o Haiti

Chico Buarque disse que, com Lula, o Brasil agora “fala de igual para igual com todos. Nem fino com Washington nem grosso com a Bolívia e o Paraguai”. 

A frase é boa e produziu muito efeito mas não é necessariamente verdadeira. O Brasil falou grosso quando votou desfavoravelmente às sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o Irã, mas falou bem fino quando aceitou comandar uma “força de paz” imposta pelos Estados Unidos no Haiti. Continua

 

E agora José Alagão Nosferatu Serrarojas Serrágio "O Estripador" Serra Abaixo*

 

E agora, José?

A festa acabou,

a urna fechou,

o voto sumiu, a noite esfriou,

e agora, José?

E agora, você?

Você que tem nomes,

que zomba dos outros, você que não faz versos,

que não ama e protesta?

E agora, você?

Continua

 

As opções do PSDB

A campanha eleitoral que ora chega ao seu fim – ocorrida num momento de relativa estabilidade econômica e social do Brasil – produziu acontecimentos que geraram grande instabilidade política no País. Desde os seus primórdios – quando o candidato da oposição José Serra ainda hesitava em se lançar à disputa – até esses últimos dias, quando uma campanha difamatória contra a candidata oficial invade as nossas casas com gravações injuriosas, assistimos à participação de todos os segmentos sociais da Nação, com evidentes interferências do Poder Judiciário em decisões pouco claras e contraditórias, dos meios de comunicação maciçamente favoráveis ao candidato da oposição, das várias denominações religiosas e do Poder Executivo. Continua

 

 

 

O desespero da derrota

Com o debate da última segunda-feira à noite na televisão, José Serra parece ter chegado à sua derradeira trincheira. Sem um real programa de governo e depois de esgotada a tática da calúnia e das falsas denúncias, só lhe restou o recurso aos mais descarados argumentos da extrema direita: o velho ataque ao MST e a Hugo Chávez, da Venezuela, a proposta da criação de um Ministério da Segurança – no estilo do mesmo organismo instituído por George W. Bush – o discurso de condenação ao Irã, para agradar à Israel e aos Estados Unidos – que, por sinal, foram os únicos países a votar contra o fim do embargo americano à Cuba, que acaba de ser aprovado em sessão da ONU – e até a sua própria adesão aos cultos pentecostais, com pungentes leituras de Bíblia e piedosas profissões de fé. Enquanto seus asseclas – camuflados pelo anonimato – fazem sórdidas denúncias por telefone, outros cabos eleitorais de aluguel distribuem panfletos com as mesmas ou outras inverdades. Continua

 

24 de outubro de 2010

Criminalizando o adversário

Assim como aconteceu nos casos de denúncia de corrupção e do tema do aborto, o episódio da quebra do sigilo de pessoas ligadas ao candidato da oposição representa mais um momento em que o feitiço tão longamente planejado e executado se volta contra o calejado feiticeiro. A revelação de que essa violação da privacidade do indivíduo – apontada por José "O Estripador" Serra como realizada sob a inspiração de Dilma Rousseff – foi na verdade produto do chamado fogo amigo, ou seja, tramada por Aécio Neves, seu adversário à postulação presidencial no PSDB, desmoraliza ainda mais o candidato e retira qualquer credibilidade às suas denúncias.

Em depoimento à Polícia Federal publicado pelo Estado de S. Paulo, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. contou que também investigou ações de lavagem de dinheiro operadas pela filha e o genro do candidato Zé Nosferatu Serra com a participação de eminentes figuras ligadas ao processo de privatização que assolou o País durante o malfadado (des)governo de seu padrinho FHC. Continua

 

 

O político como comediante - eleições, mentiras e imprensa golpista

No início do filme La chinoise de Jean-Luc Godard, o ator Jean Pierre Léaud – no papel de um militante de uma célula maoísta – explica o que é o teatro contando a seguinte história:

- Em Moscou, depois de fazerem uma manifestação diante do túmulo de Stalin, jovens militantes chineses são agredidos pela polícia soviética. No dia seguinte, na sede da embaixada chinesa e diante de toda imprensa ocidental (especialmente repórteres de Life, France Soir, etc.), aparece uma pessoa com o rosto completamente enfaixado e que fala com emoção:

- Vejam, vejam o que me aconteceu, vejam o que esses revisionistas me fizeram!  Continua

 

Ademar de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf, José Serra

No tempo em que as campanhas eleitorais eram feitas com muitos comícios, conta-se que o ex-governador de São Paulo Ademar de Barros – em um desses eventos – entusiasmado com a defesa que fazia de sua própria moralidade pública, subitamente declarou:

– No bolso desta calça nunca entrou o dinheiro do povo!

Lembram-se os mais velhos que a multidão, estupefata diante de tão improvável revelação, respondia:

– Calça nova, calça nova!

Se a história não é inédita, muito menos o sentimento de incredulidade da população diante do comportamento histriônico dos nossos políticos quando questionados sobre sua conduta, frequentemente muito suspeitosa. Continua

 

Os tempos mudam: duas histórias sobre Fernando Gabeira

Belo Horizonte, 1963. Flávio Márcio, do jornal Correio de Minas, escreve uma crítica sobre um filme interpretado por Jean-Paul Belmondo. O editor-chefe, Fernando Gabeira, considera que a crítica faz um elogio dos predicados físicos do ator e demite Flávio Márcio, jornalista que mais tarde iria se tornar o premiado autor da peça Réveillon. Na época, o estalinista Gabeira era homofóbico. Convidado a substituir o jornalista demitido, tive a oportunidade de publicar – aos 16 anos de idade – o meu primeiro artigo num jornal.

Rio de Janeiro, 1989. Durante a campanha presidencial, a extinta Rádio Jornal do Brasil AM convidava os candidatos para um debate. Em um desses encontros, reunindo Fernando Gabeira, candidato do PV, e Roberto Freire, do PCB, Gabeira afirmou de forma solene que os comunistas gostavam mesmo era de chapa branca. Roberto Freire respondeu na bucha, embora sua resposta não fosse exatamente verdadeira:

‒ Se você vir um comunista num carro oficial é porque ele está sendo levado preso para algum lugar! Continua

 

A vitória do obscurantismo

O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras de 2010 estabeleceu de maneira inesperada a vitória do obscurantismo no País. Na falta de um projeto consistente que seduzisse o eleitorado, o candidato de oposição recorreu a denúncias de violação de sigilo, práticas de corrupção e, por fim, à posições religiosas polêmicas como uma suposta defesa do aborto advogada pela candidata do governo, ampla favorita nas pesquisas.

Subitamente, o País se viu mergulhado num debate com características extremamente emocionais, em que um tema que deveria ser tratado como assunto de saúde pública se transformou em divisor de águas entre incrédulos e fiéis. Deslocado do terreno da discussão de políticas públicas para o campo religioso – na verdade, um disfarce para posturas ideológicas extremamente intolerantes – o debate passou a colocar tanto os candidatos quanto os eleitores como reféns dos padres, pastores e dos guardiões da fé.  Continua

 

 

 Debates eleitorais

Há 50 anos, uma eleição presidencial galvanizava a atenção dos norte-americanos. De um lado, o vice-presidente Richard Milhous Nixon, candidato do conservador Partido Republicano e de outro, John Fitzgerald Kennedy, um jovem senador do estado de Massachusetts, representando o Partido Democrata.

Para muitos analistas, a vitória de Kennedy sobre Nixon, por uma margem de pouco mais de 112 mil votos, estabeleceu pela primeira vez a importância da televisão na campanha presidencial dos Estados Unidos. Diversos jornalistas e historiadores acreditam que, em pequena desvantagem nas pesquisas e obrigado a enfrentar a poderosa máquina situacionista republicana, Jack Kennedy teria conseguido a vitória pelo seu desempenho nos debates no rádio e na televisão. Continua

 

 

José Serra é uma superbactéria alienígena que Dilma Rousseff precisa debelar

Vivemos hoje um momento dramático da história de nosso País. É difícil acreditar que o epicentro da conspiração que se movimenta para derrotar o atual governo se encontre no território brasileiro. Seu arco é tão extenso e suas ambições são tão amplas que envolvem as estratégias de dominação mundial da superpotência americana. Vivemos uma crise econômica sem precedentes em que a necessidade de controle dos recursos energéticos vêm desencadeando os grande acontecimentos do planeta nos últimos 20 anos. Ao mesmo tempo, o crescimento industrial experimentado a partir do florescimento do modelo neoliberal alterou a correlação de forças anterior, proporcionando a emergência de novos países como motores do comércio internacional. Continua

 

Serra, o farsante

Este é o político que se autoproclamou o "melhor deputado da Constituinte de 1988". O relatório do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) desmente categoricamente mais essa mentira e, na verdade, prova o contrário: José "O Estripador" Serra talvez tenha sido um dos piores representantes do povo. Veja o comportamento do homem que vai "salvar" o Brasil em questões como estabilidade no trabalho (contra), jornada de 40 horas (contra), salário mínimo real (ausente), direito de greve (ausente), férias/13º salário e aviso prévio proporcional (ausente), comissão de fábrica (contra) e monopólio da distribuição do petróleo (contra), entre muitos pontos em que se omitiu ou se posicionou contra os trabalhadores. Sua média final não poderia ser outra: 3,75. Continua

 

Como FHC desmontou o Estado brasileiro

Do livro de Aloysio Biondi, O Brasil privatizado: um balanço do desmonte do Estado, esse é o resultado do esquartejamento da economia nacional promovido pela camarilha PSDB-DEM-PPS que hoje quer voltar a dominar o País. Continua

 

 

Eleições no Brasil

 Todas as eleições presidenciais no Brasil – e foram poucas as realmente representativas na nossa história republicana – sempre apresentaram um dramático caráter plebiscitário. A notória falta de participação da cidadania leva a uma exploração do aspecto emocional das questões políticas e a população vota como se estivesse realmente decidindo o destino da Nação. Mas nem sempre o faz bem, deixando-se enganar muitas vezes pelos exemplares políticos da demagogia mais barata. Foi assim com Jânio Quadros em 1960 e com Fernando Collor em 1989. Em ambos os casos, esses falsos profetas se serviram da bandeira da moralidade e da regeneração dos costumes – temas dos quais estariam longe de serem os verdadeiros paladinos, como a história futura viria comprovar – e a sociedade brasileira pagou um alto preço por suas escolhas erradas, já que não obtivemos a moralidade pública prometida nem os avanços sociais propostos pelos candidatos derrotados. Continua

 

Jesus Cristo para Presidente

ou, quem sabe, o Diabo para Primeiro-Ministro?

Enquanto escrevo estas linhas, está em marcha o mais sinistro plano de toda a história do Brasil. Seus personagens? Os latifundiários agrupados em torno da União Democrática Ruralista (UDR), responsável pelo assassinato de milhares de camponeses nesse País; militantes das organizações protofascistas Tradição, Família e Propriedade e Opus Dei; criminosos do colarinho branco; banqueiros parasitas sugadores do sangue do povo; vendilhões da pátria entrincheirados num partido chamado PSDB; traficantes de notícias autoproclamados defensores da imprensa livre; comunas arrependidos do antigo Partidão hoje engajados numa espécie de leninismo de direita; ex-stalinistas travestidos de ecologistas; ONG’s financiadas pelo império americano; ladrões, escroques e fraudadores de todas as espécies e até um ex-presidente da República. Seus objetivos? Tomar de assalto por qualquer meio o Estado Brasileiro para se apoderar de seus recursos e de suas riquezas – bacias sedimentares ricas em gás e óleo, reservas internacionais acumuladas com dividendos da exportação de commodities, etc. – e entregá-los aos seus senhores na América do Norte, na Europa e no Japão em troca de uma pequena comissão. Continua

 

O fantasma na máquina

À medida que se aproxima o final da campanha eleitoral e vão se definindo as preferências dos eleitores, ressurgem como sempre – e de maneira assombrosa – os velhos traumas e fantasmas, despertados pela lembrança de fatos vividos no nosso passado mais recente. 

A polarização da disputa, que coloca de um lado uma velha classe política e partidários de um modelo muito perverso de desenvolvimento econômico hoje em franco declínio em termos de apoio popular – que recorrem a táticas de denúncias de escândalos de corrupção nem sempre comprovados – e de outro a candidata oficial, amparada pelo apoio de um presidente com imensa popularidade, traz a sensação de que as elites mais reacionárias que dominam este país há muitos séculos preparam um dramático e provavelmente muito bem calculado ataque final. Continua

 

Votem em mim e esqueçam o que eu falei!

Para um país com baixa participação da cidadania – no século passado foram poucas as oportunidades que tivemos para eleger um presidente da República – chega a ser surpreendente que 2010 represente a sexta eleição consecutiva desde o fim da ditadura em 1985. Esta pequena continuidade não contribuiu entretanto para uma maior politização do eleitorado ou uma melhor qualificação moral e intelectual dos candidatos.

O atual processo eleitoral revela também o abandono das antigas posições de esquerda de pelo menos dois dos três principais candidatos – já que José Serra vem assumindo compromissos com a direita desde a Constituição de 1988 – embora esses postulantes apresentem em comum os mesmos discursos demagógicos e populistas. Continua

 

A camuflagem do passado

Taí, fica o dito e o redito por não dito¹

Com a astúcia de quem sobreviveu a mais de cinco décadas de vida política no país, Tancredo Neves disse uma vez que “no Brasil, a versão é mais importante do que o fato”.

Na verdade, toda a nossa história tem sido marcada por esta prática: sonegação de documentos referentes ao Brasil Colônia pela metrópole portuguesa, falsos relatos acerca da descoberta do nosso território, que atribuem ao acaso um planejamento sabidamente rigoroso fruto de largo conhecimento adquirido na escola de Sagres, versões fabricadas sobre acontecimentos de grande importância para a constituição do nosso país como a Conjuração Mineira – chamada depreciativamente de (In)confidência pela Coroa de Lisboa – parvas informações e noções distorcidas sobre revoluções regionais no Brasil do final do século 18 e do século 19 como a Revolta dos Alfaiates da Bahia, a Cabanada e as revoluções de 1817 e Praieira em Pernambuco, a Farroupilha do Rio do Grande do Sul e a Cabanagem do Pará, entre outras, sem falar na transformação de Domingos Fernandes Calabar de herói em traidor, segundo a ótica do dominador local e de além-mar. Continua

 

Os Novos Exércitos

Por ter resistido a dois golpes de Estado  – um deles, infelizmente bem-sucedido – o político gaúcho Leonel de Moura Brizola (1922-2004) nunca foi perdoado pelas elites conservadoras do Brasil.

Em razão disto, amargou mais de 15 anos de exílio em diferentes países – Uruguai, Estados Unidos e Portugal, entre outros e foi obrigado a enfrentar logo após o seu retorno todo o tipo de conspirações, desde sabotagens orquestradas pelos meios de informação a uma fraude organizada pelo oligopólio de comunicação Organizações Globo que tinha por objetivo impedir que se tornasse governador do Estado do Rio de Janeiro, eleito pelo voto popular em 1982. Continua

 

O testamento de Dr. Jekyll

Apontada por analistas das mais diversas tendências como James Petras, Noam Chomsky, Paul Craig Roberts e Fidel Castro, a fulminante ascensão de Barack Hussein Obama ao poder marcou a retomada da política mais agressiva dos Estados Unidos na América Latina. Desde a invasão do território do Equador, ainda no final do governo Bushinho, até o golpe fascista em Honduras e o mais recente episódio da instalação das sete bases americanas na Colômbia, sem esquecer a tentativa de desestabilização do governo de Evo Morales na Bolívia – que levou à expulsão do embaixador e ao rompimento de relações – a política gringa volta a mostrar o seu lado mais truculento, que não emergia de forma mais explícita desde o frustrado golpe de Estado contra Chávez em abril de 2002, na Venezuela. Continua

 


Estado de sítio virtual

Marshall McLuhan, o professor de literatura canadense que se transformou em profeta dos novos meios de comunicação, dizia nos anos 1960 que o planeta havia se tornado uma aldeia global. Na verdade, algum tempo antes um outro grande escritor, o autor de ficção científica Arthur C. Clarke, já havia esboçado o projeto de um satélite de comunicação que – girando continuamente sobre a Terra – criaria um permanente intercâmbio de informações.

Mais tarde, a infraestrutura montada para o projeto de um escudo espacial, chamado popularmente de Guerra nas Estrelas, proveu o arcabouço sobre o qual se constituiu a World Wide Web, conhecida hoje como Internet. Continua

 

 

A vertigem da memória 

Estimulados, de um lado, pela busca desenfreada por efemérides promovida pelos órgãos de comunicação que, na ausência de uma política de análise séria e profunda da nossa história se socorrem na superficialidade do fait divers e, ao mesmo tempo, não podendo escapar à característica ôntica do homem como ser histórico e condicionado pelo milenarismo, vivemos no atual instante uma rememoração do ano de 1968, no ensejo do seu 40º aniversário.
 

Dada a nossa crônica incapacidade de preservarmos a história, que faz lembrar a frase de Ivan Lessa de que “de 15 em 15 anos esquecemos tudo o que aconteceu nos últimos 15 anos”, são os mesmos órgãos de comunicação que apoiaram – com pequenas ressalvas – o longo governo militar que regeu o Brasil de 1964 a 1985, que se dedicam a relembrar o movimento estudantil de 1968, tingindo muitas cores reais – que já se perderam com o tempo – com matizes distorcidos e obscuros. Folha de S.Paulo, O Globo, a notória TV Globo e até o inefável Estadão, que quase incondicionalmente também se perfilou ao lado dos gorilas brasileiros, se transformam em paladinos das nossas liberdades democráticas e guardiões da memória nacional. Continua

 

 

 

 

O Criador e a Criatura


Meu querido, meu bom amigo, os lobos sempre comeram os cordeiros; será que desta vez os cordeiros comerão os lobos?" (Carta escrita por Madame Julien a seu filho em 2 de Agosto de 1791, durante o processo da Revolução Francesa).

A correspondência recente trocada entre o Presidente da República, Fernando Collor de Mello, e o empresário Roberto Marinho, Diretor-Geral das Organizações Globo, que o jornal O Globo publicou no último domingo, dia 6 de setembro, permite uma análise que desvenda alguns dos momentos mais significativos da nossa história atual. Continua